Um coro que se ergue

  • por Victor Gandra Quintas
  • 6 Anos atrás

A vida não é simples para o futebol italiano. Há mais ou menos nove anos, o país amarga um declínio no esporte que não condiz com sua história.

Desde o título mundial em 2006, quando Cannavaro, merecidamente, levantou a taça, os torcedores da Azzurra sofrem com sua seleção. E, para piorar, com seus clubes. Este foi o período do Calciocaos, que marcou para sempre um dos maiores campeonatos do mundo da bola.

Foto: Site oficial - O time preparado para o jogo contra o Borussia Dortmund.

Foto: Site oficial – O time preparado para o jogo contra o Borussia Dortmund.

No entanto, aquele desastre, que algumas vezes ameaçou retornar, parece estar virando história. Foi um período amargo e de dúvidas, no qual o futebol italiano sofreu com suas próprias dificuldades. Estádios defasados com gramados ruins, corrupção, falta de planejamento, dirigentes acomodados, pouco investimento estrangeiro, crise da arbitragem, preconceito de torcidas… Embora algumas destas questões ainda estejam presentes, o futebol italiano está vivo, ele ainda respira.

A presença de três clubes da Bota entre os semifinalistas dos dois maiores torneios da Europa é um alívio gigante para aqueles que acompanham o esporte no país. Napoli, Fiorentina e Juventus demonstram que as coisas em casa têm se arrumado e, aos poucos, o respeito vai retornando. A situação ainda está longe de ser perfeita, mas as mudanças têm sido positivas.

Foto: Site oficial - Pereyra (em pé), Tevez e Morata.

Foto: Site oficial – Pereyra (em pé), Tevez e Morata.

Talvez seja a Juventus a principal responsável por esse bom momento.

https://www.youtube.com/watch?v=jt36uiJCxZo

Desde que foi à final na temporada 2002-03, o time de Turim não chegava tão longe na Liga dos Campeões. Algumas boas equipes foram montadas neste período, mas nenhuma conseguiu tanto. Mantendo-se firme diante dos problemas que enfrentou, firmou-se como a potência máxima da Itália nos últimos anos, conquistando scudettos depois de scudettos, mas, ainda assim, falhando na competição continental.

O Calcio, como é chamado o futebol na Itália, não é dos mais fortes do velho continente, e com isso a Velha Senhora sempre sentia o peso ao enfrentar equipes de outros países. Em alguns jogos contra grandes potências, como o Bayern há duas temporadas, conseguiu mostrar um futebol digno, mas diante de outras teoricamente inferiores, sucumbia e perdia pontos. A inconstância foi marca do time. Antônio Conte, até então o treinador, ajudara a Juventus a reconquistar seu orgulho e respeito, mas ainda faltava alguma coisa. Faltava crescer diante da Europa.

E foi com a saída de Conte para a Seleção que isto aconteceu. Muito contestado em sua chegada, Massimiliano Allegri assumiu o lugar do ex-jogador no comando bianconeri e mudou o estilo de jogo, que se tornou mais agressivo e menos pragmático.

Foto: Site oficial - Massimiliano Allegri, o substituto de Antonio Conte.

Foto: Site oficial – Massimiliano Allegri, o substituto de Antonio Conte.

Na atual temporada, com 15 pontos à frente do segundo colocado no Calcio, a Juventus chega para as semifinais da Liga dos Campeões um pouco mais tranquila. Time para um bom futebol tem, mas sabemos que enfrentar o atual campeão, Real Madrid, que possui o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, e ainda conta com um treinador que conhece bem a Juventus, Carlo Ancelotti, não será nada fácil. Na verdade, será bastante complicado.

Mas engana-se quem diz que os merengues já estão classificados para a final. A Juventus tem um time coeso e bem organizado, com nomes que seriam titulares em várias equipes do mundo, como Buffon, Chiellini, Vidal, Pirlo, Pogba e Tévez.

Foto: Site oficial - Carlitos Tevez.

Foto: Site oficial – Carlitos Tevez.

Aliás, o atacante argentino é o exemplo perfeito da nova cara da Juventus e assumiu com facilidade a posição de craque do time. O meio-campo é, talvez, o melhor setor, tendo em Pirlo, o maestro, sua referência, mas também com as boas fases de Vidal, Marchisio e Pereyra. Não citar Pogba seria uma afronta, já que o craque francês é um diferencial, mas ainda não está garantido nos próximos duelos por conta de sua lesão.

Foto: Site oficial - Vidal e Pirlo, pilares do meio-campo Bianconeri.

Foto: Site oficial – Vidal e Pirlo, pilares do meio-campo Bianconeri.

Soma-se a isso a temporada iluminada de Buffon. Mesmo aos 37 anos, o goleiro tem deixado claro porque é considerado por muitos como o melhor de todos os tempos em sua posição. E Morata! O atacante espanhol, oriundo do próximo rival, contratado a “peso de ouro”, chegou à Juventus conferindo o mesmo sentimento desagradável que seu treinador aos torcedores, mas provando-se da mesma forma, com sua participação voluntariosa e eficiente no ataque do time.

Foto: Site oficial - Buffon, para muitos o melhor goleiro de todos os tempos.

Foto: Site oficial – Buffon, para muitos o melhor goleiro de todos os tempos.

Juventus e Real Madrid têm tudo para fazer um confronto dos mais memoráveis da história da Liga. A Juventus pode até não chegar à final em Berlim, mas certamente experimenta um orgulho grande por superar a crise que assola o futebol do país.

Os italianos, mesmo torcedores de outras equipes, têm motivo para adorar este final de temporada, com a posição do trio Napoli, Fiorentina e Juventus. E como no hino desse último, é um coro que se ergue, o sinal de boas novas para o futebol Italiano.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).