Os primeiros três pontos

Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Após dez vitórias seguidas em amistosos, a Seleção Brasileira entrou em campo na noite deste domingo para a primeira partida oficial após a Copa do Mundo. Como não poderia deixar de ser, tratava-se de um jogo cercado de expectativa, uma vez que uma sombra da desconfiança pairava – e ainda paira – sobre a equipe do técnico Dunga. Não havia dúvida que recolher os cacos do maior fracasso da história do futebol nacional e recomeçar não seria uma tarefa fácil. E isso ficou bastante evidente na estreia na Copa América diante do Peru.

Nesse cenário, sofrer um gol pouco depois do pontapé inicial em seguidas falhas da defesa está longe de ser o melhor dos mundos. Apesar da resposta de Neymar ter ocorrido rapidamente, ficou claro ali que o nervosismo deu a tônica da Seleção daquele momento em diante. A compactação e o sentido mais coletivo que marcaram as partidas anteriores não foram os mesmos e o time buscou a vitória pelo caminho mais complicado, ou seja, aos trancos e barrancos.

Com David Luiz repetindo os abandonos de sua linha para disputar bolas altas no meio e jogadores dando botes precipitados que basicamente serviam para abrir clareiras na defesa, a Seleção lembrou o amontoado de Felipão de tão dolorosa memória. Sem uma geração brilhante, Dunga precisa mais do que nunca transformar seu elenco em um time capaz de ser competitivo e taticamente equilibrado, feito que alcançou no Mundial da África do Sul, embora tenha se perdido em sua gratidão a alguns nomes úteis na conquista da Copa América de 2007, mas que não tinham mais como contribuir três anos depois.

Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Desta vez, sem Oscar desde a convocação e sem Philippe Coutinho para o cotejo de estreia, a criatividade do meio de campo verde-amarelo ficou quase toda a cargo de Willian. Percorrendo todos os lados do campo, o atleta do Chelsea tentou acionar Neymar por diversas vezes e foi uma das poucas peças lúcidas no gramado. Só não foi o melhor do Brasil porque havia Neymar, aquele que continua sendo o fator de desequilíbrio do time. Neymardependência? Melhor depender dele do que não ter ninguém a quem recorrer. Todavia, para as ambições brasileiras, isso talvez não seja o suficiente.

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.