Omar Abdulrahman, o grande talento do mundo árabe

OLHO NELE

Habilidoso e rápido, dono de visão de jogo apurada e impressionante capacidade para assistir seus companheiros, Omar Abdulrahman é um jogador de talento enorme. Apontado, inequivocamente, como o maior jogador da história do futebol dos Emirados Árabes Unidos, o camisa 10 do Al Ain, clube que o recebeu aos 15 anos, é dono de características cada vez mais raras, o que tem despertado o interesse de muitos clubes europeus, dentre os quais o Manchester City, por onde passou brevemente, Liverpool e Galatasaray.

Nascido na Arábia Saudita e descendente de uma família iemenita, desembarcou ainda muito jovem nos Emirados Árabes e, mostrando grande qualidade técnica, o canhotinho de 23 anos apareceu precocemente, como não poderia ser diferente. Todavia, sua trajetória encontrou algumas peculiaridades em seu início. Descoberto por um olheiro, conseguiu um teste no Al Hilal, mas, a despeito de seu talento, não conseguiu a concessão da nacionalidade saudita para toda sua família e não permaneceu.

Foto: Al Ain FC

Foto: Al Ain FC

Veio então a grande oportunidade no Al Ain, clube que já contou, por exemplo, com os talentos de Jorge Valdívia, Dodô e Michel Bastos. Após um período de testes, Abdulrahman e dois de seus irmãos foram aprovados e à sua família foi concedida a cidadania emiradense.

Voltando aos campos, após destacar-se no Al Ain International U-17 Tournament, sucessivamente em 2008 e 2009 – conseguindo os prêmios de melhor jogador da competição em ambas as oportunidades –, Amoory, como é conhecido, foi lançado pelo treinador alemão Winfried Schäfer, antigo jogador de destaque do Borussia Mönchengladbach.

Sua estreia como profissional aconteceu em 24 de janeiro de 2009, aos 17 anos, em partida válida pela Etisalat Cup. Seu debute na liga nacional aconteceu em abril do mesmo ano e seu primeiro gol saiu pouco depois, em 11 de maio de 2009. Com pouquíssimo tempo de carreira, o jovem mostrava que era um grande talento. Não obstante, logo veio o primeiro grande infortúnio. Ainda em período de adaptação, sofreu lesão no ligamento cruzado na pré-temporada 2009-2010, contusão que o tirou de combate por seis meses. Em fevereiro de 2010, voltou aos gramados e em abril fez sua estreia pela AFC Champions League.

Foto: UAE Football Association

Foto: UAE Football Association

Recuperado e integrado à equipe, assumiu em 2010-2011 o papel que era do Mago Valdívia, que retornara ao Palmeiras, e se destacou. Em 29 jogos, balançou as redes onze vezes e proveu oito assistências. Isso tudo na transição dos 19 para os 20 anos e com o peso de substituir o grande craque de sua equipe. Tal desempenho levou o Al Ain a renovar seu contrato por cinco anos. Todavia, pouco após o início da pré-temporada 2011-2012, o jovem voltou a sofrer ruptura do ligamento cruzado e, novamente, ficou afastado dos gramados por seis meses, atuando menos de 10 vezes na temporada.

Com o atraso em sua adaptação causado pela sequência de lesões, o jogador passou mais tempo longe dos holofotes do que o esperado. Nada que tenha afastado os olhares atentos do Manchester City, que, em agosto de 2012, levou o garoto para uma série de testes. Após duas semanas, os Citizens desejavam sua permanência, mas a dificuldade em conquistar uma licença de trabalho o tirou da rota inglesa, levando-o de volta ao mundo árabe.

Pouco antes, o jogador havia deixado o mundo do futebol atônito durante os Jogos Olímpicos de Londres, sobretudo com sua performance na derrota perante o Uruguai – a despeito de uma pífia campanha de sua seleção.

Foto: UAE Football Association

Foto: UAE Football Association

Sem mais lesões, o garoto se afirmou e brilhou nas temporadas 2012-2013 e 2013-2014. Atuando 59 vezes, marcou 10 gols e proveu assombrosas 39 assistências. Confirmado como a grande estrela do clube, viu seu vínculo contratual ser estendido no início desta temporada até 2020.

“Sim, o Omar merece isso (uma transferência para o futebol europeu). Ele é um jogador fantástico, cujo lugar é no exterior e eu espero que ele faça isso. Eu espero que ele consiga o que merece e proveja uma boa imagem para o futebol dos Emirados Árabes Unidos e todo o país,” disse o romeno Cosmin Olaroiu, seu ex-treinador, em março de 2013, ao periódico The National.

À época, além do Manchester City, eram apontadas as possibilidades de uma transferência para o Arsenal ou o Benfica.

Foto: Al Ain FC

Foto: Al Ain FC

Além de seu grande desempenho no clube, o garoto tem se destacado representando a seleção do país que o acolheu. O terceiro lugar dos Emirados Árabes na última AFC Asian Cup (deixando o tradicionalíssimo Japão pelo caminho), releva a evolução de uma equipe que concentra todo o seu jogo em Omar, que ainda integrou a seleção dos melhores da competição.

“Todo jogador tem o desejo de jogar por um dos grandes times da Europa. Mas eu ainda sou jovem e sei que preciso dobrar meus esforços para alcançar meu objetivo,” revelou Amoory recentemente ao The Guardian.

Foto: UAE Football Association

Foto: UAE Football Association

O próximo passo deve ser a esperada mudança para o futebol europeu e, como dito, tem sido veiculado o interesse Manchester City, Liverpool e Galatasaray em seu futebol. Com um status nunca antes alcançado por qualquer jogador de sua nacionalidade, o garoto precisa romper as barreiras de seu continente e já mostrou que vale a pena seguir sua trajetória.

Por isso, Olho nele!

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.