Pratto é exatamente o que o Galo precisava

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Em 2012, após anos de sucessivos insucessos, com a modelação do time que seria campeão da Copa Libertadores da América de 2013, o Atlético Mineiro voltou a cantar de galo. Com a fundamental influência de Ronaldinho Gaúcho, a grande referência de que o clube precisava, o time cresceu, fez a fama do Estádio Independência e foi vice-campeão brasileiro, retornando à disputa da maior competição do continente americano, algo que não ocorria desde 2000.

Em 2013, ano da conquista da referida glória, o Galo trouxe outra decisiva referência, um jogador capaz de conduzir o time às vitórias com sua própria qualidade: Diego Tardelli; retornou ao Atlético após dois anos no futebol russo e árabe. Assim, o time conquistou a tão sonhada Copa Libertadores, com uma equipe coesa e com referências capazes de, a qualquer momento, desequilibrarem, com seu talento individual. Porém, aos poucos, o grande elenco que reinou na América foi sendo desfeito, restando poucos jogadores e perdendo as grandes referências: R10 e Tardelli.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Se a notícia da saída de Ronaldinho causou alvoroço, mas foi aceita, a de Diego Tardelli trouxe consigo o temor de uma acentuada piora na forma da equipe que havia conquistado a Copa do Brasil. Apesar disso, com acurado acerto, o presidente do Galo, Daniel Nepomuceno, foi à Argentina e voltou de lá com o melhor jogador do último campeonato nacional na bagagem: Lucas Pratto. A princípio, não houve dúvidas de que tratava-se de um grande reforço, mas a corpulência do argentino transmitia a impressão de que o contratado atuaria como um tradicional centroavante, fixo na área dos adversários. Grave engano.

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Com a atual formatação tática do time mineiro, que alterna entre um 4-1-4-1 e um 4-3-3, Pratto tem liberdade para circular por toda a faixa ofensiva, o que lhe agrada e confirma a descrição de suas qualidades. No país vizinho, nunca houve dúvidas de que o jogador possuía desenvoltura para ser mais do que um centroavante, o que não evitou que o torcedor alvinegro – como todo bom mineiro – desconfiasse.

Foto: velezsarsfield.com.ar

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“O mais difícil vai ser voltar a jogar de centroavante. No Vélez eu jogava no ataque e pelas pontas. Aqui já percebi que as bolas passarão a todo momento na frente e terei a oportunidade de finalizar. Nesse sentido, o mais difícil para mim será voltar a ser centroavante (…) Meu estilo é assim, sempre ajudar a equipe. Quando não temos a bola, pensar primeiro em defender. Pelo que vi ano passado, o Atlético é uma equipe muito ofensiva. Temos que ajudar a defender. Precisamos da ajuda de todos. O que penso é ser um atacante e primeiramente um defensor quando não estivermos com a bola”, revelou Lucas Pratto em entrevista veiculada pela Rádio Itatiaia no início do ano.

Não obstante, suas marcas pulverizaram essa dúvida, uma vez que além de marcar 12 gols pelo Galo (somado o amistoso contra o Shakhtar Donetsk), o argentino já proveu seis assistências, nos 24 jogos em que atuou. Além disso, já demonstrou mais de uma vez sua capacidade para aparecer em momentos importantes: na vital partida contra o Independiente Santa Fé, na Colômbia, na semifinal do Campeonato Mineiro, quando marcou duas vezes contra o Cruzeiro, e recentemente nas partidas do Campeonato Brasileiro, das quais destaca-se os jogos contra a dupla Fla-Flu.

Com movimentação, presença de área, inteligência e muita raça – não é raro vê-lo marcando e desarmando seus adversários – Pratto tem conseguido ser a referência ofensiva de que o time precisava após a saída de Tardelli. É óbvio que possui características distintas das de R10 e DT9, mas, ainda assim, tem conseguido ser muito efetivo. Um jogador com o qual se pode contar na hora das dificuldades.

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Além disso, o goleador está a um tento de se tornar o maior artilheiro estrangeiro da história do clube, disputando o posto com seu compatriota, Jesús Dátolo, que tem um gol a mais.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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“Pratto é ótimo para finalizar. É engraçado porque (parece que) ele não tem habilidade, se olhar o controle de bola parece que não tem, mas tem o controle muito bom, além de uma finalização certeira e forte, com força, que dificulta para os goleiros chegarem. Por essas características é considerado um dos melhores atacantes atualmente”, disse o treinador Levir Culpi após a vitória do Galo contra o Flamengo.

Ademais, o argentino encarnou o afamado espírito atleticano, tendo dito recentemente que o jogo da semifinal do Campeonato Mineiro, contra o grande rival alvinegro, foi o clássico mais emocionante que já jogou em sua carreira. Para mais, Pratto provocou o Cruzeiro após a eliminação celeste na Copa Libertadores da América, frente o River Plate, com uma foto em seu Twitter oficial. Esse tipo de atitude não é necessária, mas não deixa de demonstrar o grande envolvimento do jogador com a causa alvinegra, algo que, sobre todas as coisas, o torcedor do Galo preza.

“Eu sinto o que a torcida sente (…) Não merecemos (virar o primeiro tempo com a derrota de 1 a 0). Mas, no segundo tempo, formos atrás para ganhar e fiz um gol impressionante. Meu clássico mais emocionante”, disse Pratto, após o aludido encontro.

Feitas estas considerações, não restam dúvidas de que o torcedor vê em Lucas Pratto o novo grande candidato a ídolo, apesar da brevidade de sua passagem pelas Minas Gerais. Seus gols, sua intensidade, seu espírito e sua luta têm encantado as arquibancadas, que hoje não têm dúvidas: dificilmente o clube teria encontrado um jogador que tão bem se encaixasse na equipe, impedindo que a saída de Diego Tardelli ficasse sendo sempre lembrada. Ainda que seu estilo de jogo seja muito diferente do desempenhado pelo atacante da seleção brasileira, Pratto prova a cada dia que é exatamente o que o Galo precisava.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.