Finanças dos clubes mais ricos do mundo

Tradicionalmente, a empresa de contabilidade Deloitte traz um resumo anual das finanças dos clubes que mais geraram receita no ano pregresso. Desde a temporada 1997-1998 trabalhando com essa ideia, o grupo trouxe em 2013-2014 uma análise profunda das rendas dos clubes que obtiveram maiores ganhos, apresentando, ainda, tendências para os próximos anos.

Baseando seu trabalho em três critérios básicos – capacidade de geração de receita por jogo, ou Matchday revenue, direitos de transmissão e receitas comerciais – foram obtidos muitos resultados. Dentre algumas das conclusões preliminares, o estudo revelou que, pela primeira vez na história, o Top 20 bateu a marca dos € 6 bilhões de receita no ano, com Real Madrid e Manchester United ultrapassando os € 500 milhões.

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Ao todo, tivemos três novidades no Top 20 (Napoli, Newcastle e Everton) e seis no Top 30 (Aston Villa, Southampton, Sunderland, Swansea City, Stoke City e o próprio Everton), em relação à temporada 2012-2013. Outro ponto importante a ser ressaltado é a supremacia das cinco principais ligas europeias (Inglesa, Alemã, Espanhola, Italiana e Francesa), traduzida pela solidão do Galatasaray, único clube fora dos grandes centros entre os 20 primeiros. Vale dizer ainda que valores de transferências e outras taxas não foram alvo do trabalho, sendo as informações estudadas providas por intermédio de balanços fornecidos pelos clubes. ;

Queda nas receitas de Matchday e evolução das rendas comerciais

Uma das grandes conclusões a que chegaram os analistas do grupo Deloitte foi que o aumento das receitas de um clube, para o futuro, deve basear-se nas receitas comerciais, as quais abarcam patrocínios, propagandas e demais operações comerciais. O resultado é fruto da análise das principais fontes de renda dos clubes que lideram o ranking de ganhos.

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Um dos clubes que melhor ilustram essa afirmação é o Bayern de Munique – 3º no ranking – que, na última temporada, concentrou 60% de seus ganhos em receitas comerciais. Borussia Dortmund e Schalke 04, outros alemães no Top 20, seguiram esse padrão. Por outro lado, notou-se queda nas receitas de Matchday – em relação a 2012-2013. Dentre o Top 20, 14 clubes enfrentaram decréscimos de evolução nesse setor, ao passo que apenas dois conseguiram mantê-lo em aumento.

Em geral, as receitas de Matchday cresceram 4%; ao mesmo tempo, as receitas globais aumentaram em 14% (considerando o Top 20).

Como comparação, em 2004-2005, o Top 20 tinha aproximadamente um terço de sua receita ligada aos rendimentos de Matchday; em 2013-2014, o novo Top 20 tem apenas 20% do total nas referidas receitas. ; ;

O crescimento da Premier League

Outra conclusão a que se chegou foi a da importância das receitas geradas pela negociação dos direitos de transmissão. Estas foram as grandes responsáveis pelo massivo e mais aparente crescimento no ranking dos clubes que mais receitas geraram na última temporada. Quatorze times ingleses figuraram no Top 30. É quase toda a Premier League. Além disso, o mais interessante de se verificar foi o fato de que nenhum clube inglês caiu de posição.

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Enquanto Manchester City, Chelsea e Arsenal sustentaram seus lugares, Manchester United, Liverpool, Tottenham, Newcastle, Everton, West Ham, Aston Villa, Southampton, Sunderland, Swansea City e Stoke City subiram posições. Cada vez melhor, a Premier League é um produto em crescente evolução e a tendência, como relata o estudo, é de que a disparidade da liga aumente nas próximas temporadas.

Além disso, foi previsto que, com a vigência de novos contratos comerciais e com um eventual retorno à UEFA Champions League, o Manchester United deverá assumir a primeira colocação do ranking. Do outro lado da rivalidade de Manchester, o City foi quem obteve o maior crescimento absoluto em 2013-2014.

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A disparidade espanhola

Líder do ranking há 10 anos, o Real Madrid mostra o quão polarizado é o futebol espanhol. Tendo ultrapassado os € 200 milhões em receitas de direitos de transmissão (de um total de aproximadamente € 550 milhões), os Merengues viram seu rival e atual campeão nacional, Atlético de Madrid, receber menos da metade da vultuosa quantia (€ 96,5 MI).

Outro detalhe hispânico foi o declínio do Barcelona em uma temporada sem títulos. Desde 2005-2006, os Blaugranas não deixavam o Top 3. Com rendimentos estáticos há dois anos, o clube catalão dependerá de novos contratos comerciais para voltar a crescer.

Sobre o Atleti, mantendo o sucesso no campo, o time deverá conseguir melhores patrocínios e, assim, continuar subindo (em 2013-2014, o clube subiu cinco posições no ranking, ocupando a 15ª colocação).

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Declínio italiano

Se por um lado os clubes ingleses ganharam terreno, os italianos perderam. Apesar do modesto crescimento (3%), a Juventus foi o único time da Bota a manter um lugar entre os 10.

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Todavia, perdendo a nona colocação. Além disso, o único clube do país que conseguiu subir posições foi o Napoli, que deixou a 22ª posição e assumiu a 16ª (com 30% de crescimento). Milan, Internazionale e Roma seguem no Top 30, entretanto, em queda.

Pela primeira vez desde o início da feitura do estudo, o Milan deixou o Top 10, vendo ainda a rival Inter cair para sua pior posição de sempre, o 17º lugar.

Após as análises generalistas, o estudo se propôs a analisar especificamente cada um dos integrantes do Top 20, mostrando a divisão de suas receitas e fazendo comparações com a temporada 2012-2013. Assim, algumas conclusões puderam ser aduzidas:

– O PSG foi o clube que mais lucrou com receitas comerciais, cerca de € 327 mi;

– O Manchester United foi que mais lucrou com receitas de Matchday, com aproximadamente € 129 mi;

– O Real Madrid foi quem recebeu verbas sobre direitos de transmissão, com um montante de cerca de € 204 mi;

– O clube com maior percentual de receitas ligadas às receitas comerciais foi o PSG, com 69%;

– Por sua vez, o Arsenal teve maior percentual de receitas ligadas aos rendimentos de Matchday, com 33%;

– Por fim, o Everton foi o time que obteve a maior parte de suas receitas ligadas aos direitos de transmissão, com 73%.

– Com 24% de aumento de receita, o Manchester City foi o clube do Top 20 que mais cresceu na última temporada;

– Milan e Inter tiveram decréscimos de receita de 5 e 0,6%.

Doentes, o estudo completo está disponível aqui.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.