Luka Modric, a peça-chave do Real Madrid

  • por Israel Oliveira
  • 4 Anos atrás

MODRIC PEÇA-CHAVE REAL 2015

Infelizmente, há jogadores que só recebem seu devido valor coletivo e individual quando presentes no estaleiro. Luka Modrić é um belo exemplo. Quanto mais tempo o croata fica fora, maior e mais aparente fica o vácuo de sua ausência, assim como escancarada a estrutura madrilenha debilitada sem seu regista.

Contingência inerente a qualquer esporte coletivo de alto nível,  as principais peças sempre estão sujeitas a lesões e períodos de inatividade, e nisso entra a importância do plantel,  que deve possuir ferramentas que, pelo menos, possam mitigar a perda de uma engrenagem vital. Tudo indica que o Real Madrid de Ancelotti não se deu conta de quanto Modrić é importante, se preocupando apenas em vender e comprar jogadores na zona ofensiva.

Após um começo de temporada confuso e lento, os merengues finalmente haviam encontrado sua melhor versão, em que Modrić era o motor técnico e tático. Sua agilidade sempre garantiu uma saída de bola competente, com seus giros e inversões rápidas para os flancos, além de sua movimentação intensa, oferecendo suporte para Toni Kroos. Com o roubo de bola alto, sempre permitiu ao Real Madrid ser protagonista, permanecer no campo ofensivo, sobretudo em jogos contra o Barcelona.

No time que, até então, apresentava o melhor futebol da temporada, momento em que a sequência de vitórias havia engrenado, Luka Modrić era sua alma. Jogos como contra o Barcelona no Santiago Bernabéu e Liverpool na Liga dos Campeões mostravam um Real Madrid além do contra-ataque: Toni Kroos e Luka Modric combinavam pra 125 passes por jogo, com mais de 92% de aproveitamento, exercendo controle e superioridade na meia cancha.

O toque rápido e precisão nos passes neutralizavam qualquer marcação pressão.

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Primeira interrupção, sinais da dependência do Real:

Ao sair lesionado em jogo contra a Itália nas Eliminatórias para a Eurocopa, a solução se desenhou simples e Carlo Ancelotti a utilizou: aproveitando o excelente momento de Isco, que perdera a titularidade para Gareth Bale (que retornava de lesão), o treinador promoveu o espanhol para a antiga função de Luka. Da meia-esquerda, Isco passou a atuar um passo atrás , na meia central, porém, tendo também a missão de recuar para fazer a saída de bola.

As vitórias foram saindo, mas muitos resultados foram enganosos – sem Modrić o Real Madrid não era mais tão dominante quanto foi em Novembro. Diante do Celta, sofreu com o toque de bola do time de Berizzo e precisou de uma mãozinha da arbitragem para encaminhar um bom placar. Contra o chato Málaga, lances inesperados resolveram o complicado jogo em La Rosaleda. No Mundial de Clubes, apresentações modestas, nada de show como manda a cartilha dada a superioridade técnica em comparação aos rivais.

ISCO ALARCÓN

Isco tem seu melhor futebol a partir de sua individualidade do um contra um, não em função de distribuição e armação recuada, e não apresentou qualidades de organização e flexibilidade na recomposição, requisitos que definem o regista croata.

No mais novo teste da nova formação, cenário que se repetiria mais vezes na temporada. Isco teve dificuldades de transitar do meio para o ataque, e Toni Kroos ficou sem suporte, sofrendo com a marcação pressão do Valência.

O alemão não tem 1/3 da habilidade do croata em fugir da marcação, trata-se de um jogador meio “cintura dura”. Recuperando a bola rapidamente, os chés se aproveitaram com competência das costas do germânico, não devidamente cobertas por James-Isco.

Numa sequência avassaladora de confrontos contra o Atlético de Madrid, os colchoneros dominaram o derbi com soberania. Sem ideias, toques rápidos e infiltrações a partir da condução de bola, o Real Madrid pouco ameaçou a sólida defesa dos comandados de Simeone. Com imensa tranquilidade, o poderoso BBC e demais estrelas blancas foram neutralizadas. A única arma apresentada pelo Real foi a bola parada, devidamente barrada pelas torres gêmeas inimigas.

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Nenhum substituto à altura:

Com a lesão de James Rodriguez, o recém contratado Lucas Silva foi colocado emergencialmente no time titular, devido a falta de confiança de Ancelotti com Illarramendi e Khedira. Tímido, travado e lento, o brasileiro logo amargurou o banco, e assim como Illarra, foi um grande ponto morto da equipe, demorando para executar jogadas e com dificuldade para sair do desconfortante passe lateral.  O basco acabou ganhando a titularidade, mas o time seguia previsível e sem padrão algum.

Desenho tático do Madrid com Sergio Ramos improvisado no meio.  Imagem: Taticamente Falando

Desenho tático do Madrid com Sergio Ramos improvisado no meio.
Imagem: Taticamente Falando

A improvisação de Sergio Ramos no meio campo, na faixa que seria ocupada por Luka, escancara a montagem deficiente do milionário plantel madridista. Não há sequer um jogador que possa cumprir minimamente bem a função executada por Luka Modrić.

https://www.youtube.com/watch?v=Irgub1xg4hg

Ramos teve colaboração importante na bola área, mas fora de posição, sofreu para ajudar Toni Kroos defensivamente, e pouco acrescentou ofensivamente.  Deficiência essa que ficou nítida contra a Juventus, em Turim. A Juventus apostou tudo em uma marcação agressiva e forte a partir do meio-campo, e nesse contexto o herói da décima facilmente foi desconstruído. O time italiano pouco deu espaço para Ramos progredir (além do que, o espanhol não tem essa habilidade) e perturbou ao máximo suas ações, resultando numa overdose de bolas pessimamente  atravessadas. Contra um adversário de maior nível, que se prestou a marcar a saída de bola, o Real Madrid implorou por Luka Modrić . Novamente, faltou infiltração, condução e movimento, e com o bom encaixe do time italiano, só bola na área no segundo tempo. A opinião pública criticou duramente Ramos e Ancelotti pela escolha, deliberadamente prejudicial ao modelo do time, algo que o jogo não pedia.

El País

Chamada do “El País” resume as críticas a improvisação feita por Ancelotti.

 

Completando o final da temporada, Luka Modric terá disputado menos de 50% dos jogos do Real Madrid na temporada. O desempenho irregular do Real sem o croata escancara a fraqueza do esquema do Ancelotti, assim como o elenco desnivelado (principalmente em termos de enfrentar equipes mais qualificadas).

https://www.youtube.com/watch?v=hgezE87S5g0

A presença do croata faz todo seus arredores crescerem: o lateral é acionado com mais frequência, o zagueiro que tem um meio-campo mais protetor, os meias possuem opções mais amplas de passe e o atacante que tem espaço para o confronto mano-a-mano. Poucos jogadores no mundo são tão influentes como ele, dada suas características; passe rápido, habilidade para levar a equipe para frente e flexibilidade para compor diversas etapas do jogo. Os galáticos tendem morrer na praia (Espanhol quase perdido, Liga dos Campeões em situação adversa e eliminação na Copa do Rei) não somente por um Cristiano Ronaldo atordoado, ou por um Gareth Bale inexistente, mas principalmente por falta daquele cara que nas comparações de estrelas no começo do ano sequer aparecia. 

Luka Modrić é peça-chave para fazer o Real Madrid de Carlo Ancelotti jogar seu melhor futebol.

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