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O que há de bom e a evolução que poderá ocorrer na Inter de Milão

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Contratação de Roberto Mancini já significou uma evolução do clube italiano (Foto: Divulgação/Site Internazionale)

Inserida entre os clubes de futebol mais vencedores e admirados do mundo, a Inter de Milão vive um período de fracassos desde a temporada 2010/11, quando conquistou seu último título, a Copa da Itália. Naquele ano, inclusive, a campanha do time no Campeonato Italiano também foi positiva (vice-campeão), apesar de já ter começado a dar sinais que dias ruins estavam por vir se não acontecesse uma reestruturação rápida.

Nas temporadas seguintes, porém, os Nerazzurri tornaram-se irreconhecíveis e, sempre com times limitados, não tiveram mais forças para se manter entre os maiores da Europa. De 2012 para cá, só realizaram campanhas terríveis na Serie A italiana: 6º posição em 2012, 9º em 2013, 5º em 2014 e estão na 8º colocação na atual temporada (só falta uma rodada para o fim do campeonato). Por competições europeias, nunca mais chegaram às quartas de final, o que é a mesma coisa que nada para quem foi campeão da Champions League em 2009/10.

Contudo, não há dúvidas de que o primeiro grande passo dado pelo presidente do clube, o indonésio Erick Thohir, para resgatar o prestígio da instituição aconteceu em novembro de 2014, com a contratação do técnico Roberto Mancini. Mancini pode não ter retornado à Inter com reconhecimento de melhor treinador do mundo (e sem jogadores de alto nível, talvez nem o melhor técnico do mundo traria resultados de imediato). Mas o italiano trouxe, indiscutivelmente, respeito, identificação vitoriosa com o clube/país/liga e experiência internacional, além de seu conhecimento como treinador, sua única qualidade que pode ser discutida. É, para mim, um profissional capacitado para liderar o projeto de reestruturação.

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Meia Kovacic é um dos destaques do atual elenco nerazzurri (Foto: Divulgação/Site Internazionale)

Partindo para o campo, há pontos positivos no atual elenco que, uma vez incorporados aos prováveis bons reforços que podem chegar (e que fazem parte do novo projeto de Thohir), são mais do que capazes de reerguer a Inter de Milão e torná-la competitiva. Inicialmente, deve priorizar a melhora no cenário doméstico, já em 2015/16, e depois dar sequência à evolução para voltar a ser grande também no território europeu nos anos seguintes.

O meio-campo comandado por Mancini, por exemplo, já é interessante e pode se tornar ainda mais forte. Levando em consideração a habitual formação 4-3-1-2, hoje o setor possui um marcador nato, que é o volante chileno Gary Medel, e, atuando um pouco à frente, um meia que é muito habilidoso, objetivo com a bola nos pés e rápido quando precisa ser, o croata Mateo Kovacic. Em março deste ano, aliás, um diretor do Barcelona foi para a Itália para conversar sobre uma possível contratação do atleta de 20 anos. Na época, os italianos disseram que Kovacic não sairia por menos de 40 milhões de euros.

Aliás, há um ponto importante nesse aspecto da negociação, e que envolve também, claro que aos poucos, o retorno do poder do futebol italiano no mercado de transferências. A Inter de Milão soube bater o pé e se valorizar diante de um Barcelona muito mais rico (484.6 milhões de euros dos espanhóis contra 164 milhões de euros dos italianos) e que disputa uma liga mais valorizada.

Outro bom meio-campo do elenco é Fredy Guarín, rápido com a bola e inteligente nos passes e lançamentos, além de ter o costume de avançar bem mais do que Kovacic e finalizar ao gol (em 28 jogos no Campeonato Italiano 2014/15, marcou seis vezes). Há também Marcelo Brozovic, ex-Dínamo Zagreb, mais um jovem croata que se destaca pelo chute, passe e visão de jogo. Guarín e Brozovic, portanto, poderiam se transformar em bons reservas de Yaya Touré ou de Kovacic, caso o marfinense seja de fato contratado (e imaginando, claro, que o africano atue mais na frente, voltando entre os zagueiros para dar qualidade à saída de bola, deixando a função de primeiro volante a Medel).

Se vier, Touré será fundamental para a implementação de um ponto que é indispensável em qualquer time que deseja se impor contra gigantes e ser vencedor, e que, para mim, ainda não é perceptível na Inter depois que Javier Zanetti se aposentou. Falo da presença de uma referência internacional em campo, a figura do respeito acima da média e que transmite a ideia de grandeza e vontade de vencer. Não me refiro à qualidade técnica, mas à presença marcante em campo.

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Possível Inter de Milão com Yaya Touré no time. A bola ao lado do africano sugere que ele seja o homem da saída de bola, da distribuição entre a defesa e meio-campo


Do meio-campo para frente, a Inter de Milão conta com nomes que, digamos, conseguem se virar em um Campeonato Italiano que ainda não é competitivo como o inglês e o espanhol (Icardi, Rodrigo Palacio, Shaqiri, Podolski). Hernanes, como homem da ligação com os atacantes, também é outro que precisaria melhorar para desequilibrar em copas europeias. O argentino Icardi, até pelos 20 gols que tem no Campeonato Italiano e pela atual vice-artilharia, é o jogador de ataque que mais desperta o interesse de vários clubes de fora. Além dos gols que faz, Icardi é um jogador que pouco se machuca (só não esteve com o time em dois dos 37 jogos da Serie A 2014/15).

Para se recuperar primeiro dentro da Itália, na temporada 2015/16, há setores que talvez não precisem de contratações extraordinárias ou alterações drásticas, como o ataque e o meio-campo, já contando com a vinda de Touré. Isso, é claro, se o sistema ofensivo continuar fazendo gols (a Inter balançou as redes mais vezes do que a vice-líder Roma: 55 contra 53). Depois, já imaginando a participação no território europeu, a zaga, que costuma falhar muito (o time sofreu sete gols a mais que o 14º colocado Chievo na Serie A: 45/38), definitivamente deveria receber reforços. O elenco também só conta com dois laterais-direitos de ofício, Jonathan, machucado, e D’Ambrosio.

É claro que todo projeto sério leva tempo e é bom que seja assim. Agora, é esperar para ver se a Inter terá sucesso e voltará a ser o time que o mundo aprendeu a admirar.

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]