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O incômodo jejum da albiceleste

  • por Raniery Medeiros
  • 4 Anos atrás

Camisa pesada, tradição e jogadores que, ao longo de tantos anos, nos encantaram com seu estilo único de praticar futebol. A seleção argentina é um celeiro de craques, de devoção, entrega e, acima de tudo, de conquistas. No entanto, o pesar encontra-se justamente no hiato de títulos que incomoda e assombra a albiceleste. A última conquista profissional dos hermanos aconteceu na Copa América de 1993, liderada por Gabriel Batistuta. Chegou o momento de sair da fila?

Como foi dito acima, a Copa América de 1993 foi o último troféu erguido pelos argentinos. O time comandado por Alfio Basile venceu o México na final por 2×1, com dois gols do decisivo atacante Gabriel Batistuta. O que aconteceu de lá para cá?

1995 – La mano de Túlio

Já comandada por Daniel Passarella, a seleção argentina passou por um processo de renovação após a queda de Diego Maradona na Copa do Mundo de 1994.

https://www.youtube.com/watch?v=ACFARlFdJcg

Javier Zanetti, Ayala, Gallardo e Ariel Ortega deram qualidade ao time, que tinha em Balbo e Batistuta um ataque de respeito. Emplacou boas vitórias contra Bolívia (2×1) e Chile (4×0), mas foi derrotada pelos Estados Unidos (3×0), o que levou a um inesperado encontro contra o Brasil já nas quartas de final.

Passarella teve a chance de levar o time adiante, mas pecou no aspecto tático diante de um Brasil que só pensou em jogar bola. Os hermanos tentaram se defender com todas as armas – inclusive a violência -, mas a mão que deu alegrias em 1986 foi cruel em 1995. Túlio Maravilha, em impedimento, acariciou a pelota com o braço e empatou a partida. Ficou para a boa safra argentina a sensação de que algo melhor poderia ter sido feito.

1997 – Seleção B

GALLARDO 1997

Daniel Passarella optou por um time “B”, pretendendo fazer experimentos para a Copa do Mundo de 1998. A grande estrela da equipe foi Gallardo, que nada pôde fazer diante de um time apático, que apresentou um futebol aquém das expectativas. A Argentina foi eliminada nas quartas de final pelo Peru.

1999 – O feito de Palermo

Finalmente um time de respeito, com qualidade técnica e chances de vencer o torneio. Marcelo Bielsa convocou ótimos jogadores para a competição realizada no Paraguai: Juan Pablo Sorín, Diego Simeone, Walter Samuel, Zanetti, Ortega, Pablo Aimar, Juan Román Riquelme e Killy González.

Mesmo realizando uma boa fase de classificação, a campanha ficou marcada pelos três pênaltis desperdiçados por Martín Palermo contra a Colômbia.

Assim como em 1993 e 1995, teríamos o maior clássico do futebol mundial ocorrendo nas quartas de final. O time de Bielsa jogou bem, abriu o placar, mas sofreu a virada.

O Brasil de Cafú, Roberto Carlos, Ronaldo e Rivaldo fez o povo argentino chorar outra vez. Dida, em plena forma, ainda foi mais cruel ao pegar o pênalti cobrado por Ayala. O jejum já incomodava.

2001 – Desistência

A AFA alegou que, com a guerra civil na Colômbia, seria inapropriado disputar o torneio sem condições mínimas de segurança.

Honduras, que herdou a vaga, eliminou o Brasil.

2004 – Queda nos últimos segundos diante do Imperador

O comandante do time ainda era Bielsa, que, já fragilizado após a eliminação precoce (ainda na fase de grupos) na Copa do Mundo de 2002, sentiu-se na obrigação de vencer o torneio. A fase de grupos só não foi perfeita por causa da derrota para o México. A seleção acostumada a encher os olhos de seus admiradores, teve ótimas apresentações contra Equador (6×1) e Uruguai (4×2).

A albiceleste passou com dificuldades pelo Peru (1×0), mas não deu chances à seleção colombiana nas semifinais. Enfim, a grande final! Para sair da fila que durava 18 anos, a Argentina teria que vencer o Brasil. Aliás, foi a primeira final de Copa América entre as duas seleções. Bielsa mandou o seguinte time a campo: Abbondanzieri; Ayala, Coloccini, Heinze e Sorín; Zanetti, L. González, Mascherano e Rosales; C. González e Tévez.

O time comandou as ações da partida, marcou firme, esteve duas vezes à frente do placar, mas, no apagar das luzes, sofreu o empate com um gol de Adriano “Imperador”. Psicologicamente abalada, a equipe entrou desconcentrada e perdeu o título nos pênaltis. Que sina!!!

ADRIANO X ARGENTINA 2004

2007 – Favoritismo e nova derrocada

Alfio Basile montou um timaço para a disputa na Venezuela. Ayala, Gago, Heinze, Zanetti, Crespo, Riquelme, Tévez, Lucho González, Mascherano, Aimar, Juan Sebastián Verón e Messi. Aliás, Lionel Messi foi o centro das atenções (uma prévia do que viria a ser seu futuro no futebol). O que se viu foi um verdadeiro show de bola na fase grupos:

Toque de bola, domínio da partida e voracidade no momento de fazer os gols. Vitórias convincentes nas quartas e semifinais. Destaque para o golaço de Lionel Messi contra o México.

Após partidas monumentais, com Riquelme atuando em alto nível, chegava o momento de decidir com o Brasil. O favoritismo albiceleste entrou em campo, porém foi surpreendido pelo forte sistema defensivo adotado por Dunga. A sensação de perda foi total, o jejum permanecia.

2011 – Pressão, discussões e fracasso em casa

A seleção passou por um momento de torpor após a goleada sofrida diante da Alemanha no mundial de 2010.

A pressão pelo título tornou-se surreal, bem como os questionamentos sobre Lionel Messi, que até então não havia demonstrado na albiceleste o bom futebol que apresentava no Barcelona.

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Na contramão do que deveria ser um fator positivo, por jogar em casa, surgiram boatos de que Messi e Tévez não estariam se dando bem. O time comandado por Sergio Batista não empolgou nem mesmo a fanática torcida que empurrou seus jogadores em todos os jogos. A fase de grupos foi patética: 1×1 Bolívia, 0x0 Colômbia e 3×0 Costa Rica.

Clássico contra o Uruguai nas quartas de final. Diferente da primeira fase, em que atuaram de maneira insegura, os argentinos foram para cima da Celeste. Messi, Di María e Agüero bem que tentaram. Apesar disso, a seleção foi eliminada nos pênaltis. O jejum seguiria para os argentinos, apesar da boa campanha na Copa do Mundo de 2014 em que foram vice-campeões.

O jejum de 22 anos incomoda, e muito, os argentinos. Na atual edição, são favoritos ao título, com um elenco repleto de estrelas e uma base que atuou de maneira impecável no último mundial.

Será que o jejum terá fim no Chile?

OBS: o jejum refere-se ao time principal. A seleção olímpica faturou a medalha de ouro em 2004 e 2008.

ARGENTINA OLIMPÍADAS

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