Tiro no pé? Com técnico estrangeiro, São Paulo teria que mudar mentalidade

Foto: AFA Divulgação

Alejandro Sabella foi especulado no São Paulo (Foto: AFA Divulgação)

Sem Muricy Ramalho, o São Paulo está no mercado atrás de um novo comandante. O treinador, tricampeão brasileiro pelo Tricolor Paulista, foi tratar de uma diverticulite e parecia cansado e sem ânimo para suportar o momento político conturbado do clube. A lacuna deixada exige reposição à altura. E o tempo não está muito a favor, já que a Libertadores é prioridade.

O nome mais especulado nos últimos dias tem sido o de Alejandro Sabella, vice-campeão mundial pela Argentina em 2014. Mas o técnico quer trabalhar na Europa, possivelmente na Inglaterra. De qualquer forma, a possibilidade de contratação já foi descartada pelo vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro.

“Eu falei com ele ontem (quarta-feira). Na verdade, ele pediria mais tempo para a gente esperar. Ele falou desde o começo que não teria uma resposta rápida. Então, foi melhor assim. Para os dois lados. Ele quer uma vaga lá na Europa, no Campeonato Inglês. Então, não teria como dar uma resposta muito rápida sobre isso”, concluiu o dirigente.

A questão é que a chegada ou não de um treinador estrangeiro não seria garantia de solução dos problemas são-paulinos, pelo contrário.Teria muita chance de dar errado, pois seria contratado mais pelo histórico recente vitorioso do que por uma possível vontade do São Paulo em apostar em ideias novas, talvez até uma filosofia bem diferente do que está acostumado.

Quem garante que, em meio às várias polêmicas que a diretoria parece fazer questão de alimentar, a falta de conhecimento do elenco (certamente, ele não acompanha os jogos do São Paulo) e a pressão por resultados logo de cara não comprometeriam totalmente o trabalho do argentino?

Podemos pegar o exemplo recente de Ricardo Gareca no Palmeiras. Chegou, não teve muito tempo para conhecer o elenco e nem para implantar sua filosofia de trabalho em um mercado bem diferente do que já havia trabalhado e foi derrubado pela pressão por resultados. Faltou paciência, tempo e força de vontade em mudar, melhorar, procurar evoluir.

Ainda somos um povo xenofóbico em matéria de treinadores de futebol, que desconfia do que vem de longe, de outro país, só porque é diferente. Aqui, ser diferente não é tratado como normal. O futebol brasileiro precisa mudar a mentalidade antes de receber profissionais estrangeiros para trabalhar em terras tupiniquins. Caso contrário, será sempre mais do mesmo: um tiro no escuro, que acaba acertando o próprio pé.

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Aspirante a jornalista esportivo e fã de futebol internacional, principalmente Premier League. Adepto da seguinte tese: todo jornalista precisa ser um bom contador de histórias. Sonhador, mas pouco otimista. Olhar crítico e com critério. Abomino paradigmas e modinhas.