A hora e a vez de Cavani

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás

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Principal vencedora da Copa América, com 15 títulos, e detentora do último troféu da competição, a Seleção Uruguaia chega sem sua principal estrela para a atual edição. Luiz Suárez, maior artilheiro da Celeste, não vai poder disputar a Copa América devido à suspensão sofrida na Copa do Mundo. Sem ele, Óscar Tabarez deverá depositar toda confiança em outra estrela do elenco: Edinson Cavani. Longe de ter o protagonismo de seu compatriota na seleção, Cavani pode mostrar que não é apenas um coadjuvante, mas que também pode ser decisivo.

Uma das principais contratações do futebol europeu nas últimas temporadas, Cavani não consegue atuar em alto nível e com regularidade pelo Paris Saint-Germain como costumava fazer nas épocas de Palermo e Napoli. Mesmo com números até bons, o desempenho até aqui está muito aquém do esperado.

Para muitos, o problema é o esquema e a função para a qual foi escalado. Atuando pelos flancos do campo, Cavani funciona mais como um segundo atacante, auxiliando na criação, e ainda ganhando funções defensivas, tendo que ajudar na recomposição quando o time perde a bola.

Na seleção, até hoje, também tem sido assim. Jogando ao lado de Suárez nos últimos anos, Cavani faz muitas vezes o trabalho sujo para seu companheiro de ataque brilhar. Isso ficou bem nítido na Copa do Mundo, quando, com seu companheiro longe do preparo físico ideal, teve que se sacrificar dentro de campo.

Tal função é totalmente diferente da que exercia em sua época no Napoli, quando era a referência do time e tinha poucas obrigações defensivas. De 2010 a 2013 no clube italiano, foram 138 jogos e 104 gols marcados, ocupando a terceira colocação na lista de maiores artilheiros da história do clube.

Para a atual edição da Copa América, Cavani será o grande nome e terá a missão de ser o protagonista da equipe, já que Suárez só poderá a vestir a camisa celeste em outubro. Cavani terá sobre si todos os holofotes e a missão de dar suporte a vários jovens que começam a ganhar espaço na seleção principal.

Cavani - Suárez: a dupla de ataque é uma das melhores do mundo

Cavani – Suárez: a dupla de ataque é uma das melhores do mundo

Com figuras de uma geração vencedora ficando para trás, como Forlán, Loco Abreu, Lugano e Gargano, os que surgem e começam a ganhar espaço precisam de uma referência técnica. Nomes como José Giménez, De Arrascaeta, Jonathan Rodríguez e Diego Rolan – nenhum com mais de 23 anos – precisam que Cavani chame a responsabilidade para que possam jogar com tranquilidade e mostrar todo seu potencial.

E ele vem cumprindo muito bem essa função nos últimos jogos. Desde a eliminação na Copa do Mundo, o atacante já disputou 6 partidas e marcou 5 gols. Caso a tendência dos últimos amistosos se confirme na Copa América, seu companheiro de ataque deverá ser o jovem Rolon, que também atua no futebol francês.

Com a bola, o esquema que se apresenta é o 4-3-3, com Rolón, Cavani e Cebolla Rodríguez formando o trio de ataque. Cavani é a referência, como já era de se esperar, mas não fica preso próximo à área. É comum ver o atacante recuar para auxiliar na criação, participando intensivamente na construção das jogadas.

Desde que Tabárez assumiu o comando técnico da seleção em 2006, Cavani já marcou 26 vezes, ficando atrás somente do próprio Suárez, que lidera a lista com 44 gols. Na Copa América, Cavani pode diminuir essa diferença e colocar seu nome no rol dos maiores atacantes que já vestiram a camisa celeste.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.