Pastore chegou! Decisivo, argentino faz melhor temporada na França

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Demorou, mas chegou! Após muita instabilidade, idas e vindas entre banco de reservas e time titular e até mesmo questionamentos quanto à validade do investimento de 42 milhões de euros em sua contratação junto ao Palermo, o argentino Javier Pastore, quatro temporadas depois de ter sido contratado, finalmente mostra seu melhor futebol em Paris.

Com os dois gols sobre o Nice, na vitória por 3×1 em partida válida pela 33ª rodada do Campeonato Francês, El Flaco chegou à marca de cinco gols no torneio. Números que parecem discretos, mas que igualam a quantidade de tentos marcados por ele nas últimas duas edições da Ligue 1.

E um detalhe primordial, que não pode ser ignorado: em todos os jogos em que marcou – incluindo o 3×2 sobre o Bordeaux, pela Copa da França – o PSG venceu. Dos cinco gols no Francesão, ao menos quatro foram de suma importância para que o Paris levasse os três pontos para casa:

  • Metz 2×3 PSG – 14ª rodada: Pastore abriu o placar com nove minutos de bola rolando;
  • PSG 4×2 Lens – 21ª rodada: o argentino, aos 29’ do segundo tempo, fez o terceiro gol parisiense, quando a partida estava empatada em 2×2;
  • Nice 1×3 PSG – 33ª rodada: colocou o Paris em vantagem duas vezes, quando estava 0x0 e depois quando estava em 1×1;


Nice 1 – 3 PSG All Goals and Full Highlights… por enteritament

Mas, apesar dos gols importantes, é nas assistências que Pastore chama a atenção. Já são sete na temporada como líder do quesito no PSG, quarto em toda a liga. E, assim como os gols, esses passes que resultam em acréscimos no marcador parisiense têm sido importantes. Apenas em dois jogos o Paris não venceu quando o argentino deu passe para algum gol. Ainda assim, a equipe milionária marcou duas vezes quando isso aconteceu – e no empate em 2×2 com o Stade de Reims, foram duas assistências.

Quem notou esse crescimento é o técnico Laurent Blanc, que tem utilizado o argentino com mais frequência. El Flaco é o segundo jogador com mais minutos pelo Paris na Ligue 1, com 2235, atrás apenas do goleiro Salvatore Sirigu, que só não participou de uma partida. Foram 28 atuações de Pastore e apenas três vindo do banco.

Essa alta frequência de jogos é refletida nos números. Dados do WhoScored mostram que Pastore é o quinto chutador do time, mas, entre os cinco primeiros, é o terceiro que mais acerta – mais até que os artilheiros Edinson Cavani e Zlatan Ibrahimović. Nos passes certos, é o terceiro do ranking parisiense e o que tem melhor média de passes-chave.

Os gráficos abaixo, do site Squawka, retratam como esses passes não são supérfluos e ajudam demais no jogo ofensivo do time:

Foto: Squawka

Foto: Squawka

Foto: Squawka

Foto: Squawka

Números que enganam

As temporadas de Pastore em Paris também retratam bem como não se pode analisar os números de forma fria. O contexto é um fator importante para que as estatísticas sejam realmente compreendidas e assim possa-se fazer uma análise mais coerente. Na primeira temporada na França, o argentino fez 13 gols e deu cinco assistências. Apesar de já ter batido o número de passes para gol, é difícil imaginar que, a menos de dez rodadas para o fim da temporada, possa igualar os tentos de 2011/2012.

Mas dois pontos devem ser colocados na conta: o momento e o desempenho geral. Aquela era a primeira temporada milionária do PSG e Pastore era o grande nome da companhia, mesmo estando entre 22 e 23 anos. Hoje, aos 25, não sofre a cobrança que Ibra, Cavani e Lucas sofrem, por exemplo.

Outro ponto a ser levado em conta é a quantidade de gols do time ao fim do campeonato. Na primeira temporada, o PSG balançou as redes 75 vezes, ou seja, Pastore participou de 24% dos gols da equipe. Nenê, por exemplo, teve participação maior: 42,6%, com 21 gols e 11 assistências. O argentino foi o segundo que mais participou dos gols parisienses, mas decepcionou por ter custado 42 milhões de euros e ter desempenho inferior ao do brasileiro, que estava no clube desde a “era pobre”.

A título de comparação, Ibrahimović, que hoje é “o cara” do time, esteve diretamente envolvido em 44,4% dos gols do Paris Saint-Germain na temporada 2013/2014, quando a equipe da capital francesa se sagrou bicampeã nacional. Desempenho de líder técnico e de campeão, coisa que o argentino não foi em 2011/2012 – o Montpellier ergueu o caneco naquela temporada.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Atualmente, a participação de Pastore nos gols é de 19,6%, inferior ao seu primeiro ano na França, mas muito mais importante, especialmente porque é o segundo que mais se envolveu nos gols. Tudo passou por uma mudança de perspectiva. Hoje ele não é o astro do time, mas é uma peça importante da engrenagem. A sonolência das temporadas passadas já se foi e hoje é titular de uma equipa que cresce na reta decisiva da Ligue 1.

Amadurecimento

O crescimento de Pastore nesta temporada passa também pelo amadurecimento que enfrentou de uns tempos para cá. Esse momento de maturação envolveu o convívio com o banco de reservas e as intensas mudanças de posição. Hoje, El Flaco sabe bem sua representatividade dentro do clube e se tornou um jogador versátil, que pode ser útil na linha de meio-campo e na linha ofensiva do 4-3-3 de Blanc.

A versatilidade é o principal ponto de sua utilidade. O garoto, que chegou como um “10”, hoje joga próximo dos volantes ou até mesmo na linha de ataque. Isso se deve muito aos últimos dois técnicos do Paris. Primeiro Carlo Ancelotti, que o deslocou do centro para os lados, tanto esquerdo, quanto direito, em um 4-4-2 britânico. Mesmo distante da área em muitos momentos, se tornou um bom auxiliar para os laterais, especialmente Christophe Jallet na temporada 2012/2013, que cresceu de rendimento quando teve o argentino como parceiro no lado direito.

Mas foi com Blanc que teve sua utilidade ainda mais destacada. Na maioria das partidas desta temporada, o Hermano atuou como meio-campista, ajudando na marcação, mas qualificando a saída de bola e a transição defesa-ataque. A experiência pelo lado também deu confiança ao técnico francês em escalá-lo como atacante pela esquerda – o famoso left-winger –, função na qual também é muito utilizado e tem rendimento satisfatório.

O gráfico abaixo mostra as posições pelo qual Pastore passou nesta temporada:

Foto: WhoScored

Foto: WhoScored

Sua qualidade é inegável e, nesta temporada, a França se delicia com a classe do argentino, que cada vez mais se firma em Paris. O pezinho direito encantado para os passes e dribles de El Flaco vem dando o clássico requinte parisiense em um time cada vez mais internacional. Pastore é, de forma indubitável, um dos grandes proveitos do PSG nesta temporada de oscilações e polêmicas extracampo.

Regular e decisivo, ele se mantém alheio à instabilidade do time como um todo e faz sua parte. Pastore termina a temporada por cima, como um dos principais atletas da equipe, e muito disso em função do amadurecimento, que lhe trouxe versatilidade e consciência do papel dentro do plantel. Pode ser pouco para justificar a terceira maior contratação da história do clube, mas pode ser o suficiente para trazer o tricampeonato para Paris.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.