Um Boca que volta a ser protagonista

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás

Quando foram sorteados os grupos da Libertadores, River Plate, Cruzeiro e Atlético despontaram como favoritos. Entretanto, o fato é que os três não conseguiram repetir o futebol apresentado no último ano e se classificaram a duras penas para as oitavas de final. Enquanto isso, o Boca Juniors, um dos times que mais carregava desconfiança tanto da torcida quanto da imprensa, vem sendo o melhor da competição até aqui.

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Sob o comando de Rodolfo Arruabarrena, o Boca conseguiu, com seis vitórias em seis jogos, o primeiro lugar geral da Fase de Grupos. É apenas a terceira vez na história que um clube consegue 100% de aproveitamento nesta fase – antes, apenas o Vasco (2001) e Santos (2007) alcançaram tal marca.

Alguns pontos podem explicar a evolução do Boca Juniors, que na temporada passada era irregular e não passava confiança, mas que hoje apresenta um futebol que se destaca em nível continental. Em primeiro lugar, foi importante a chegada dos dez reforços, que melhoraram e muito o antes defasado elenco. A equipe se mostra mais entrosada na segunda temporada sob o comando de Arruabarrena e alguns jogadores começam a render o esperado.

Se compararmos os números da atual temporada com a anterior, quando Arruabarrena assumiu o Boca, a diferença é assustadora. No segundo semestre de 2014, sob o comando de “el Vasco”, o Boca disputou 23 jogos, obteve 12 vitórias, 6 empates e 5 derrotas, marcou 33 gols e sofreu 20. Em 2015, contando apenas partidas oficiais, já são 17 jogos e 14 vitórias, com 39 gols marcados e apenas 7 sofridos.

Dos dez reforços, dois merecem mais destaque: Daniel Osvaldo, que chegou por empréstimo de seis meses do Southampton, e Nicolas Lodeiro, contratado junto ao Corinthians. O primeiro veio comandar o ataque, que há muito tempo sentia falta de um centroavante que passasse confiança. Já o uruguaio chegou com a missão de ocupar o lugar do recém-aposentado Riquelme e liderar o meio-campo xeneize.

O atacante argentino naturalizado italiano já é o artilheiro do time na temporada, com seis gols em nove jogos (são três tentos anotados no Campeonato Argentino e outros três na Libertadores). Além dos gols, Osvaldo mostra qualidade para ajudar na criação, movimentando-se, caindo pelas pontas e abrindo espaços para os meias que chegam de trás. Depois de tanto tempo tendo que se contentar com nomes como Viatri, Blandi, Santiago “El Tanque” Silva e Gigliotti, finalmente os torcedores têm um goleador de respeito.

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Enquanto isso, Lodeiro passou a ser o responsável pela criação. Após temporadas sendo apenas coadjuvante no futebol brasileiro, o uruguaio não sentiu o peso da camisa 10 xeneize e é um dos responsáveis pelo grande futebol que o time apresenta em 2015. Em 13 jogos já disputados com a camisa azul y oro, já foram cinco assistências e um gol anotado.

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Outro reforço que merece menção é o zagueiro Torsiglieri, que resolveu o problema do sistema defensivo que o time sofria há tempos. Contratado no começo do ano junto ao Metalist, Torsiglieri, de 27 anos, forma com “Cata” Díaz a zaga responsável pela melhor defesa do Campeonato Argentino com apenas cinco gols sofridos em dez jogos.

Quanto aos outros reforços, também se destacam Gino Peruzzi, Pablo Pérez e Sebastián Palacios, que, mesmo não sendo titulares, são importantes no elenco. Tratam-se de peças constantemente usadas por Arruabarrena, que tenta conciliar a disputa da Libertadores e do Campeonato Argentino, liderado pelo Boca com 24 pontos. Sempre que precisou, “el Vasco” soube utilizar o elenco. Quando Gago e Erbes se lesionaram, por exemplo, não faltaram opções no banco. Pérez, Cubas e Meli entraram e todos corresponderam.

A maioria desses reforços citados são jogadores já experientes, que chegaram ao clube contando com um vasto currículo. Mas a diretoria também soube apostar em jovens talentos, como Cristian Pavón, atacante de 19 anos contratado junto ao Talleres, e Andrés Cubas, formado nas canteras xeneizes e que integra o time profissional desde 2013.

Sobre o estilo de jogo do time, Arruabarrena finalmente conseguiu implantar sua filosofia, o que não foi possível em sua primeira temporada, quando pegou um elenco já montado. Armando a equipe num 4-3-3 equilibrado, com laterais que se revezam no ataque, volantes e meias que se encarregam muito bem da criação e um ataque com dois pontas abertos municiando Osvaldo, o time parece ter se encaixado.

Foto: Repdrodução - o 4-3-3 de Arruabarrena

Foto: Repdrodução – o 4-3-3 de Arruabarrena

Além de mudar os nomes, Arruabarrena também já modificou as formações em algumas oportunidades. Em 2015, el Vasco já utilizou o 4-4-2 e o 4-2-3-1, mas sempre tentando manter o estilo de manter a posse de bola e utilizando viradas de jogo e ultrapassagens dos meias.

Sem a bola, o time se fecha num 4-1-4-1, com o primeiro volante ficando à frente da zaga (geralmente Cristian Erbes), enquanto os dois pontas recuam para se juntar aos meias e formar uma segunda linha de quatro. Não à toa, o time teve a melhor defesa da fase de grupos com apenas dois gols sofridos.

Dos que estão nas oitavas de final da Libertadores, o Boca Juniors é o segundo time com mais assistências para gol (16), o terceiro que mais finaliza certo (38), o terceiro com mais viradas de jogo certas (49) e é o sétimo que mais sofre faltas (90). Entretanto, chama muita atenção negativamente o fato de que a equipe xeneize é apenas a oitava em passes certos (1.906) e a segunda em passes errados (295).

Pelos jogos da Libertadores, fica difícil definir os titulares do time, já que as trocas, por conta de lesões ou questões técnicas, foram constantes. No gol, Orión recuperou o nível de temporadas atrás e segue firme no arco xeneize. No sistema defensivo, Marín continua dono da lateral direita, Díaz e Torsiglieri formam a dupla de zaga (Burdisso e Komar também são utilizados constantemente) e Colazo é o lateral esquerdo. No meio-campo,  Gago, Lodeiro, Erbes são os preferidos pelo treinado para formaram a trinca no meio, mas Cubas e Pérez também são muito utilizados . Na frente, Chávez e Carrizo parecem sair na frente para formar o trio de ataque com Osvaldo, enquanto Palacios e Martínez correm por fora.

Há 20 jogos sem derrota contando com os amistosos da pré-temporada, o Boca Juniors precisa provar que não fez essa ótima campanha apenas por ter caído em um grupo sem grandes dificuldades, e que tem futebol para ir longe na competição. O primeiro grande desafio começa logo nas oitavas de final, que terá nada mais, nada menos que o clássico contra o River Plate. Em sua 25ª participação na história da Libertadores, o Boca chega forte para conquistar a taça pela sétima vez e, ao lado do Independiente, se tornar o maior campeão da América.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.