O que esperar de Juan Carlos Osorio, novo técnico do São Paulo

Assim como o currículo que traz, Osorio impressionou na coletiva de apresentação como novo técnico do São Paulo. Muito lúcido e esclarecido, o colombiano falou de conceitos táticos, montagem do time e princípios de futebol. Muito além dos bilhetes em campo, o estudioso treinador traz várias experiências na carreira, tais como passagens por Estados Unidos e Inglaterra, além de especializações reconhecidas pela UEFA. Na Colômbia, onde se tronou ídolo do Nacional de Medellín, seis títulos em três temporadas.

“Para mim, a principal fórmula para vencer é a intensidade no treinamento. Não acredito em jogo fácil, eu gosto de sessão de trabalhos em alta intensidade”, declarou o técnico. Ou seja, vagarosidade e pouca vontade em campo não serão vistos no time do colombiano.

Outra prática comum do treinador é o rodízio de jogadores, uma metodologia pouco presente no Brasil, mas muito usada na Europa. Para ele, o rodízio é um princípio de vida: “Não comparo prestígio, história nem salário. Em um grupo não existem titulares, todos são importantes.”

Em 2014, o Nacional de Osorio enfrentou o Grêmio no 4-2-3-1 (contra um atacante); e o São Paulo (com dois atacantes) no 3-3-1-3.

Também na apresentação foram abordadas na apresentação a importância da pressão na saída de bola, outra marca do jogo de Osorio, e a disposição tática, trabalhando com três zagueiros ou linha de quatro na defesa. “Gosto de recuperar a bola alta, porque prefiro jogo longe do meu gol. Podemos fazer isso com imposição física ou técnica”.

Pensando na disposição tática, Osorio falou sobre dois modelos. “Quando o adversário tem dois atacantes, gosto de trabalhar com três zagueiros, quando temos um adversário com um atacante e laterais que chegam bem ao fundo, uso uma linha de quatro, com apoio dos extremos sem bola. (….) A marcação começa por Pato, Ganso e Michel Bastos, eles são os primeiros defensores”.

Ganso, além de Rogério, foi o único jogador lembrado individualmente na coletiva. O técnico elogiou o talento do camisa dez e disse ter novas ideias para ele: “Ganso pode trabalhar a frente de dois volantes, em um 4-2-3-1, ou como um interior em um 4-3-3 ou um 3-3-1-3”.

Um possível São Paulo no 3-3-1-3 que Osorio gosta de usar. Ganso como interior, dinamismo com e sem bola, com velocidade e pressão para retomar a posse. Aproveitando a base (Boschilia e Lucão) e os talentos consolidados (Michel Bastos e Souza) -

Um possível São Paulo no 3-3-1-3 que Osorio gosta de usar. Ganso como interior, dinamismo com e sem bola, com velocidade e pressão para retomar a posse. Aproveitando a base (Boschilia e Lucão) e os talentos consolidados (Michel Bastos e Souza) –

O triunfo de Osorio no Morumbi não é certo, mas só virá com paciência e tempo. Se Aidar inovou na ideia, também terá de inovar no modo gerir o clube. Imediatismo e vitória a curto prazo não podem guiar o novo trabalho do time, que pode se acertar (e muito) com um técnico que entende de algo muito e importante e muito raro por aqui: tática. Boa sorte, Osorio.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]