Da desconfiança ao bicampeonato

  • por Levy Guimarães
  • 6 Anos atrás
Foto: SL Benfica / Oficial

Foto: SL Benfica / Oficial

Dúvidas, incertezas, desilusões, desmanche. Esses eram alguns dos sentimentos que pulsavam entre os benfiquistas ao início da temporada 2014/2015. Após um 2013/2014 inesquecível, o fortíssimo time montado àquela altura se desfazia com a saída de seis titulares. Aos remanescentes, se juntavam jogadores que pouco inspiravam confiança, como Eliseu, Derley e César, além de apostas incertas como um Júlio César desmoralizado após a Copa do Mundo e um Jonas que acabara de rescindir com o Valencia. E para piorar, uma pré-temporada desastrosa, com direito a 5×1 contra o Arsenal, além de derrotas para Valencia, Ajax, Athletic Bilbao e Sporting.

Enquanto isso, no Norte do país, um verdadeiro esquadrão parecia se formar para recuperar a hegemonia do futebol da terrinha. Em um dos maiores investimentos da história do futebol português, chegavam ao Porto Brahimi, Óliver Torres, Bruno Martins Indi, Casemiro, Tello e Adrián, todos jogadores bem cotados no cenário europeu, além de um promissor Julien Lopetegui, que vinha de um belo trabalho pelas seleções de base da Espanha. Com uma pré-temporada sólida e uma eliminatória de Liga dos Campeões convincente contra o Lille, surgia, por quase unanimidade, o favorito à conquista do Campeonato Português que estava para começar.

As primeiras rodadas confirmavam a tendência. Apesar de próximos na pontuação, o Porto apresentava um jogo intenso, de muito toque de bola e marcação sufocante nos 90 minutos, enquanto o Benfica, ainda perdido, se escorava no talento de Nico Gaitán e na sensação Anderson Talisca para se manter no topo da tabela. Os Dragões, apesar de alguns deslizes como no derby em casa contra o Boavista, pareciam mais convincentes e davam pinta de que sustentariam aquele ritmo por mais tempo. É aí que entra a figura de Jorge Jesus, que mais uma vez teve de provar a sua capacidade de montar e remontar equipes competitivas.

Foto: SL Benfica / Oficial - Caso conquiste a Taça da Liga, no dia 29, contra o Marítimo, Jorge Jesus terá conquistado 6 das últimas 8 competições nacionais disputadas

Foto: SL Benfica / Oficial – Caso conquiste a Taça da Liga, no dia 29, contra o Marítimo, Jorge Jesus terá conquistado 6 das últimas 8 competições nacionais disputadas

E foi em dezembro que a situação começou a mudar para o lado dos Encarnados. A consolidação de Jonas como peça fundamental do ataque já mostrava resultados, incrementando não só os números, como o nível de atuação do time devido à ótima técnica e movimentação do brasileiro. Além disso, a defesa ia se encaixando com a afirmação de Júlio César e da dupla Luisão e Jardel, bem protegidos pelo grego Samaris e por linhas cada vez mais compactas. A prova definitiva veio no temido clássico contra o arquirrival no Estádio do Dragão: um 2×0 irretocável, que mostrou um Benfica intenso na marcação e fatal no ataque, com Lima voltando a ser decisivo contra o Porto.

A partir daí, seis pontos de vantagem e uma equipe cada vez mais confiante. Nem mesmo a venda de Enzo Pérez em janeiro, a lesão de Gaitán no começo do ano e a queda de rendimento de Talisca frearam o crescimento do time da capital. A incansável dupla Jonas e Lima, que juntos anotaram 35 gols até a penúltima rodada, davam ao lado de Salvio e de Pizzi (o grande achado de Jorge Jesus na temporada, que de meia-atacante foi transformado em armador) o dinamismo que fazia lembrar o Benfica de temporadas passadas – se não pelo brilhantismo técnico, pela velocidade, verticalidade e pela rápida transição ofensiva.

Foto: SL Benfica / Oficial - Desde que se firmou como titular, Jonas assumiu o protagonimo no Benfica e é vice-artilheiro do campeonato

Foto: SL Benfica / Oficial – Desde que se firmou como titular, Jonas assumiu o protagonimo no Benfica e é vice-artilheiro do campeonato

Esse é o 34º título português do Benfica, o terceiro comandado por Jesus e certamente o mais representativo deles. Afinal, há 31 anos o time vermelho não era bicampeão nacional. Enquanto ao longo desse tempo os portugueses assistiram a um longo domínio portista, com o atual técnico benfiquista o cenário tem mudado: em seis anos, são três títulos para cada lado, em campeonatos quase sempre acirrados. E com um treinador que a cada ano prova conhecer muito bem o caminho das pedras no futebol lusitano, podemos esperar um Benfica forte para buscar novas conquistas.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.