Os fracassos do City na UCL

Comprado pelo grupo Abu Dhabi United Group for Development and Investment (ADUG), em 2008, o Manchester City vem buscando se firmar nos cenários inglês e europeu. Em terrenos domésticos, a missão vem sendo bem-sucedida, como comprovam os títulos da Premier League nas temporadas 2011-2012 e 2013-2014, da FA Cup na temporada 2010-2011, da Capital One Cup na temporada 2013-2014 e da FA Community Shield de 2012. No entanto, quando o assunto é UEFA Champions League, os Citizens têm falhado retumbantemente.

Ausente nas competições das temporadas 2008-2009, 2009-2010 e 2010-2011, interregno no qual o clube também acumulou duas desilusões na Europa League, o City voltou a disputar a Champions apenas em 2011-2012, algo que não acontecia desde a longínqua temporada 1968-1969.

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2011-2012: Retorno e eliminação precoce

11-12 MANCINI ELIMINAÇÃO PRECOCE

Em seu retorno à competição após conseguir um suado terceiro lugar na Premier League, tendo sido perseguido pelo Arsenal e lutando com o Chelsea pela segunda colocação, a decepção se espalhou pelas faces dos torcedores. Compartindo o Grupo A com Bayern de Munique, Napoli e Villarreal, o City teve muitas dificuldades e não avançou à fase seguinte. Com três vitórias, um empate e duas derrotas, os ingleses viram o avanço de bávaros e napolitanos e, como prêmio de consolação, desceram à disputa da Europa League. O curioso e doloroso é que, tendo somado 10 pontos, os Citizens teriam avançado em seis dos oito grupos da competição.

Embora a decepção com a desclassificação tenha sido evidente, ela permitiu aos comandados de Roberto Mancini a manutenção total de seu foco na disputa da Premier League, a qual, com muita emoção, o City conquistou no saldo de gols contra o rival Manchester United.

2012-2013: Sorteio ingrato e mais um fracasso

12-13 RONALDO E REUS

Veio a temporada 2012-2013 e com ela mais um insucesso em âmbito continental.

Injusto seria dizer que a vida do Manchester City na esfera internacional tem sido fácil. Desta vez, no Grupo D, os ingleses tiveram que lidar com as forças de Real Madrid, Borussia Dortmund e Ajax, todos já laureados com o título da competição. Neste turno, o fracasso foi ainda mais pesado do que o da temporada anterior. Até mesmo o clube neerlandês, que hoje não conta com a força de outrora, foi superior aos ingleses, que sofreram com a última colocação do grupo.

De volta aos terrenos britânicos, o City juntou seus cacos e conseguiu o vice-campeonato da Premier League e, com ele, o passaporte para a Champions de 2013-2014.

2013-2014: Adeus fase de grupos, olá novo carrasco

13-14 MESSI

Novamente no Grupo D, o Manchester City – agora sob o comando de Manuel Pellegrini – reencontrou o Bayern de Munique e enfrentou, ainda, o CSKA e o Viktoria Plzen, naquele que parecia ser o ano da redenção. Com cinco vitórias em seis jogos, os Citizens somaram a mesma quantidade de pontos dos bávaros e, no saldo de gol, perderam a primeira colocação do grupo. Todavia, o que isso poderia significar diante da grandiosa passagem à fase eliminatória? Tudo.

Enorme foi o infortúnio do City por ter ficado em segundo no grupo.

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No sorteio, os ingleses tiveram que enfrentar o poderoso Barcelona e o 4×1 no placar agregado, formado por dois gols de Lionel Messi, dois de Daniel Alves e um de Vincent Kompany, selou mais um melancólico retorno do time à Inglaterra, onde voltaria a levantar o troféu do título inglês.

Se a saída precoce do City na Champions de 2013-2014 parecia obra do azar, com um sorteio dificílimo após uma campanha brilhante na fase de grupos, o que dizer sobre o destino da equipe na presente temporada?

2014-2015: Mais um ano e o filme de sempre

14-15 PEP MESSI

Curiosamente, mais uma vez o Manchester City encontrou-se com o Bayern de Munique na fase de grupos da UEFA Champions League. Membros do Grupo E, os dois tiveram a companhia de CSKA e Roma. E não é que se possa dizer que o escrete inglês tenha feito uma grande campanha, porém ela foi suficiente para decretar o seu avanço à fase seguinte (duas vitórias, dois empates e duas derrotas).

Novamente segundo colocado de seu grupo, o City foi para o sorteio em posição desvantajosa. O veredito? Barcelona, de novo. E pior, uma versão melhorada do time catalão, que contou com o mesmo brilhantismo de Messi, todavia com um Neymar mais amadurecido e um novo elemento de qualidade acima de quaisquer suspeitas: Luis Suárez.

Apesar de ter sido mais magro do que o da temporada anterior, o resultado final (3×1 no placar agregado) não refletiu a superioridade Blaugrana. Não fossem as brilhantíssimas atuações do goleiro Joe Hart, os ingleses poderiam ter passado momentos ainda piores.

Na luta pelo título inglês da presente temporada, o Manchester City provavelmente retornará à Champions em 2015-2016. Especulam-se uma troca em seu comando e algumas modificações no elenco. Tudo por um objetivo: o maior título do continente. Até agora, suas participações ficaram marcadas ou por incompetência própria ou por clara falta de sorte, e não só os Citizens como todos os clubes ingleses tiveram quedas bruscas na atual edição.

Será 2015-2016 o ano em que o lado azul de Manchester comemorará seu mais desejado título? Descartar a possibilidade não seria inteligente, bem como confirmá-la. Com a situação atual, seria dificílimo. Não obstante, a próxima temporada abre um leque de novas possibilidades e a sorte do time pode mudar – o que deve, de toda forma, ser acompanhado de muito trabalho e competência, afinal, como certa vez afirmou um certo João Guimarães Rosa:

“Sorte é isto. Merecer e ter.”

(atualização 21/03/2017)

2015-2016: Uma exceção à regra

Foto: Divulgação/ Mancity.com

Naquele que viria a ser o último ano de Manuel Pellegrini no comando dos Citizens, o City, enfim, fez boa campanha na UEFA Champions League.

Tendo feito parte do Grupo D, um dos mais equilibrados do certame (compartido com Juventus, Borussia Mönchengladbach e Sevilla), o clube inglês assegurou a primeira colocação, com quatro vitórias e duas derrotas (ambas para a Juve). Assim, conseguiu escapar dos gigantes europeus que tanto assombraram-no nos últimos anos.

Contra o Dynamo de Kiev, não teve a vida fácil que esperava nas oitavas de finais, porém avançou sem sustos. Na Ucrânia, Sergio Agüero, David Silva e Yaya Touré colocaram os Citizens em vantagem, com Vitaliy Buyalskiy descontado para o clube da capital ucraniana. No jogo de volta, o zero não saiu do placar e o City avançou pela primeira vez em sua história às quartas de finais da competição, fase em que enfrentaria enorme obstáculo: o Paris Saint-Germain.

Foto: Divulgação/ Mancity.com

Contando com a força de um ataque que alinhou Zlatan Ibrahimovic, Edinson Cavani e Ángel Di Maria, os franceses tinham certo favoritismo na disputa, mas, já na partida de ida, no Parc Des Princes, ficou claro que a sorte estava do lado azul mancuniano. Joe Hart defendeu penalidade cobrada por Ibra e evitou que o PSG ficasse em vantagem. Na sequência, Kevin De Bruyne abriu o placar para o City. O goleador sueco e o jovem Adrien Rabiot até conseguiram a virada, todavia Fernandinho foi às redes e marcou o tento do empate. De cabeça erguida e com dois gols marcados fora de casa, o City entrava em campo no Etihad Stadium com vantagem no jogo de volta.

Nem o fato de Agüero ter desperdiçado uma penalidade pôde evitar o avanço dos Citizens, uma vez que sua meta permaneceu imaculada e De Bruyne voltou a assumir a responsabilidade, marcando o solitário e glorioso gol do clube. Finalmente, o City conseguia uma campanha decente na Champions; finalmente estava no grupo dos quatro mais poderosos clubes da Europa.

Foto: Divulgação/ Mancity.com

Assim, já não poderia esperar encontrar facilidade e enfrentou o Real Madrid. Tendo empatado sem gols em seu território e perdido por 1×0 no Santiago Bernabeu, gol contra de Fernando, o clube se despediu da UCL, com uma campanha imensa. Enfim, o City mostrou grandeza.

2016-2017: Nem Pep Guardiola conseguiu evitar mais um fracasso

Foto: Divulgação/ Mancity.com

Apesar de ter feito ótima campanha em 2015-2016 na Champions e de ter conquistado mais uma Copa da Liga, Manuel Pellegrini foi trocado por Pep Guardiola. O anúncio fora feito ainda em fevereiro de 2016. Com o espanhol e o sucesso recente da equipe, esperava-se que o City no mínimo tivesse condições de lutar de igual para igual contra os maiores times europeus. Não obstante, não foi isso o que aconteceu.

Tendo tido que passar por uma fase de play-off antes de chegar à fase de grupos, os Citizens bateram com autoridade os romenos do Steaua Bucareste, com o placar agregado tendo registrado inapelável 6×0. Assim, o clube desembarcou na fase seguinte. Dividindo o Grupo C com Borussia Mönchengladbach, Celtic e o carrasco Barcelona, o City entrou sabendo que não teria vida fácil e dificilmente conseguiria se classificar em primeiro lugar. Dito e feito.

Foto: Divulgação/ Mancity.com

Os ingleses fizeram campanha irregular na aludida fase. Se por um lado foram capazes de impor placares com 4×0, contra os alemães, e 3×1, contra o Barça, por outro empataram duas vezes com o Celtic e perderam por 4×0 para os catalães, na Espanha. Ao menos, avançaram de fase, novamente na segunda colocação. Apesar disso, a alegria dos Citizens durou pouco. Tendo conseguido escapar de equipes como Barcelona e Bayern de Munique, teve pela frente uma das sensações da Europa, o Monaco.

Em dois jogos emocionantes e abertos, o City se viu em desvantagem no primeiro jogo, em seu território. Embora Raheem Sterling tenha aberto o placar em seu favor, rapidamente, Falcao García e Kylian Mbappé viraram o jogo para o Monaco. É importante dizer que o atacante colombiano teve a chance de aumentar o placar, mas desperdiçou penalidade máxima. Na sequência, Agüero empatou o encontro, mas viu Falcao marcar novamente, 3×2. Com o máximo de suas forças, contudo, o City se reafirmou em sua casa e marcou três vezes, com mais um de Agüero e outros dois de John Stones e Leroy Sané. Parecia que o clube havia renascido na adversidade. Parecia.

Foto: Divulgação/ Mancity.com

No jogo de volta, no Principado, o City sofreu gol cedo, tento anotado por Mbappé e logo o placar já marcava 2×0, após o brasileiro Fabinho marcar também. Tal situação se prolongou até a fase final do jogo, quando Sané voltou a marcar, naquele que poderia ser o tento apto a colocar o City mais uma vez nas quartas de finais. Entretanto, na temporada 2016-2017 tem sido difícil não se encantar com o brilho do jogo do Monaco que, com Tiemoué Bakayoko, foi às redes novamente e eliminou, mais uma vez, o City.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.