A Esperança é a última que morre

  • por Luiz Módolo
  • 4 Anos atrás

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“A esperança é a última que morre”, já diria o ditado popular tão difundido no Brasil. Lá no velho continente, a esperança acaba de morrer para uma cidade de quase 200 mil habitantes no norte da Itália. Na última segunda-feira (22 de junho), acabou o prazo para o Parma receber uma oferta de compra de seus direitos esportivos e dívidas, o que o manteria vivo e na série B italiana. “Nas próximas horas, os administradores irão se encontrar com o comitê de gestão e o juiz Dr. Pietro Rogato para fazer os ajustes necessários para os procedimentos de falência”, diz o comunicado da equipe.

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A esperança dos appassionati (“torcedores” em italiano) teve uma sobrevida quando o ex-jogador de Baseball Mike Piazza demonstrou interesse em adquirir o clube. Porém, dias depois, a lenda da MLB (Major League Baseball) anunciou que não faria uma proposta oficial e aumentou o desespero no norte da bota.

O clube teve uma trajetória gloriosa, principalmente na década de 90 e início dos anos 2000. Seu sucesso na época esteve muito ligado ao investimento da Parmalat, pautado no mesmo modelo de negócio feito no Brasil com o Palmeiras. O Parma não conseguiu levantar o caneco da primeira divisão italiana (bateu na trave com o vice em 1997), entretanto conquistou diversos títulos nacionais e internacionais no período, dentre eles três Copas da Itália (91/92; 98/99; 01/02), uma Supercopa Italiana (1999), duas Copas da UEFA, hoje Europa League, (94/95 e 98/99), uma Recopa Europeia em 92/93 e uma Supercopa Europeia em 1993.

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Naquele esquadrão, vestiram o manto amarelo e azul o sueco Tomas Brolin, o colombiano Faustino Asprilla,o búlgaro Hristo Stoichkov, os franceses Lilian Thuram e Sébastien Frey, o japonês Hidetoshi Nakata e os brasileiros Júnior, Alex, Amoroso e Taffarel. Contudo, duas nacionalidades dominaram o clube em seu auge: italiana e argentina. Dentre os hermanos que estiveram no Parma, sobressaíram-se Roberto Sensini, Juan Sebastián Veron, Hernán Crespo, Abel Balbo e Ariel Ortega. Já os italianos praticamente equivalem a uma seleção nacional, com Gianluigi Buffon, Antonio Benarrivo, Gianfranco Zola, Dino Baggio, Fabio Cannavaro, Enrico Chiesa e Marco Di Vaio.



Essa é a segunda refundação do Parma em um período de 11 anos. Em 2004, após a falência do seu investidor (Parmalat), o clube escapou por pouco, sendo comprado por Guido Angiolini, que foi obrigado a mudar o nome da instituição, saindo de Parma Associazione Calcio para Parma Football Club, que durou até esta segunda-feira (22).

O clube deve reiniciar suas atividades na quarta divisão italiana e com outro nome, assim como fizeram Fiorentina e Napoli nas últimas décadas. Nesses dois casos, as instituições ressurgiram, voltaram à primeira divisão nacional e recuperaram seus antigos nomes. Tudo isso pode e deve ocorrer com o Parma. Contudo, essa mancha da falência nunca sairá de sua história, assim como as glórias conquistadas antes disso.

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