O caminho do Barcelona até Berlim

XI do Barça contra o Real | Foto: Facebook Barcelona

XI do Barça contra o Real | Foto: Facebook Barcelona

Assim como a Juve, o Barça trocou o comando no início da temporada. Ex-jogador do clube, entre 1996 e 2004, Luis Enrique chegou para dar continuidade ao processo de transição do Barça pós-Guardiola. A missão do jovem técnico, com apenas seis anos de carreira, era buscar um novo rumo ao Barça e recoloca-lo nos trilhos da vitória.

Para ajudar nesse processo de transição, chegaram Rakitic, meia para herdar a vaga de Xavi, Luis Suárez que vinha para ser a referência e formar um ótimo trio com Neymar e Messi, além de dois ótimos goleiros, Bravo e Ter Stegen. Ocorreram ainda outras contratações pontuais, como Mathieu, Vermaelen e o retorno de Rafinha Alcântara.

Depois de seis semifinais, com dois títulos, entre 2008 e 2013, o Barça ficou nas quartas em 2014. A queda para o Atlético simbolizou o “fim da era tiki-taka”, que já não funcionava dois anos depois da Era Guardiola. Com Tatá Martino, a temporada 2013/14 do Barça foi de coadjuvante. Vice do Espanhol e da Copa do Rey, viu o Real Madrid de Cristiano Ronaldo dominar parte da Espanha (Copa) e a Europa (com a Champions).

4-3-3 do Barça, ainda sem Suárez, contra o PSG | Reprodução; UEFA.com

4-3-3 do Barça, ainda sem Suárez, contra o PSG | Reprodução; UEFA.com

Com Luis Enrique, o Barça tinha Ajax, PSG e Apoel no grupo F da Champions. O bom início do time, ainda sem Suárez, no campeonato espanhol, fez com que se tornasse um natural candidato na competição europeia. Apostando nos jovens Ter Stegen, Bartra, Sergi Roberto, Samper e Munir, o Barça estreou com vitória sobre o Apoel por 1×0.

Mantendo o 4-3-3 com Messi como falso nove, o Barcelona não foi bem contra o PSG em Paris. Mesmo apostando em um estilo mais vertical, desta vez com Iniesta e Rakitic no meio e Pedro no ataque, os parisienses se impuseram e venceram, mesmo sem Ibrahimovic, por 3×2. Sinal de alerta no primeiro grande teste.

Em sua estreia na Champions, Suárez ainda a direita do 4-3-3 | Montagem: Taticamente | Reprodução: BeIN Sports.

Em sua estreia na Champions, Suárez ainda a direita do 4-3-3 | Montagem: Taticamente | Reprodução: BeIN Sports.

O Barça seguia vencendo em seus domínios. Na vista do Ajax à Catalunha, Luis Enrique começou a ensaiar uma mudança tática para encaixar Suárez no ataque: uma troca, de Pedro, na ocasião, da ponta para dentro, com Messi. Neymar, Messi e Sandro marcaram no segundo triunfo do time na Champions.

As derrotas para Real Madrid e Celta na Liga voltaram a ligar o sinal amarelo para o Barcelona. Com menos evidência do que o esperado, graças a esses tropeços, os catalães foram à Holanda enfrentar o Ajax na estreia de Suárez na Champions. Os dois gols de Messi o alçaram, ao lado de Raúl, ao posto de artilheiro histórico da competição, deram a 3ª vitória ao Barça e “colocaram o camisa dez em evidencia” outra vez.

Contra o Apoel, Messi deslocado a direita e Suárez por dentro | Montagem: Taticamente | Reprodução: Coopt

Contra o Apoel, Messi deslocado a direita e Suárez por dentro | Montagem: Taticamente | Reprodução: Coopt

Sem Neymar, mas com Suárez e Messi (agora ponta) mais afinados, o Barcelona fez 4×0 no Apoel, com direito a hat-trick do argentino. Assim, Messi se tornou o maior artilheiro da história da Champions na mesma semana em que também se sagrou o maior artilheiro da história do campeonato Espanhol. Era só o início de uma temporada genial de Messi.

Para fechar a primeira fase contra o PSG, Luis Enrique mudou a direção. Mesmo com o 4-3-3 se solidificando, apostou em uma espécie de 3-3-1-3 com Messi atrás de Neymar-Suárez-Pedro. Defensivamente, o time foi um desastre, mas, à frente, o trio sul-americano decidiu, com um gol cada, e colocou o Barça em primeiro.

3-3-1-3 do Barça contra o PSG. O trio sul americano salvou | Reprodução: UEFA.com

3-3-1-3 do Barça contra o PSG. O trio sul americano salvou | Reprodução: UEFA.com

Contra o City nas oitavas, solidificação do 4-3-3 e de Suárez, que marcou dois gols em Manchester em uma das partidas-chave do Barcelona nesta Champions. Foi um jogo de primor tático. Na volta, o gol de Rakitic selou a classificação em uma partida preguiçosa e com ritmo de coletivo, mesmo com ótimas defesas de Hart.

Nas quartas de final, novo duelo contra o PSG e novo destaque para Suárez. Na ida, duas canetas e dois golaços se juntaram ao tento de Neymar para levar um x1 ao Camp Nou. Na volta, dois gols do brasileiro, que acumulou cinco em quatro jogos contra os franceses e selou a volta do Barça às semifinais da Champions.

Contra o City, Barça se compactando em duas linhas | Montagem: Taticamente | Reprodução: FOX Sports

Contra o City, Barça se compactando em duas linhas | Montagem: Taticamente | Reprodução: FOX Sports

A semifinal colocou frente a frente Messi e Guardiola, criador e criatura, em um jogo que prometia muito. Guardiola poderia parar o MSN? Messi voltaria a se destacar na Champions após passar em branco contra City e PSG? As respostas vieram uma partida extremamente tática e bem jogada.

Com 77 minutos de muita disputa física, técnica e tática, uma fração para Messi foi demais. Em quinze minutos, o gênio argentino marcou dois e assistiu Neymar no terceiro, descomplicando a vida catalã. Na volta, o gol de Benatia no início deu alento, mas os letais contra-ataques, que acabaram nos gols de Neymar, deixaram o milagre bávaro inviável, mesmo com a vitória por 3×2 no fim.

Dinâmica do MSN | Montagem: Taticamente

Dinâmica do MSN | Montagem: Taticamente

Após quatro anos, o Barça volta a uma final de Champions, sua 7ª, para buscar seu 5º título. Os triunfos vieram em 1992 sobre a Sampdoria, em 2006 sobre o Arsenal, 2009 e 2011 sobre o United. Os dois vices, em 1994, nos 4×0 para o Milan, e em 1986 contra o Steua nos pênaltis.

Para buscar o penta, o Barça confia na fase extraordinária do trio MSN, que marcou 120 dos 172 gols do time de Luis Enrique na temporada, sendo 25 dos 28 do time na Champions. Mais do que nos três, aposta em Messi, que parece ter retomado a coroa do futebol, há dois anos com Cristiano. Naturalmente, os catalães são favoritos.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]