O significado da perda de Luiz Gustavo

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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Todo time vencedor possui algumas peças que passam despercebidas, figuras cruciais cuja importância só é percebida em sua falta. Sobrevivente do “Mineraço”, hoje Luiz Gustavo goza deste status na Seleção Brasileira e a notícia de seu corte, em função de lesão no menisco do joelho direito, caiu como uma bomba no colo de Dunga e do torcedor brasileiro. A prova disso foi o teste de diferentes opções no setor, no primeiro treinamento para a Copa América deste ano.

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Foto: VFL-Wolfsburg.de

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Volante alto, canhoto, dono de passe correto e enorme poder de marcação, Luiz Gustavo viveu excelente temporada no Wolfsburg, sagrando-se campeão da Copa da Alemanha e terminando com a vice-liderança no Campeonato Germânico. Seus números pelos Lobos dão a tônica do prejuízo canarinho com a sua ausência. Em 31 jogos na Bundesliga, marcou dois gols, acertou 88% dos seus passes e criou 19 oportunidades claras para seus companheiros. Além disso, concluiu 42% de seus desarmes, cometeu apenas 55 faltas (média de 1,7 por jogo) e foi o terceiro jogador da Bundesliga a fazer mais interceptações, com 97, atrás apenas de Naldo e Uwe Hünemeier.

Não há dúvidas de que a qualidade da temporada do Wolfsburg refletiu a de Luiz. Se antes era peça pouco conhecida do torcedor brasileiro, tendo deixado o país aos 21 anos e sem muito destaque, é de conhecimento geral o tamanho da perda que sua ausência representa. O pindamonhangabense é, sim, um dos cada vez mais raros exemplares de primeiro volante, mas está longe de ser uma figura que se limita a defender. Como fica a Seleção Canarinha sem seu esteio?

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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Para a conservação do mesmo esquema tático e filosofia de jogo, o técnico Dunga tem um caminho lógico: promover a entrada de Casemiro. Embora tenha características distintas das de Luiz Gustavo, o volante do Porto atuou durante toda a temporada na mesma posição do camisa 22 do Wolfsburg, sendo o primeiro jogador à frente da defesa portista. Apesar disso, o jovem criado no São Paulo tem menos poder de marcação e mais qualidade de passe – sobretudo longo – que seu titular, o que implica pequenas adaptações, mas mantém a mesma ideia de jogo.

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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Modificando um pouco o estilo da equipe (considerando que Elias, titular nos últimos amistosos, seguirá no time), Dunga poderia escalar Fernandinho, que, no Manchester City, faz tanto a função de primeiro volante quanto a de segundo. Apesar disso, suas características se distinguem em boa medida das de Luiz. Jogador mais intenso e participativo, o camisa 25 dos Citizens movimenta-se muito e é bom passador, mas não protege os zagueiros com igual eficácia. Fernandinho pode ajudar a dar maior fluidez ao jogo da Seleção Brasileira, mas não desarma tanto quanto Luiz Gustavo.

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Alterando drasticamente o padrão de jogo que vem estabelecendo, Dunga teria como opção Fred, substituto de Luiz Gustavo na convocação. Também canhoto, o meio-campista, ex-Internacional, tem em sua movimentação sua melhor qualidade. Com enorme capacidade física, o belo-horizontino consegue apoiar seus companheiros muito bem, circulando por toda a faixa do meio-campo. Apesar disso, não guarda posição como Luiz, Casemiro e, até mesmo, Fernandinho, podendo causar certa desorganização na equipe. Com Fred, a Seleção certamente marcará menos, mas pode conseguir, coletivamente, jogar mais.

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Há, ainda, duas últimas possibilidades a considerar: o ingresso de David Luiz no meio-campo e a possibilidade de usar três volantes. Com o beque na meia-cancha, a Seleção Canarinha ganharia proteção, mas, por não ser especialista da função, David poderia não se encaixar. Além disso, os arroubos desvairados do cabeludo, avançando irresponsavelmente ao ataque, poderiam deixar a contenção desprotegida, razões pelas quais talvez essa não seja uma boa ideia.

Uma última possibilidade, que não dá sinais de que poderá acontecer, é o uso de três volantes. Assim, quaisquer sejam os escolhidos, a equipe ficaria mais defensiva e resguardada, perdendo, todavia, parte de seu brilho ofensivo.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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Infelizmente, Casemiro, Fernandinho, Fred e David Luiz não são Luiz Gustavo. Nesse momento, o volante do Wolfsburg é peça indispensável na Seleção Brasileira e sua ausência, necessariamente, trará alterações na forma de jogar da equipe – mais, ou menos, sensíveis. No entanto, todas as opções carregam consigo prós e contras, e pode não haver prejuízo. É duro não poder contar com Luiz, mas não é o fim do mundo. Para fazer a melhor escolha, cabe a Dunga analisar a forma atual de seus comandados e a maneira como pretende jogar.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.