Uma homenagem a Hitzfeld e Heynckes

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás
Foto: Site Oficial do Bayern de Munich | Contra o Porto, Bayern foi menos Guardiola e mais Hitzfeld e Heynckes

Foto: Site Oficial do Bayern de Munich | Contra o Porto, Bayern foi menos Guardiola e mais Hitzfeld e Heynckes

Jupp Heynckes construiu um Bayern muito dinâmico e completo cuja peça-chave era Bastian Schweinsteiger. O volante alemão era o “todo-campista” daquele time, o meio-campista que se dividia por todo o campo. Era o homem que garantia segurança à saída de bola, subia para construir ataques na diagonal e aproveitava um “espaço livre” na zona do camisa 10 criado pela mobilidade de Toni Kroos, o enganche.

O projeto Heynckes-Schweinsteiger falhou na primeira tentativa. Em 2011/2012, os bávaros perderam Campeonato e Copa da Alemanha para o Borussia Dortmund e caíram tragicamente na final da Liga dos Campeões para o Chelsea, em plena Allianz Arena. No entanto, o que se viu na temporada seguinte foi o surgimento de uma das maiores potências do século. O segundo Bayern daquele carismático treinador alemão não teve piedade dos adversários. O estilo de jogo honrava as raízes do futebol nacional, com muita força física no meio-campo, transições efetivas e cruzamentos eficientes à área, mas também priorizava a habilidade de seus pontas e a técnica de seus meias. O auge foi a esmagadora goleada na semifinal de UCL contra o Barcelona, por 7 a 0 na soma do resultado. Ao final da campanha, o Bayern ganhou três dos três títulos possíveis e Heynckes deu lugar a Guardiola no comando técnico.

Foto: Site Oficial do Bayern de Munich | Jupp Heynckes e as taças da temporada 2012/2013

Foto: Site Oficial do Bayern de Munich | Jupp Heynckes e as taças da temporada 2012/2013

Guardiola ficou famoso pelo grande Barcelona que comandou. O Barça do tiki-taka, da posse de bola, dos toques curtos. Não tardou até o catalão implantar esse estilo de jogo na Baviera. Passados quase dois anos desde que Pep assumiu o Bayern, a equipe alemã em âmbito doméstico não falha e encaminha o tricampeonato, o segundo com o espanhol. Porém, na Europa, ainda segue à caça da famosa taça da Champions. Na noite dessa terça-feira, pelas quartas de final, o pentacampeão europeu entrou em seu domínio para uma árdua tarefa: reverter o resultado adverso do jogo de ida, quando perdeu para o Porto por 3×1.

Sem Alaba, Schweinsteiger, Ribery e Robben, Guardiola resolveu homenagear o produto mais clássico da história do Bayern de Munich. O espanhol deixou o 4-3-3 de lado e partiu para um 4-4-2. Os torcedores que foram à Allianz Arena pareciam estar presentes no antigo Olímpico de Munich para assistir ao Bayern do ciclo de Effenberg, Kahn, Scholl, Lizarazu e Elber. Por uma noite, Guardiola emulou Otmar Hitzfeld e Jupp Heynckes, dois dos maiores treinadores da história do clube de Munique.

Foto: Site Oficial do Bayern de Munique | Guardiola comemora mais uma goleada de seu Bayern, em versão predador

Foto: Site Oficial do Bayern de Munique | Guardiola comemora mais uma goleada de seu Bayern, em versão predador

O gol de Thiago, logo no início, indicava o que viria pela frente. Os primeiros 45 minutos foram de inferno total à equipe treinada por Julien Lopotegui. O Bayern apático e insosso da visita ao estádio do Dragão deu lugar a um Bayern agressivo e predador, um Bayern verdadeiramente alemão. Com Lahm partindo da ponta, os bávaros abriram corretamente o campo e encheram a área portuguesa de cruzamentos pelo alto. Não à toa, os três primeiros gols foram anotados após bola área. Sorria o velho Hitzfeld. A posse de bola não foi utilizada para controlar, e sim para verticalizar, com ataques diretos e objetivos. Sorria o velho Heynckes.

A marcação sufocante à frente não deu espaços para o Porto sair jogando. Dessa forma, com o trio de meio-campo inativo, Quaresma e Jackson Martinez, dois protagonistas do jogo de ida, foram automaticamente anulados. O débil trabalho do meio português permitiu a Thiago Alcântara se exibir. Livre para conduzir bolas, o hispano-brasileiro foi sublime na primeira etapa, se movimentando por toda parte do campo ofensivo e sempre próximo de onde a bola estava. No ataque, o onipresente Müller e o excelente Lewandowski venceram praticamente todos os embates individuais com a dupla de zaga lusitana.

Foto: Site Oficial do Bayern de Munich | Ottmar Hitzfeld e Oliver Kahn, campeões da Liga dos Campeões 2000/2001

Foto: Site Oficial do Bayern de Munich | Ottmar Hitzfeld e Oliver Kahn, campeões da Liga dos Campeões 2000/2001

O 6×1 não deixa de surpreender. Contra uma boa e bela equipe, o Bayern passou por cima sem piedade, como era costume há duas temporadas. Na noite mais alemã de Josep Guardiola, os bávaros ratificam: quem vier, vai ser encarado de frente. E como.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.