Um River Plate que cresce na hora certa

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás
Foto: Diego Haliasz / Prensa River - Jogadores do River Plate

Foto: Diego Haliasz / Prensa River – Jogadores do River Plate na La Bombonera

Na Libertadores de 2013, depois de um começo hesitante e críticas da imprensa, o Boca Juniors reagiu na fase de grupos e garantiu a vaga, levando Riquelme a declarar que “a Taça Libertadores começa no mata-mata “. A frase pode ser antiga, mas serve muito para explicar o momento de um dos clubes da atual edição da competição. Após um péssimo início e uma classificação agonizante na fase de grupos, o River Plate está nas quartas de final. Enquanto isso, Boca e Corinthians, os dois melhores times do começo da competição, já se despediram, comprovando a frase de Riquelme.

Alguns números ajudam a corroborar a afirmação do craque: desde 2005, quando o atual formato da Libertadores foi adotado com 32 duas equipes, só o Atlético Mineiro foi primeiro colocado geral na fase de grupos e chegou ao título. Em quatro oportunidades (2010, 2011, 2014 e 2015), o melhor time na fase de grupos foi eliminado ainda nas oitavas de finais.

Colocado como um dos favoritos ao título após a definição dos grupos, o River Plate começou mal e conseguiu a classificação apenas na última rodada. No mata-mata, entretanto, o clube Millonario encontrou seu melhor futebol, eliminou seu rival Boca Juniors nas oitavas e irá enfrentar o Cruzeiro nas quartas, em busca de seu terceiro título na competição.

Em outubro de 2014, esmiuçamos o time de Marcello Gallardo, falando de seus defeitos e suas virtudes. Hoje, quase seis meses depois, a equipe sofreu algumas mudanças, de forma que resolvemos analisar como chega o elenco millonario para o confronto contra o atual bicampeão Brasileiro.

Sem grandes perdas em relação ao time que conquistou a Copa Sul-americana no segundo semestre do último ano, a diretoria apostou em poucos reforços, dando prioridade a manter as principais peças do elenco. De contratações, vieram os jovens meias Gonzalo Martínez, do Huracán, e Camilo Mayada, do Danubio.

O estilo de jogo também foi preservado. O 4-3-1-2, esquema comum na argentina e preferido de Gallardo, ainda é o mais utilizado. Com as muitas lesões e o fracasso de alguns jogadores em apresentar o mesmo futebol da última temporada, foram comuns as variações táticas, como o 4-4-2 e, principalmente, o 4-1-4-1 utilizado contra o Boca Juniors.

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Para o clássico contra o Cruzeiro (sim, é um clássico), Gallardo terá o retorno de Gabriel Mercado e Álvarez Balanta para reforçar a defesa e Teo Gutiérrez no ataque, que volta de suspensão. Um desfalque para o primeiro jogo, que será na argentina, é o canterano Driussi, que estará se apresentando a seleção sub-20.

O provável time Millonario contra o Cruzeiro deverá ter Barovero no gol; Mercado, Maidana, Funes Mori e Vangioni formando o sistema defensivo; Matías Kranevitter, Ponzio, Sánchez e Pity Martínez devem no meio-campo; e, no ataque, Mora e Teo Gutiérrez vão ser os responsáveis pelos gols.

Dos times que estão nas quartas de final, o River Plate é o quinto com mais passes certos (2.234), mas, em compensação, é o que mais erra (357). O fraco aproveitamento nos passes pode ser explicado pelo péssimo início e pelas variações táticas que o time sofreu até aqui na competição, seja por lesão ou por questões técnicas. Apenas nos dois jogos contra o Juan Aurich na fase de grupo é que Gallardo repetiu a escalação.

Durante o confronto no Monumental, não será surpresa se ambos os clubes insistirem em cruzamentos, afinal, dos que ainda disputam a Libertadores, são os que mais acertam e erram esse fundamento. Além disso, o River Plate tem o pior ataque ao lado do Cruzeiro, ambos com nove tentos marcados. Normal, já que são o primeiro e terceiro, respectivamente, com mais finalizações erradas no torneio. Ainda dentre os times que seguem na competição, o River Plate é o segundo que mais comete faltas (122) e o segundo com mais cartões amarelos (17).

Mas o certo é que apenas agora, no decorrer da competição, os comandados de Marcelo Gallardo estão conseguindo reencontrar seu melhor futebol, que fez o time chegar a sua 31ª participação na Libertadores como um dos favoritos ao título. Um futebol de marcação-pressão no campo adversário, valorização da posse de bola ofensiva e intensidade em todos os momentos do jogo, seja com ou sem a bola.

No jogo de ida, contra um Cruzeiro que não se sente muito à vontade com a bola nos pés, deveremos ter um River Plate tomando a iniciativa e propondo o jogo. Crescendo na hora certa, não é loucura dizer que o time Millonario é um dos fortes candidatos a ficar com a taça mais importante do continente.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.