Ser completo é ser único

  • por Lulu
  • 5 Anos atrás

Quando comparado com Maradona, Pelé sempre argumentou que era mais completo porque “batia com as duas pernas e cabeceava”. A afirmativa protocolar, trivial, virou praticamente um dogma no mundo da bola. Mesmo com tantas variantes e particularidades, há quem priorize esse conceito simplista.

Não, o futebol não é tão pragmático quanto o vôlei, o basquete e o tênis. O esporte ditado com os pés é um poço de subjetividade. Um palco travesso. O território do imprevisível.

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Não à toa a toada de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo possui similitudes e distinções evidentes.

O português eclode sempre na oportunidade de ouro. Sabe se posicionar, entende sabidamente da leitura sem a bola, antes da contemplação do gol. Sobra-lhe volúpia, ambição, oportunismo, praticidade e gracinhas finas. Se antes mais solto e driblador, nos últimos anos CR7 virou um rolo compressor. Sem cartas de apresentações, cem gols! Bola na rede é a lei, a tara, a meta batida. Com arremate forte ou colocado.

Mas não tão plástico quanto às finalizações cirúrgicas do argentino, camisa 10 do Barcelona. Messi conduz reluzindo em alta velocidade. Sua projeção vertical devasta defesas. Sua capacidade ímpar de tabelar em espaço curto, trabalhando como arco e depois flecha, é um coringa técnico. Ele não pedala, não penteia a pelota, mas destoa num quê próprio. Um quê clássico, escancarado com sua visão periférica. Explícito nos seus lançamentos e passes aprofundados. Evidentes nos enfileiramentos proporcionados pelos dribles em série contínua e prolongada.

MESSI X CRISTIANO RONALDO

Sim, os dois são goleadores, efetivos, letais dentro e fora da área… São sócios do talento! Um é mais centroavante e o outro é mais meia-atacante, mesmo ambos sendo pontas de origem/função. As nuances captam, há funções diferentes dentro de campo. Nos números se aproximam. No protagonismo dos seus respectivos clubes, idem. Mas vejo o canhoto, que chuta bem de direita, superar o exímio cabeceador ambidestro, na hora do somatório do poderio. Que, repetindo, está fadado a se ampliar, um exemplo disso é o repertório de Neymar.

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Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.