James Rodríguez vai calando os haters

  • por Israel Oliveira
  • 2 Anos atrás

Mesmo após boa temporada pelo Mônaco (sendo líder de assistências da Ligue 1, num time cujo ataque estava desfalcado de Falcao García) e uma Copa do Mundo histórica, comandando a Colômbia em sua melhor campanha, James Rodriguez chegou em Madrid com certa desconfiança do público em geral.

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Alguns motivos eram usados como argumentos nessa dúvida em relação ao colombiano: a venda de Ángel Di María, um dos principais nomes do Real Madrid na campanha vitoriosa rumo a la décima, e os altos valores da transferência amplamente noticiados nos jornais da capital espanhola.

https://www.youtube.com/watch?v=qTF5wktOlxw

Em comparação rápida com o argentino que hoje sofre no Manchester United, realmente tratava-se de uma mudança de estilo da base que conquistou o tão sonhado décimo título da Champions League: o Real Madrid perdia seu jogador mais energético, o quebrador de linhas, por um jogador mais sutil, mais inteligente, mais qualificado com a bola no pé.

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Nova Função em campo

O início de James na equipe merengue reforçava a desconfiança de seus detratores, sem entrosamento com os demais colegas, o colombiano sofreu pela timidez com a bola e sem ela não mostrava índice de trabalho suficiente para marcar.

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No Mônaco, o meia colombiano era uma espécie de enganche, jogava centralizado e com a responsabilidade de municiar a dupla de ataque. Já em sua chegada no time merengue, o artilheiro da Copa de 2014 foi recuado mais para o meio campo.

Escalação do Real Madrid no jogo contra o Sevilla. Fonte: Whoscored.com

Escalação do Real Madrid no jogo contra o Sevilla. Fonte: Whoscored.com

Em sua primeira aparição com a camisa do atual campeão da Liga dos Campeões, atuou como meia central, incumbido de responsabilidades defensivas.

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Contra o Atlético de Madrid, na Supercopa da Espanha, atuou mais avançado, desta vez como ponta, e teve bom desempenho. Apesar de ter marcado seu primeiro gol pelo Real Madrid no primeiro jogo da final, James acabou se destacando mais no primeiro tempo do jogo de volta, no Vicente Calderón.

Nas partidas do Real Madrid pelo Campeonato Espanhol, o colombiano permanecia sendo utilizado no meio-campo, na esquerda numa linha de três, isso até a lesão de Gareth Bale, percalço que obrigou Carlo Ancelotti a mudar o esquema da equipe para o 4-4-2. Nesta formatação, James passou para o lado direito, no extremo do meio campo:

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Seja no 4-3-3 ou no 4-4-2, James Rodriguez entendeu a diferença entre ser a estrela como era na Colômbia e ser mais um num elenco estrelado. Em tarefas totalmente diferentes daquelas que já trabalhou anteriormente, mostrou-se versátil, trabalhador e não perdeu seu grande diferencial: a qualidade com a bola no pé. Em 36 jogos marcou 14 gols e 14 assistências. O colombiano é o terceiro jogador do Real Madrid com mais participações diretas em gol e o debutante no futebol espanhol com mais participações, empatado com Luciano Vietto (28).

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Jamesdependência?

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A hipérbole utilizada pelo Jornal Marca ilustra bem a importância de James Rodriguez desde sua chegada na equipe de Ancelotti. Com o camisa 10 em campo, o Real Madrid venceu 80% dos seus jogos.

Sem James, os galáticos passaram por momento de turbulência na temporada: 3 derrotas e 1 empate num espaço de 7 jogos no Campeonato Espanhol ( incluindo um desastroso 4-0 para o Atlético de Madrid). Queda para 58% de aproveitamento. Com James em campo, o Real demora 27 minutos para balançar as redes, sem, são 42 minutos para assinalar um tento.

O que explica o quanto o Real Madrid sentiu a falta de James Rodriguez é sua versatilidade. É um jogador que tanto pode participar do jogo pensado quanto do jogo rápido, em passes imprevisíveis. Função essa que foi passada para Isco – enquanto o colombiano esteve lesionado – que também caiu de rendimento com a ausência de James. O talentoso espanhol é dono de muita habilidade, tem um apelo fantasista imenso, mas não é constante como James: tem dificuldade em acionar os atacantes e não é tão agudo/vertical como sua função solicita. Isco Román prende demais a bola, ao contrário de James Rodriguez que é mais veloz pra tocar e servir os avançados, além de ter grande capacidade em assinalar diversos golaços, com sua exímia qualidade em finalizar.

Desde seu retorno (05/04/2015), James foi eleito o melhor jogador da partida em dois dos quatro jogos que disputou. Contra o Rayo Vallecano, socorreu a equipe que estava sendo envolvida pelo agressivo time de Paco Jémez. E, diante do Málaga, em mais um jogo difícil, foi o pé mais procurado mais ofensivamente, mostrando muita disposição para criar, se apresentar na área e finalizar. Mais uma vez marcou um golaço para sua galeria de pinturas:

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Acabou o “hate”?

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Aos poucos, bem ao estilo sul-americano, James Rodríguez vai driblando as dificuldades. De apenas jogador “marketeiro”, meramente vendedor de camisas, o colombiano passou a causar impacto inconfundível após seu retorno. Com certeza é importante avaliar o nível dos adversários enfrentados, mas de qualquer forma, há tempos o Real Madrid não conseguia se impor nas partidas. A qualidade de James em dominar e escolher seus pontos de referências é vital para o conjunto merengue encontrar sua melhor forma, encaixar seu jogo fulminante.

https://www.youtube.com/watch?v=WDyCeBG-000

Lembrando que nos jogos de maior desafio na temporada, contra Liverpool e Barcelona, James foi fundamental. O rapaz apresentou grande volume jogo para atacar, qualidade para trocar passes e um trabalho defensivo competente. Não só de jogos pequenos vive o camisa 10. Ele também apareceu bem contra o Atlético de Madrid apesar das derrotas.

No excelente primeiro tempo contra o Atlético de Madrid, no jogo de ida das quartas de final da Champions League (14/04/15), James foi o grande nome do primeiro tempo. Mostrou sua qualidade em distribuir o jogo, respeitar o sistema defensivamente e também quase marcou um golaço, mais uma vez sua canhota cirúrgica entrando em ação. Com o colombiano em campo, há sempre a possibilidade de truques surgirem de sua cartola em qualquer instante.

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Valeu a pena trazê-lo?

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Parafraseando a capa do Marca, James tem-se feito valer seu peso em ouro. Apesar do valor altíssimo de sua contratação, fica nítido perceber que com James Rodriguez em campo, o Real Madrid apresentou o melhor futebol da temporada. Além de tudo, o camisa 10 dos merengues é altamente midiático e conta com carisma fenomenal. É o terceiro jogador a vender mais camisas na temporada, assim como um dos principais jogadores do time. O jovem se adaptou numa função totalmente diferente em relação a forma de jogar que lhe deu destaque na Copa do Mundo e vem mostrando que pode ser útil além dos gols e assistências (características marcantes de seu jogo).

Os critérios iniciais da contratação do jogador são evidentes, se tratando de Real Madrid: adquirir o jogador do momento, o craque mundialmente consagrado, artilheiro da Copa do Mundo. Mas James vem provando que vai muito além de mídia, de carisma e de um rostinho bonito. O colombiano vai mostrando que tem um futebol de alto nível, compatível com as cifras que movimenta e com a atenção que desperta dos fãs, patrocinadores e do público em geral.

Os haters vão ter trabalho para secar James Rodríguez.

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