No Oeste de Londres, Brentford e Fulham caminham em direções opostas

  • por Gregor Vasconcelos
  • 5 Anos atrás

Um barco se aproximava de Craven Cottage para o clássico desta sexta. Andando pela beira do Thames em direção ao estádio, era possível ouvir os milhares de torcedores a bordo cantando “The shit are going down”.

Quando o barco ancorou no píer, uma onda branca e vermelha desceu. Era uma invasão do Brentford, que levava mais de 6 mil torcedores para um jogo que não apenas poderia botar o time de Mark Warburton na zona dos play-offs como também botar o Fulham em situação delicada.

Quem no começo da temporada poderia prever tal cenário?

Há 14 meses, o Fulham apontava Felix Magath como seu técnico para tentar fugir do rebaixamento da Premier League. O Brentford, com o estreante Warburton, lutava para subir ao Championship. A escolha dos comandantes pelos clubes foi simbólica das trajetórias divergentes que tomariam.

O Fulham foi rebaixado. O experiente, porém ultrapassado, Magath durou apenas sete meses no cargo. Foi um desastre. Desde a entrada de Kit Symons, o Fulham melhorou um pouco, mas continua sem muita direção.

Já com Warburton, que esteve à frente de divisões de bases antes de seu primeiro trabalho como técnico, o Brentford parece ter encontrado um novo visionário. A contratação mais cara da equipe foi o ponta Ramallo Jota, que veio do Celta Vigo por £1.4M. Outros jogadores importantes como Jay Pritchard e Jon Toral chegaram por empréstimo de Tottenham e Arsenal, respectivamente. Stuart Douglas, que fez dois gols no clássico, treinava uma vez por semana jogando por um clube semiprofissional na Irlanda do Norte. Em comparação, o Fulham trouxe Ross McCormack por £11M.

O 4×1 no placar, talvez não tenha sido uma reflexão do que ocorreu em campo, mas representa bem o momento vivido pelos dois times.

O Fulham brigou, e, mesmo desorganizado, deu muito trabalho ao Brentford, mas no final a qualidade dos visitantes preponderou. Foram quatro golaços, dois de Douglas, um de Alan Judge e outo de Jota. O Fulham só conseguiu marcar de pênalti, com McCormack.

No final da partida, Symons reclamou: “Isso tem sido um tema recorrente com a gente. Mais uma vez, jogamos bem e criamos as chances, mas não conseguimos convertê-las.” Palavras idênticas a quando a equipe perdeu sua última partida em casa por 3×0 para o Leeds United.

Por mais que o Fulham tenha mostrado vontade, eles pouco criaram. A única defesa que David Button teve que fazer foi em chute de Alexander Kacaniklic aos três minutos do primeiro tempo. Não é uma coincidência que os dois jogos que o Fulham dominou acabaram em goleada para os adversários.

A situação é preocupante, já que é difícil ver como o Fulham conseguirá melhorar até o final da temporada. “Nós não queremos depender de ninguém, precisamos conseguir os resultados para sair dessa situação,” disse Symons. Isso é improvável, mas por sorte, Wigan, Millwall e Blackpool também vão muito mal e parecem sem ímpeto para fugir da zona nos seis jogos restantes.

Já o Brentford tem um grande problema: Warburton. O técnico que revolucionou o clube está de saída no final da temporada devido a um desentendimento com os donos. Será uma missão quase impossível substituí-lo. Felizmente, isso não impede o técnico de focar completamente em levar o seu time a Premier League pela primeira vez em sua história.

“Temos 18 pontos para disputar e se ganharmos todos os jogos teremos 87. Acho que com 85 terminaríamos entre os dois primeiros,” ele disse na coletiva. “Mas do jeito que o Championship tem sido esse ano, podemos perder todos os jogos também. Então é importante focar só em nós mesmos. Os jogadores merecem estar aonde estão. Já foram 40 jogos, a classificação não mente. Eles têm seis jogos para alcançar aquilo que lutaram.”

Seria talvez um sonho ver times como Brentford e Bournemouth subirem para a Premier League ao mesmo tempo, levando seu futebol vistoso e ofensivo para a elite do futebol inglês. Mas é um sonho alcançável, que parece cada vez mais próximo depois da vitória no clássico.

Ao final do jogo, a torcida visitante embalava um ritmo. Eles não comemoravam a queda do rival, e sim gritavam com toda a confiança do mundo: “WE ARE GOING UP!”. Caso o canto se concretize, será a primeira vez que o Brentford jogará a primeira divisão desde a Segunda Guerra Mundial. Quem diria que o primo feio de West London chegaria até aqui?

 

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.