O “inexplicável” hype de David Luiz

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 3 Anos atrás

HYPE DAVID LUIZ

Um dia após a vexatória eliminação contra o Paraguai, a Seleção Brasileira desembarcou em São Paulo. O normal, o esperado por todos, era um time vaiado pelas pessoas presentes no aeroporto. A Seleção vem mal, a CBF está envolvida em vários problemas fora de campo, seu ex-presidente está preso e, dizem as más línguas, que o atual saiu literalmente correndo da Suíça para evitar a cadeia.

Mas então acontece o inexplicável. Ou, como falamos no título, o explicável: David Luiz para para tirar fotos com crianças equatorianas e é aplaudido.

O fato de tirar fotos com crianças, dando atenção aos fãs, não pode receber qualquer adjetivo diferente de louvável. A atenção à molecada é sim digna de nota, ainda mais em tempos que jogadores estão cada vez mais longe do povo, seja dentro ou fora dos estádios.

Mas o ato seguinte às fotos, esse não tem a menor explicação se considerarmos única e exclusivamente os aspectos de dentro do campo: David Luiz vem numa fase tenebrosa tecnicamente falando. Apesar de tentarem esconder, é um dos principais culpados pela histórica goleada sofrida pelo Brasil ano passado.

Este ano, foi humilhado por Suárez no confronto PSG x Barcelona, pela Liga dos Campeões, fora uma enormidade de falhas menores, que não ganharam tanto destaque, mas que comprometeram o PSG em várias situações. Na estreia da Copa América, uma falha bizarra contra o Peru lhe custou a titularidade.

Então, cabe a pergunta: por qual motivo David Luiz foi aplaudido?

A opinião desse que vos escreve é simples: as suas atitudes fora de campo. É sabido por todos que torcedores brasileiros levam muito em conta os aspectos extracampo na hora de avaliar jogadores.

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O jovem e promissor Firmino foi vaiado e chamado de ”mercenário” no desembarque por conta da sua ida para o Liverpool durante a Copa América. Noves fora, o fato de Firmino ser, no mínimo, mal assessorado, já que não deveria fechar contrato durante uma competição de seleções, o jogador estava longe da Seleção no ano passado e foi o único vaiado sem dó nem piedade. Julgo que existe uma enorme ”fila” de atletas para serem vaiados antes de Firmino.

Já David Luiz, considero que foi aplaudido não apenas por causa das fotos, mas por conta de um somatório de suas posturas fora do campo. Não é segredo para ninguém que o Brasil vive uma onda de conservadorismo religioso e um ”neo-nacionalismo” e David Luiz se enquadra nessas duas questões – se de forma natural ou oportuna, não temos como afirmar.

O jogador do PSG já anunciou que só pretende fazer sexo após o casamento e nunca deixou de declarar seu amor ao país. Um grande exemplo disso ocorreu após a histórica goleada sofrida contra a Alemanha, quando o zagueiro disse, aos prantos, ”que só queria dar alegria ao país.”

Em tempos de selfies, Instagram, conservadorismo e um nacionalismo canhestro, quase mambembe, David Luiz segue nos holofotes como legítimo representante de uma classe que, dia após dia, cresce na população brasileira. E que afasta, cada vez mais mais, a Seleção Brasileira dos seus legítimos donos: o povo brasileiro.

Eu, cá com meus botões, agradeço aos deuses da bola por ter visto Ricardo Rocha, Márcio Santos e afins. Esses, não esperavam nem pela própria mãe. Se a mesma viesse em direção a eles com a bola dominada, pescoço virava canela.

Bons tempos, viu?

Até a próxima.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.