A monumental classificação do River Plate

  • por Rogério Júnior
  • 6 Anos atrás
Foto: Divulgação River Plate - O homem da alegria. Com dois gols anotados, Rodrigo Mora foi o grande personagem da classificação dos Millonarios.

Foto: Divulgação River Plate – O homem da alegria. Com dois gols anotados, Rodrigo Mora foi o grande personagem da classificação dos Millonarios.

Um verdadeiro mar de emoções no periclitante Monumental de Núñez. Este era o cenário reservado para que o tradicionalíssimo River Plate e o modesto San José, da Bolívia, duelassem em busca de um lugar ao sol na apaixonante Libertadores da América. Ambos os escretes almejavam a cobiçada vaga para as oitavas de final que ainda restava no grupo, embora tudo dependesse da partida entre os peruanos do Juan Aurich e os mexicanos do Tigres, que jogavam no mesmo instante do embate em Buenos Aires.

Em condições normais, a conta para o River Plate passar de fase era – teoricamente – simples: vencer os bolivianos dentro de seu estádio e torcer para que o Tigres não fosse derrotado no Peru. Entretanto, a teoria não faz parte do repertório da maior competição de futebol das Américas, o que fez com que a noite ganhasse contornos de magia, fascínio, sedução, encanto e magnitude – atributos inerentes ao contexto da Copa Libertadores.

Os Millonarios, que tanto sofreram nesta edição do torneio continental, precisavam desbravar os feitiços que a peleja disputada no Estádio Elías Aguirre, na cidade peruana de Chiclayo, produzia na cancha argentina, como se num passe de mágica, tudo mudasse de forma repentina na tabela, a partir de cada gol – lá e cá.

Sofrendo com a marcação forte da equipe do San José e com a falta de originalidade e criação do meio campista Pisculichi, o bicampeão da América não conseguia impor o seu ritmo dentro de casa. Para piorar, o primeiro feitiço vindo do Peru já dava o ar da graça, no momento em que os milhares de radinhos de pilha espalhados pelo estádio anunciaram o placar momentâneo entre Aurich e Tigres: 2×2, resultado que obrigava o River Plate a vencer por, no mínimo, dois gols de diferença.

Pouco tempo depois e por obra dos Deuses da Libertadores, Rodrigo Mora, em belíssima jogada individual, acertou um canudo e colocou um sorriso na boca de cada torcedor do River presente no estádio, aos 43 minutos do primeiro tempo. Era o gol do desafogo. Mas faltava um.

E ele veio. De pênalti e mais uma vez com Rodrigo Mora, logo aos 7 minutos da etapa complementar. O River Plate só não contava com a virada do Juan Aurich, no Peru, um minuto depois do tento assinalado por Mora, resultado que o eliminava da disputa.

Sem pudor, Téo Gutiérrez anotou o terceiro gol poucos instantes após este rebuliço da tábua de classificação. Mas a apreensão, que tomava conta de toda a hinchada dos Millonarios, era notória e duraria mais 10 minutos. Foi quando Dieter Villalpando anotou o gol do empate do Tigres diante do Aurich, resultado que recolocava o River Plate nas oitavas.

Dali em diante, o alvoroço se tornou elemento característico do ambiente da partida no Monumental. Tudo porque o Tigres fora capaz de marcar mais duas vezes contra o Él Ciclón, resultado que refletia na alegria contagiante do povo argentino, que se contorcia de emoção, mesmo estando a quase 5 mil quilômetros de distancia do Peru. Nem o quarto gol do Aurich foi capaz de desanimar os Millonarios. O enredo, escrito de forma minuciosa, já estava definido e ao River Plate só restava comemorar a tão aclamada vaga na fase seguinte do torneio.

Mauro Cezar Pereira, comentarista dos canais ESPN, costuma dizer que o futebol é a maior invenção do homem. Com todo o respeito do mundo, permitam-me fazer um pequeno reparo nesta constatação: A Libertadores da América é a maior invenção do homem.

Comentários

Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.