Ainda não aprendemos com o 7 a 1

  • por Alexandre Reis
  • 4 Anos atrás

Quase um ano se passou, mas a mentalidade da seleção brasileira de futebol, de seus cartolas e dirigentes parece ser a mesma ou pior que a do fiasco da Copa do Mundo, no histórico 7×1. Saiu Felipão, entrou Dunga, mas o que de fato mudou?

A direção técnica parou de se apoiar em resultados quase insignificantes de amistosos, a fim de confirmar uma falsa “volta por cima”?

Houve uma remodelação na disposição tática e na escolha dos jogadores para a Copa América após a Copa do Mundo?

Não. A seleção continua se apegando a vitórias que, na verdade, são mais danosas que derrotas por maquiar os principais problemas do time.

Os treinadores da seleção brasileira são ótimos indicadores da cultura resultadista nacional. Dunga apenas reproduz seu antecessor. O que importa é ganhar, indifere se é dominando o jogo (à moda brasileira) ou no contra-ataque.

Os treinadores da seleção brasileira são ótimos indicadores da cultura resultadista nacional. Dunga apenas reproduz seu antecessor. O que importa é ganhar, indifere se é dominando o jogo (à moda brasileira) ou no contra-ataque.

Trata-se do mesmíssimo erro cometido no passado, com Luis Felipe Scolari, que chegou a defender seus números mesmo após o fiasco na Copa para justificar seu trabalho.

Dessa vez, até a torcida, um dia enganada com Felipão, vaia e mostra sua insatisfação. Cansou de cantar o hino com fervor e fingir que nada de errado acontece. Critica mesmo quando vence, como foi em alguns momentos contra Honduras e México. Para Dunga, a seleção, na reta final, “se poupou” para a Copa América. Nos primeiros 8 jogos após o 3×0 para a Holanda, 8 vitórias, 18 gols feitos (10 tiveram participação direta de Neymar). Das 10 vitórias, quando “não se poupou”, em 5 ocasiões venceu por apenas 1 gol de diferença e, em duas, ganhou por 4×0 (Turquia e Japão).

Não. Não houve nenhuma mudança na disposição dos jogadores, nem no sistema tático, menos ainda na mentalidade. Seguimos, citando um exemplo, cultivando a ideia de dois volantes “marcadores”, que “saibam defender” e que dão “proteção à defesa”, tanto na seleção quanto no futebol brasileiro, e dispensamos jogadores versáteis para a posição. Lucas Silva, ex-Cruzeiro, talvez seja um suspiro de esperança para que o cenário mude. Mesmo tendo feito uma passagem excelente pelas categorias de base da seleção, eleito melhor volante do Brasileirão 2014, parece ser dispensável, indigno de uma mísera chance.

Leia mais sobre o assunto dos volantes que sabem jogar: Falta o Fàbregas 


Fernandinho, um dos símbolos da derrota ante a Alemanha na Copa, seguiu mantido não só no elenco, como na titularidade. Elias também ganhou vaga cativa no onze inicial, como se fosse um volante dominante no Brasil. Fred, do Shakhtar, foi chamado para o lugar de Luiz Gustavo, mas vem sendo escalado – podemos dizer improvisado – como um ponta no 4-2-3-1. Tornou-se titular absoluto na posição errada, ao passo que Lucas (PSG), a título de comparação, em seu melhor momento na França, ficou fora dos planos de Dunga e não foi lembrado. Com Neymar no meio de tantas incertezas, o elenco, sem protagonistas e mal escalado, ficou dependente do astro do Barcelona. Quando este não corresponde, o resultado é o que vimos contra a Colômbia, no Chile, na Copa América: um Brasil com jogadas previsíveis, limitadas e presa fácil para equipes minimamente organizadas. Não perdeu para o Peru, na primeira rodada, por coelhos da cartola tirados por Neymar.

No elenco, as presenças de Firmino, Philippe Coutinho e Miranda foram pontos positivos da transição Scolari/Dunga, mas estes ainda não repetiram na seleção o rendimento que têm em seus clubes. Os dois últimos não rendem muito em função de uma formação nada consistente e “montada” exclusivamente para um atleta, o que explica a nula variação de jogadas. No entanto, todos são sabidamente jogadores com ótimo potencial.

Questiona-se a falta de protagonistas brasileiros no futebol mundial e a atual geração, mas a seleção, com a Neymardependência forçada, na base do abafa e sem repertório, não contribui em nada para que o cenário seja revertido. A impressão que fica é que seguimos carregando a camisa de Neymar durante o hino, minutos antes do memorável 7×1, admitindo a incapacidade, técnica e emocional, do reerguimento da Canarinho.

NEYDEPENDÊNCIA CAPA

Comentários

Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.