Filosofia ou títulos? Guardiola merece ser contestado

  • por Tiago Lima Domingos
  • 4 Anos atrás
guardiola barcelona

Nos céus. Guardiola é jogado pro alto após conquistar sua segunda Champions League com o Barcelona

Guardiola é possivelmente o melhor treinador do mundo, e se não for, está entre os melhores. Não é preciso ficar aqui falando de seus méritos na carreira, afinal ninguém ganha 19 títulos em apenas seis anos à toa.

Guardiola revolucionou o futebol, montou um Barcelona devastante, com um estilo de jogo único, que encantou o mundo. Fez de Messi falso 9, criou um monstro. Deixou o clube tendo ganho todos os títulos possíveis. Ali, era inquestionável: era o melhor treinador do mundo. Com sobras.

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Tirou um ano sabático para descansar, se reciclar. Na volta, poderia escolher a equipe que quisesse e assim o fez.

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Um ano fora dos holofotes e Pep Guardiola escolheu nada menos que o Bayern de Munique, de Jupp Heynckes, campeão de tudo na temporada 2012-13. O anúncio da contratação de Guardiola pelo Bayern foi um choque. Como seria possível parar a melhor equipe do mundo com o melhor treinador do mundo? Na época, a Alemanha já era tida como grande força mundial, o que viria a se concretizar com o título da Copa do Mundo aqui no Brasil. O Bayern era nada menos que a base campeã mundial. Era esse o legado deixado ao treinador espanhol.

guardiola

Guardiola em sua chegada ao Bayern: promessa de um futebol bonito e títulos

Quase duas temporadas depois devemos cravar: Pep Guardiola fracassou. Implantou sua filosofia de jogo, mas não venceu. Ser campeão da Bundesliga enfraquecendo o maior rival na disputa pelo título é mais que obrigação. A grife, o nome, Guardiola, é contratado para conquistar mais, para conquistar tudo. Caso contrário sua temporada será um fracasso. Pep foi contratado para repetir Jupp Heynckes, que em duas temporadas ganhou tudo o que pode. Não conseguiu. Caiu duas vezes de forma melancólica em sua própria casa, hoje menos dolorido que os 4×0 enfiados pelo Real Madrid na temporada passada.

https://www.youtube.com/watch?v=LzlVmU2hqKc

Aliás, é preciso ressaltar o fraco desempenho do Bayern de Guardiola nas duas semifinais de Liga dos Campeões com o treinador. Em 4 jogos, Guardiola marcou apenas 3 gols (os 3 de hoje contra o Barcelona), sofreu 10 e só venceu uma (os 3×2 de hoje contra o mesmo Barcelona), perdendo as outras três. Desempenho pífio justamente quando confrontados contra equipes de sua altura.

https://www.youtube.com/watch?v=3m7Qnvv5TOw

Guardiola chega ao fim de duas temporadas no Bayern com dois títulos da Bundesliga e uma Copa da Alemanha. Também ganhou a Supercopa da Europa e o Mundial de Clubes, títulos conquistados herdando as conquistas de Jupp Heynckes em sua despedida. Perdeu duas Supercopas da Alemanha para o Borussia Dortmund, além da Copa da Alemanha para o mesmo Dortmund nessa temporada.

Jupp Heynckes und die drei Trophäen, die der FC Bayern in dieser Saison gewonnen hat. Foto: Marc Müller

Heynckes posa com a Tríplice Coroa da temporada 2012-13

Heynckes em dois anos fez mais que Pep. Chegou a duas finais de Liga dos Campeões, tendo perdido a primeira nos pênaltis após levar o empate nos últimos minutos e ver ainda Robben perder pênalti na prorrogação. Levou um time arrasado psicologicamente por ter sido vice-campeão de tudo em 2012 a conquistar tudo que havia perdido em 2013.

Para ganhar uma Bundesliga sem rivais bastava pegar um técnico qualquer ali na esquina. Pep Guardiola chegou para enfrentar um desafio enorme, tão enorme quanto suas qualidades: repetir Jupp Heynckes. Escolheu a dedo seus jogadores. Enfraqueceu o maior rival tirando-lhe Götze e Lewandowski, trouxe Thiago Alcântara. Montou o melhor elenco do planeta, mas nada disso parece ter sido suficiente.

A cobrança sobre Guardiola deve ser do tamanho de seu potencial. Por isso, Guardiola merece ser contestado. O Bayern precisa escolher. Filosofia ou títulos?

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.