Há um “europeu” entre nós

  • por Rodrigo Dornelles
  • 5 Anos atrás

A diferença entre a bola jogada na Europa e no Brasil é gritante e alguns exemplos recentes deixaram isto bem claro. A começar pela derrota do Santos para o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes, por 4×0. Nas palavras de Neymar, na época com a camisa santista, “uma aula”. Tempo depois, um sonoro 8×0 do Barça sobre o Peixe no jogo que marcou a “comemoração” da ida do atacante para a Catalunha. Na Copa do Mundo, os 7×1 e 3×0 escancararam e deram maior atenção a esse abismo. Mas há uma figura no nosso futebol que deixa essa diferença um pouco menor. Há um “europeu” entre nós.

Neste início de 2015, o Corinthians mostra uma tentativa de reprodução do que se vê nos gramados do Velho Continente. O Timão hoje é o que mais próximo tem o futebol brasileiro da Europa. E essa mentalidade tem nome, sobrenome e apelido. Adenor Bachi, o Tite. Responsável pelo último grande triunfo sul-americano sobre os europeus, o técnico dá um tom de Champions League ao Corinthians.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians - Tite faz do Timão o mais "europeu" dos times brasileiros.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians – Tite faz do Timão o mais “europeu” dos times brasileiros.

Contra o Danubio, vitória com sobras e talvez a mais evidente reprodução do futebol europeu que o Timão já demonstrou até o momento. Marcação forte, linhas à frente, compactas, troca de passes sem pressa e uma incessante busca pelo ataque mesmo já com o placar favorável. Somada a tudo isso, uma intensidade em campo que pouquíssimo se vê no Brasil.

Mais que a qualidade técnica dos “astros” daqui e de lá, há uma colossal diferença de dinâmica e intensidade entre as equipes brasileiras e europeias. O conhecimento tático e a capacidade de se atualizar – algo que passa até pela humildade de reconhecer essa necessidade – dos treinadores de lá são quase incomparáveis. Tite mostra que é possível tentar.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians - Elias é  grande símbolo da versão 2.0 do Corinthians de Tite.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians – Elias é grande símbolo da versão 2.0 do Corinthians de Tite.

O Danubio não teve chances contra esse Corinthians. O Timão de Tite e Elias, mais evidente símbolo desta “europeização” alvinegra, vai mostrando folga nesta fase de grupos da Libertadores. O futebol da equipe tornou fácil a vida no que muitos consideravam “grupo da morte” da Copa.

Se o time paulista transformará essa superioridade em um segundo título da Libertadores, ainda é cedo para dizer, mas hoje não há candidato mais capacitado a levantar a tão desejada taça. E se isso de fato acontecer, não será uma obra do acaso. O Corinthians-Tite 2.0 está ainda mais fascinante que a primeira versão.

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Gaúcho de Pelotas, no "estrangeiro" (Curitiba) há 19 anos. Repórter esportivo da Rádio Banda B. Amante do futebol platino, bem pegado e bem jogado. Sim, Libertadores é muito melhor que Champions League.