Quando a vida vai voltando a ser bela

  • por João Almeida
  • 6 Anos atrás

Não falar do campeonato italiano com uma carga de saudosismo é quase impossível hoje em dia. Ao mencionar o Milan, por exemplo, é inevitável lembrar-se daquele time que tinha Maldini, Nesta, Pirlo, Kaká e Shevchenko –, assim como é inevitável se dar conta que hoje a equipe praticamente gira em torno de um apenas bom jogador como Ménez.

À esquerda, o Milan que há 10 anos atrás enfrentou o Liverpool na final da Champions League; à direita, o Milan que disputou seu último jogo, sábado (25), diante da Udinese

À esquerda, o Milan que há 10 anos atrás enfrentou o Liverpool na final da Champions League; à direita, o Milan que disputou seu último jogo, sábado (25), diante da Udinese

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MILAN 2005

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Lembrar-se do último momento de glória do futebol da Velha Bota remete à Champions League da temporada 2009/10, na qual José Mourinho conduziu brilhantemente uma Inter que tinha Sneijder e Milito em fases ainda mais brilhantes. Isso também acaba por remeter à condição atual do time, que se encontra distante de uma vaga na Liga Europa.

Entretanto, olhar para Juventus, Napoli e Fiorentina é ter noção de que o futuro sempre pode render melhores perspectivas. Ver a hegemonia da Juve pode remeter àquele escândalo de manipulação de resultados que colocou a maior vencedora de scudettos do país na segunda divisão. Hoje, isso contrasta com um time que tem os dois pés no tetracampeonato, que tem um dos melhores meios de campo do mundo e que agora revela grandes promessas e consegue mantê-las.

Pirlo e Vidal, no entanto, são símbolos da sobrevivência italiana, representada no time bianconero (Foto: Reprodução/Site oficial da Juventus)

Pirlo e Vidal, no entanto, são símbolos da sobrevivência italiana, representada pelo time bianconero (Foto: Reprodução/Site oficial da Juventus)

As semifinais da Champions League e da Europa League foram definidas. Na principal competição de clubes do continente, vemos a Vecchia Signora concorrendo com aqueles que são os três principais times do mundo por uma grande margem. No segundo escalão, vemos uma final composta somente por clubes italianos como uma realidade bem possível.

Falar de uma volta por cima apenas pelas disposições das semifinais seria, sem dúvidas, uma pretensão. Mas usá-las como um aviso de que o futebol italiano não está morto é algo necessário. O Calcio caiu, é bem verdade. Atualmente há menos vagas para a Champions e praticamente não vemos protagonistas do futebol mundial por lá. Mas a bonança que segue a tempestade pode vir em um futuro próximo.

Capturar

Há apenas onze anos, o Napoli faliu. Hoje, após algumas boas participações na Liga dos Campeões, está próximo de conquistar um título europeu. Tem uma boa administração e um excelente elenco. A Fiorentina, por sua vez, chega às semis após algumas temporadas como um time de meio de tabela e depois de perder seu principal jogador na última janela. A Roma, eliminada pela própria Viola, agora briga para ser a segunda força do país.

Reitero que ainda é muito cedo para se falar em uma volta por cima. Mas essas semifinais são apenas reflexos de quão surpreendente e mutável o mundo do futebol é. Nesse caso, sem dúvidas, o mundo é um moinho – ou melhor: uma bola.

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