Cobresal conquista o Chile pela primeira vez

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: cdcobresal - Jogadores levantando a taça

Foto: cdcobresal – Jogadores levantando a taça

No último domingo, foi disputada a última rodada do Clausura no Chile, que foi marcada mais pela luta contra o rebaixamento do que pela parte de cima da tabela. O Cobresal já havia garantido o título no último final de semana, com uma rodada de antecedência, quando venceu o Barnechea por 3×2 e, graças ao tropeço da vice-líder Universidad Católica, não pôde mais ser alcançado na primeira colocação. Fundado em 1979, los Mineros, como são conhecidos, conquistaram o primeiro título nacional em seus 35 anos de história.

Com o empate no domingo por 1×1 com a Unión Española, o Cobresal chegou a 34 pontos, com 10 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. Los Mineros tiveram um ataque eficiente com 29 gols marcados e a segunda melhor defesa da competição com apenas 20 tentos sofridos.

O clube não só conseguiu o primeiro título nacional de sua história, como também deu um pouco de alegria ao norte do país em um dos momentos mais difíceis de sua história. Isso porque, em março, a zona foi atingida por uma terrível enchente, que deixou mais de 25 mortos e 2.071 casas destruídas. E essa foi também apenas a segunda vez que um clube do Norte conquista o campeonato nacional, o que só aumenta o feito dos Mineros.

Um pouco de história e curiosidade

O Club de Deportes Cobresal foi fundado em 1979 e, desde então, quase sempre teve que conviver com a briga contra o descenso, o que não o impediu de ter alguns momentos de glórias, como quando disputou a Copa Libertadores de 1986. Em 1989, com apenas nove anos de existência, o Cobresal enfrentou a Universidad de Chile pelo campeonato nacional e, com um empate em 2×2 no estádio Nacional, selou o rebaixamento de um os maiores clubes do país para a segunda divisão.

Mesmo não sendo considerado um clube grande, de tradição, o Cobresal também tem seus feitos fora das fronteiras do país. Na Copa Libertadores de 1986, num grupo que contava com Universidad Católica, América de Cali e Deportivo Cali, o time somou apenas uma vitória e cinco empates. Apesar de não ter sequer passado de fase, até hoje, é o único clube invicto na história da Libertadores em suas 56 edições.

Clube de pouca expressão no Chile, o Cobresal pode se gabar também de ser o responsável por formar e revelar Iván Zamorano, um dos maiores jogadores do país. Em 1987, vencendo o Colo Colo na final por 2×0, Los Mineros conquistaram a Copa Chile, com direito a gol de Zamorano, que apenas começava sua vitoriosa carreira. Após defender a camisa Albinaranjas, o atleta teve passagens por Real Madrid, Sevilla e Inter de Milão, além de defender as cores da seleção chilena, do qual é o segundo maior artilheiro com 34 gols marcados.

A conquista do Cobresal também deixou outra curiosidade: pela primeira vez desde 1954-59, em seis torneios seguidos, temos campeões diferentes. Os seis últimos campeões foram, além do Cobresal, Huachipato, Unión Española, O’higgins, Colo Colo e Universidad de Chile. Isso só demonstra como o campeonato tem sido equilibrado nas últimas temporadas e como os considerados grandes não conseguem mais tanta facilidade como em temporadas anteriores.

Da luta contra o descenso ao título

Em outubro de 2014, Dalcio Giovagnoli foi contratado para assumir o comando técnico do Cobresal, substituindo Nestor Cantillana. Sua missão era bem simples: salvar o clube do rebaixamento. Antes de chegar a El Salvador, Giovagnoli já tinha treinado o Belgrano na Argentina e o Ranger no próprio Chile. A estreia foi na 13ª rodada do Apertura, na derrota por 1×0 para o Colo Colo. Mas nos quatro jogos restantes, o time venceu três, chegou aos 17 pontos e fugiu do rebaixamento.

Foto: cdcobresal - Jogadores na foto do jogo do título

Foto: cdcobresal – Jogadores na foto do jogo do título

Com a chegada de 2015, todos achavam que o elenco seria renovado e que contratações seriam feitas aos montes. Mas a diretoria, com os pés no chão, resolveu apostar no plantel e anunciou apenas três reforços, enquanto quatro jogadores deixaram o clube. O maior acerto na ocasião foi a manutenção do argentino Dalcio Giovagnoli no comando técnico.

Sebastián Zuñiga, Federico Martorell e Augusto Alvarez foram as três contratações do início do ano. O primeiro foi adquirido junto a Universidad de Chile, enquanto o segundo veio do Deportivo Santamarina e o terceiro chegou do Sol de América, do Paraguai. Nenhum deles conseguiu vaga como titular absoluto, o que mostra que o grande feito foi conquistado pelos jogadores do elenco que quase foi rebaixado.

O 4-3-3 foi o esquema utilizado na maior parte do Campeonato. O time considerado titular teve o experiente Nicolás Peric no gol; Patricio Jerez, Federico Martorell, Escalona e Sánchez formaram o sistema defensivo; Mino, Rodrigo Ureña e Johan Fuentes formaram a trinca titular no meio-campo; e na frente, Escobar, Donoso e Cantero eram os responsáveis pelos gols.

Mas vale ressaltar que Giovagnoli não foi preso a um único esquema de jogo. Seja no intervalo ou em específico para alguns jogos, foi comum ver o 4-4-2 ser adotado para reforçar o meio-campo. O mais comum era a saída de Escobar para a entrada de Zuñiga, para melhorar a troca de passes e a recomposição defensiva.

Nesse time, algumas figuras merecem ser destacadas, como é o caso de Matías Donoso, que está no clube desde 2014, mas só agora conseguiu deslanchar. Em 2014, entrou em campo em 19 oportunidades e marcou apenas cinco tentos. Em 2015 já foram 15 jogos disputados e nove gols marcados, pleiteando tento a tento a artilharia do Clausura.

A dupla Rodrigo Ureña e Fuentes também é digna de ser lembrada. O primeiro, responsável pela marcação, é peça-chave na equipe. Com seus 22 anos, conseguiu se reerguer após não se destacar na Universidad de Chile em 2013. Mesmo novo, Ureña conseguiu ser um dos pilares na conquista do time. Enquanto isso, Fuentes foi o grande responsável pela criação e por ditar o ritmo do time. Aos 31 anos, o meia chileno chamou para si a responsabilidade e, com duas assistências e dois gols, foi um dos nomes da equipe minera.

Agora, resta saber se a diretoria vai manter o elenco para a próxima temporada, visando continuar disputando o Apertura na parte de cima da tabela, ou se vai ceder ao mercado e vender seus principais destaques.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.