Safra ruim não pode ser a desculpa

Dunga e seu dilema: depender de Neymar!

Dunga e seu dilema: depender de Neymar!

Oito de julho de 2014: de forma acachapante, o Brasil perdia a semifinal da Copa do Mundo, em casa, para a Alemanha por 7×1. Mais do estarrecedor e humilhante, poderia servir como uma aula. Poderia. Do baile tático, coletivo e técnico do time de Low, nada se aproveitou. Saiu Felipão, entrou Dunga e após onze vitórias inúteis em onze amistosos, para muitos, a seleção estava de volta e ninguém pararia o time de Neymar. Ilusão.

O craque encantou, sozinho, na estreia. Mas perdeu a cabeça e a competição no jogo contra a Colômbia. Sem ele, o diferencial, a seleção teria que ser mais coletiva – aliás, com ele também. Mas não foi. Teve bons e maus momentos contra a Venezuela e uma atuação pífia contra a limitada seleção paraguaia. Muletas de que a safra é ruim ou de que uma virose atingiu o grupo não cabem mais. Outro apagão? Não. O Brasil perdeu na bola, no campo, para uma seleção mais fraca e mais organizada que a sua.

Mesmo que os paraguaios tenham jogo baseado na bola aérea e lançamentos para disputa física, souberam compactar duas linhas e explorar as debilidades do Brasil. A Seleção, por sua vez, teve um lampejo de jogo coletivo, com Robinho iniciando e terminando a jogada, que teve movimentação e troca rápida de passes. Lampejo.

A desorganização brasileira contra o Peru.

Da parte final do primeiro tempo até o apito derradeiro, os paraguaios foram melhores. Mais agudos, mais incisivos e contaram com o erro de Thiago Silva que, de manchete, anotou um pênalti para o adversário. Derlis Gonzalez, o “único” talento da seleção de Ramon Diaz, marcou. Três mudanças de cada lado não mexeram no panorama tático. Dois times com linhas de quatro e homens de mobilidade à frente. As entradas de Douglas Costa e Éverton Ribeiro nada acrescentaram e até retiraram, já que ambos perderam seus pênaltis.

Nova eliminação, nova atuação abaixo da média e muletas para se apoiar e não admitir a incapacidade após o embate. Desta vez, foi a virose, antes a safra ruim, mas a verdade é que falta jogo coletivo! Se o problema é ir à Europa buscar, vale analisar o Chile de Sampaoli, adaptável, intenso e alinhado aos conceitos de jogo mundial. A safra não é das melhores, fato, mas pode jogar muito mais do que vem jogando. Ou melhor, pode jogar. Que desta vez se tire algo positivo do vexame, pois as eliminatórias vêm aí e o Brasil corre risco de ficar fora do Mundial.

Time descompactado, espaço contra a Colômbia

Time descompactado, espaço contra a Colômbia

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: raimonte[email protected]