Ney certo e Ney errado

  • por Lulu
  • 5 Anos atrás

Talvez o conceito “politicamente correto”, que vem dominando o mundo, esteja influenciando também o futebol. A ousadia dentro de campo e a postura controversa vivem uma entressafra. Todavia, o que remanesce, engrandece, com pitadas de uma habilidade atraente simplesmente por ser atrevida. Nosso legado comprova, craques brasileiros do passado vêm da mesma casta de Neymar.

Então por que tantas críticas a um drible (progressivo)?

Jay-Jay Okocha que o diga, a carretilha (ou lambreta) executada pelo brasileiro contra o Athletic de Bilbao não foi deboche, não foi desacato. Visava o avanço pela linha de fundo em prol do gol. Ronaldinho nos tempos áureos, atuando pelo mesmo Barcelona, fazia mágica produtiva. Mas às vezes apenas esbanjava gestos técnicos não necessariamente objetivos.

Então por que tantas críticas a um sucessor da imprevisibilidade?

Neymar comemorando gol pelo Barça | Foto: MIGUEL RUIZ-FCB

Neymar comemorando gol pelo Barça | Foto: MIGUEL RUIZ-FCB

Porque faltou “sensibilidade”. Neymar chegou à Espanha com fama de prodígio, e ludibriador. Ganhou a alcunha El Piscinero e críticas da imprensa, que dizia que o brasileiro exagerava nas quedas e encenações após sofrer (possíveis) faltas. O camisa 11 do Barça adquiriu assim um estigma pejorativo e, por tabela, antipatia predisposta de vários torcedores adversários. Pegando o gancho, Cristiano Ronaldo é outro jogador que casualmente recebe vaias em alguns estádios espanhóis por parte de torcidas desgostosas com sua postura marrenta.

https://youtu.be/dhBhCEZfOoY?t=44s

Seja por quebrar “as regras de etiqueta” ou por fugir do pragmatismo, certas ações atraem revoltas agudas, é inevitável. Principalmente quando o alvo é um clube com sina derrotista, freguês do Barcelona de Messi, que não vê sua torcida comemorar um título desde 1984. Eis o que pesou, analisando o contexto. A carretilha de Neymar feriu a autoestima do povo basco. Que é separatista, mas não soube separar as coisas. Por isso, em suma, o brasileiro não deve castrar suas características, tão lúdicas e encantadoras.

"Ficou bem claro que teríamos de continuar concentrados, jogar de forma séria e procurar não humilhar a Seleção Brasileira. Quando se está em campo, temos de mostrar respeito pelo adversário e foi muito importante que assim tenha sido, sem embarcar em brincadeiras ou algo do gênero. Não queríamos ridicularizar o Brasil". Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/copa-2014/hummels-revela-pacto-de-nao-humilhacao-nao-queriamos-ridicularizar-brasil-13206758.html#ixzz3bxygAE2z

“Ficou bem claro que teríamos de continuar concentrados, jogar de forma séria e procurar não humilhar a Seleção Brasileira. Quando se está em campo, temos de mostrar respeito pelo adversário e foi muito importante que assim tenha sido, sem embarcar em brincadeiras ou algo do gênero. Não queríamos ridicularizar o Brasil”.
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Mas precisa ter timing, inspirando-se na conduta dos alemães no 7×1 da Copa, quando o assunto envolver muita paixão e nervos à flor da pele.

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Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.