A morte lenta e dolorosa do futebol carioca

  • por Lucas Cavalcante
  • 6 Anos atrás

Começo esse texto parafraseando o Fred: “o campeonato carioca tem que acabar”. Uma pena que demoraram tanto para perceber isso. O antigo mais charmoso do Brasil já estava doente há um bom tempo.

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Até 2010, podemos dizer que o Cariocão era um campeonato saudável. Tinha seus problemas, como qualquer outro, mas era, sem sombra de dúvidas, um dos melhores estaduais. A quantidade de semifinais, finais, clássicos, disputas de pênaltis e estádios cheios ainda davam certo prazer de acompanhar.

Foi com requintes de crueldade que o Botafogo foi campeão em cima do Flamengo e conseguiu a sua tão esperada vingança. Adriano perdendo pênalti, Loco Abreu humilhando Bruno e a torcida alvinegra em maior número foi a consagração para os botafoguenses. Isso tudo após um trivice, sendo algumas das finais com intenso questionamento em torno da arbitragem. Quis o destino que fosse esse o último grande campeonato.

Depois daí, o primeiro sintoma da doença começa a aparecer: com o Maracanã fechado para obras, o Engenhão assumiu, momentaneamente, o posto de estádio principal do Rio de Janeiro. O antigo João Havelange tem os mesmos problemas do atual Nilton Santos. É ruim para chegar, pior ainda para ir embora, tem péssima acústica, além de ser extremamente mal localizado e perigoso. Pobre Nilton Santos, merecia uma homenagem melhor.

Nos anos seguintes, a doença foi se espalhando e ficando mais grave. A média de público cai assombrosamente. Todos os problemas citados acima sobre o que vinha sendo o principal estádio do Rio desanimou os torcedores, fazendo com que tratassem os jogos com indiferença e até desprezo.

A gota d’água veio em 2013. O que dizer quando uma final de campeonato é decidida em Volta Redonda? Era só mais uma prova da força dessa doença que aos poucos tomou conta do futebol carioca.

No tão esperado retorno do Maracanã, um problema. Um estádio de um bilhão de reais não poderia ter ingressos baratos, afinal poderia uma arena de final de Copa do Mundo sediar um Fluminense x Nova Iguaçu, por exemplo? Quando nos vimos livres do Engenhão, nos deparamos com uma dificuldade ainda maior: preços não condizentes com o espetáculo, que, cá entre nós, de espetáculo não tinham nada.

E quando todos pensavam que não poderia piorar, piorou. O que vimos acontecer no estadual de 2014 foi uma das maiores vergonhas do futebol brasileiro. O gol do Vasco que entrou 33 centímetros e o juiz não deu foi um tapa na cara de quem ainda acreditava que essa doença poderia ser curada. O quadro era quase irreversível.

Neste ano, as bizarrices começaram cedo. Antes mesmo do início do campeonato, a FFERJ já havia determinado os preços dos ingressos. E ai de quem fizesse algum tipo de questionamento. A multa seria pesada. Luxemburgo que o diga.

No FlaFlu de domingo (05/07), vimos os rivais unidos por um bem maior: a sobrevivência do futebol carioca. Costumamos ter esperança na salvação de quem ou do quê gostamos, nos recusamos a desistir por pior que seja o quadro. O que se viu, entretanto, foi um balde de água fria.

Mais um triste capítulo do Carioca. Uma das expulsões mais nonsense que já tive o desprazer de assistir. Fred desfalcará o Fluminense, que jogará a vida contra o Madureira, clube de um presidente “amigo” da federação. Perdoem a ingenuidade deste que vos escreve, teorias da conspiração não me servem. Mas que é muito estranho, é.

O futebol carioca está em morte cerebral, só falta desligar os aparelhos.

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Niteroiense, jornalista, doente por futebol e por tudo que esse esporte maravilhoso envolve. Valoriza muito clubes tradicionais e suas torcidas. Flamenguista.