Hammers procuram nova identidade

Foto: WhuFC.com

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O final da Premier League 2014-2015 deixou no ar um clima de novidade no leste de Londres: após quatro temporadas, o West Ham não mais será guiado por Sam Allardyce. Responsável pelo acesso dos Hammers à Premier League na temporada 2011-2012, Big Sam devolveu ao clube a competitividade perdida; todavia, não conseguiu agradar os torcedores do clube e os amantes do futebol, visando sempre a obtenção de resultados, independentemente de qualquer proposta de jogo.

Após flertar com o rebaixamento em 2009-2010, sob o comando de Gianfranco Zola, o inevitável aconteceu em 2010-2011, com o West Ham ficando com a última colocação da competição. Evidentemente, tamanho insucesso ensejou mudanças e a direção do clube trocou Avram Grant por Sam Allardyce, lutando por dias melhores.

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Na Champioship, o clube viveu a época em que melhor conseguiu desempenhar seu futebol, lutando nas cabeças contra Reading e Southampton, e conseguindo ter o segundo melhor ataque e a quarta melhor defesa da competição. No final das contas, embora tenha tido que disputar os playoffs para confirmar o acesso, pelo que demonstrou em campo, o West Ham mereceu retornar à Premier League.

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Não obstante, com o retorno à elite do futebol inglês, o clube deixou para trás o futebol bem jogado. E os questionamentos que acompanharam Allardyce durante toda a sua trajetória como treinador foram amplamente expostos. A preferência por um estilo de jogo direto, com bolas longas, chutões e o uso de um centroavante fixo na área adversária – ressuscitando o famigerado “estilo inglês” – foi questionada, sobretudo em função do que de bom estava acontecendo no resto do mundo, com a supremacia imposta pelo estilo do Barcelona de Pep Guardiola.

“É muito difícil jogar uma partida de futebol, onde só um time quer jogar, muito difícil. Uma partida trata de duas equipes jogando. Esse jogo teve uma equipe jogando e outra não. Eu disse isso ao Big Sam. É aceitável eles virem aqui e fazerem isso da forma como fizeram porque precisam de pontos? Talvez sim. Não posso ser tão crítico porque, se eu estivesse nessa posição, não sei se teria feito o mesmo. Mas, ao mesmo tempo, isso não é a Premier League. Isso não é a melhor liga do mundo. Isso é futebol do século 19”, criticou José Mourinho após um empate sem gols do Chelsea com o West Ham em janeiro de 2014.

Foto: WhuFC.com I Downing reencontrou o bom futebol nos Hammers

Foto: WhuFC.com – Downing reencontrou o bom futebol nos Hammers

Ainda assim, com resultados muito melhores do que os que o precederam e sem contar com grandes investimentos, o treinador não deu muita bola às críticas e seguiu fazendo trabalhos seguros, sem grandes aspirações e riscos. O 10º lugar em 2012-2013, o 13º em 2013-2014 e o 12º na temporada recém-finda, não permitiram muitas queixas.

A questão que se colocou em destaque concerniu à forma como o West Ham terminou a última edição da Premier League e às aspirações futuras do clube. Se até dezembro último os Hammers lutavam nas cabeças, figurando, frequentemente, no rol das equipes que brigam por vaga na UEFA Champions League, as nove derrotas, sete empates e três vitórias que se apresentaram em 2015 trouxeram desalento.

E o pior: a equipe que estava modificando seu estilo, passando a praticar um jogo mais vistoso, com trocas de passes envolventes e a ótima forma de atletas como Stewart Downing, Diafra Sakho, Enner Valencia e Aaron Cresswell, retomou as velhas práticas, se utilizando das tediosas e pouco eficazes ligações diretas. Ainda assim, seria possível diminuir a responsabilidade do Big Sam, uma vez que o treinador teve de lutar contra as lesões de alguns de seus melhores jogadores, casos de Sakho e Valencia. Ao final, a 12º colocação trouxe desapontamento.

Foto: Arfa/Griffiths/WhuFC.com - Sakho foi um dos destaques em 2014-2015

Foto: Arfa/Griffiths/WhuFC.com – Sakho foi um dos destaques em 2014-2015

No entanto, vale, ainda, a menção de outro fator que favoreceria a continuidade de Allardyce. Embora o time tenha optado muitas vezes pela prática de um futebol “rudimentar”, o West Ham nunca foi uma equipe violenta e a prova disso foi a vaga recebida pelo clube para a disputa da Europa League na próxima temporada, conseguida em função de critérios de Fair Play.

A mudança de comando em Boleyn Ground deixou no ar a intenção de uma mudança de filosofia de jogo. A razão da troca de comando não pode basear-se meramente em resultados, uma vez que Sam Allardyce conseguiu trazer certa tranquilidade ao clube. Será estranho não ver os Hammers sob o comando do Big Sam e, na última semana, especulações um tanto delirantes rondaram a equipe. Nomes como Carlo Ancelotti e Jürgen Klopp chegaram a ser ventilados.

Foto: WhuFC.com - Após ótima temporada, Creswell pode sair

Foto: WhuFC.com – Após ótima temporada, Cresswell pode sair

Mesmo que o clube não contrate nenhum grande nome, há muita expectativa quanto ao futuro dos Hammers. No momento, há no time jogadores capazes de jogar um futebol mais atraente do que o “padrão West Ham” e, aparentemente, a direção decidiu “dar o salto de qualidade”, aproveitando-se do fato de que o clube retornará a uma competição continental. Ainda assim, talvez não fosse o melhor momento para a mudança, uma vez que Sam Allardyce mostrou, em alguns momentos da temporada recém-finda, intenção de reformatar a equipe.

Com o comando vago, as cenas dos próximos capítulos prometem emoções na janela de transferências inglesa. Até o momento, a única certeza que se tem – além da saída do treinador – é o desligamento do brasileiro Nenê e do experiente Carlton Cole. Jogadores como Cresswell certamente serão procurados por outras equipes e pode haver mais mudanças. Procurando uma nova identidade, o West Ham agita o mercado e cria enorme expectativa na torcida, que reza por dias melhores e sempre soprará bolhas, lindas bolhas no ar.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.