James Rodriguez, artista do Maracanã

  • por Leandro Lainetti
  • 5 Anos atrás

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Maracanã. Palco dos grandes atores. Moradia dos monstros sagrados. O gramado no qual pede-se a bênção para poder pisar, desculpas ao se arrancar um tufo de grama e deve-se dizer obrigado na hora de sair. Cenário de gols antológicos, partidas memoráveis, momentos únicos e inesquecíveis, para jogadores e arquibaldos.

O estádio que viu o milésimo de Pelé, as pernas tortas de Garrincha enfileirando um João atrás do outro, as faltas de Zico com endereço telegrafado, Romário carimbando a passagem para a Copa do Tetra. O cemitério da Seleção de 50 com o Maracanazzo e que, 64 anos depois, invocou novamente o espírito de uma Copa do Mundo para o seu reduto.

Talvez o Mario Filho nem quisesse ver nada demais, só desejava fazer parte do espetáculo, deixar o pessoal jogar uma bolinha por ali. Aí surgiu uma partida de oitavas de final, um clássico sul-americano. A Colômbia soltinha, de futebol envolvente, contra um Uruguai sofrido, desfalcado de Luis Suárez. Se o craque Celeste não teve a oportunidade de pisar a relva sagrada, a honraria coube ao craque Cafetero, James Rodriguez.

Cara de menino tímido, sonhador, um dos destaques da Copa do Mundo. Desenhara uma pintura contra o Japão, mas deixou para apresentar a maior obra prima com sua assinatura no Maracanã. E que assinatura.

Quando voou mansamente na direção da camisa amarela cravada com o número dez às costas a bola já tinha o seu destino, apesar de não conhecê-lo. O peito de James foi uma parada no caminho, um instante para que ela descansasse de toda aquela loucura em que se encontrava envolta. O colo do menino era macio, um aconchego silencioso do qual ela não queria sair. Talvez por isso tenha ficado praticamente colada ao corpo do rapaz.

E rezou. Rezou para que ele a pusesse no chão, a mantivesse por ali, juntinha aos seus pés. Mas o objetivo de James era outro. Ele é um artista, e artistas são inquietos. O camisa dez queria causar, fazer estrago, barulho, carimbar seu nome na história das Copas e do Maracanã.

Assim, enfiou o pé na bola como um pincel cheio de tinta na tela. O salto de Muslera, apesar de não evitar o golaço, não foi em vão. Tornou a obra mais plástica, mais bela. E enquanto o arqueiro pairava no ar, a bola morria nas redes, esquecida entre as traves.

Os olhos eram do craque. Os aplausos eram do craque. A pintura, do Maracanã. Com dedicatória de James Rodriguez.

JAMES FINAL

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.