Uruguai, o visitante indesejável

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: Ovacion - Jogadores do Uruguai comemorando a classificação sobre a Argentina

Foto: Ovacion – Jogadores do Uruguai comemorando a classificação sobre a Argentina

Após uma Fase de Grupos sem grandes brilhos, o Uruguai garantiu sua classificação para as quartas de final, quando enfrentará o Chile. A partida está marcada para a noite de hoje (24) no estádio Nacional, em Santiago.Se o futebol charrúa não anima muito seus torcedores e a própria imprensa, resta se apegar aos números para tirar alento do confronto.

Nas duas últimas edições do torneio, o Uruguai foi protagonista eliminando os donos da casa – Venezuela em 2007 e Argentina em 2011. Antes disso, já tinha repetido o feito em outras duas oportunidades: em 1999, eliminou o Paraguai e, em 1987, tirou Argentina, que um ano antes conquistara a Copa do Mundo sob o comando de Bilardo. Confira, abaixo, como a Celeste vem transformando a eliminação dos donos da festa em tradição na Copa América:

1987 – Mesmo contra Maradona e cia, Uruguai elimina os então campeões do mundo em casa

Em 1987, num Monumental de Núñez lotado, o Uruguai chegava para enfrentar a favorita Argentina, que tinha acabado de conquistar o Mundial. Com nomes como Caniggia e Maradona e sob o comando de Carlos Bilardo, a Albiceleste era apontada como forte candidata a finalista. Mas o lado uruguaio contava com Rubén Sosa, Pablo Bengoechea e Enzo Francescoli, e vinha para fazer um jogo duro. A Argentina havia se classificado em primeiro no Grupo A, que também tinha Peru e Equador. Enquanto isso, o Uruguai entrava direto na fase final do torneio, já que tinha sido campeão última edição.

Quando a bola começou a rolar, o que vimos foi uma partida intensa. Do lado lado uruguaio, uma defesa forte e um meio-campo marcando duro, já que do outro lado tinha um endiabrado Maradona, que tentou de tudo para furar a retranca charrúa. Mas, aos 43′ da primeira etapa, Bengoechea fez boa jogada e rolou para Alzamendi, que só teve o trabalho de empurrar para o gol. O placar não foi mais alterado e o Uruguai eliminou a anfitriã Argentina, se classificando para pegar o Chile na final.

1999 – Talentosa geração paraguaia não foi páreo para a seleção charrúa

Anfitrião do torneio, o Paraguai tentava, depois de seis edições disputadas, chegar entre os cinco melhores, o que não acontecia desde 1989, quando terminou na quarta colocação. O Paraguai garantiu sua classificação após se passar em primeiro no Grupo A, que também tinha Peru, Bolívia e o convidado Japão. Enquanto isso, o Uruguai se classificou como terceiro colocado no Grupo C, que contava com Argentina, Colômbia e Equador. Era o chamado “Grupo da morte”.

A partida entre ambos foi disputada no Defensores del Chaco, em Assunción. Do lado paraguaio, uma geração que prometia bastante, com nomes como Tavarelli, Arce, Gamarra e Roque Santa Cruz (que ainda defende a Albirroja). Enquanto isso, na Celeste, figuravam Carini, Fleurquin e Zalayeta.

O jogo foi equilibrado, mas com várias chances criadas por ambos os lados. Benítez abriu o placar aos 15′ da primeira etapa, mas Zalayeta, aos 20′ do segundo tempo, deixou tudo igual em Assunción. Na disputa por pênaltis, todos estavam convertendo suas cobranças. Quando estava 3×3, Zalayeta colocou os uruguaios na frente, jogando a pressão toda em cima de Benítez, que bateu no canto esquerdo para boa defesa de Carini. O Uruguai estava nas quartas de final.

2007 – Estragando a festa Vinotinto

Em 2007, a Venezuela sediou a 42ª edição da Copa América. Único pais do continente que não tem o futebol como seu principal esporte (o beisebol é mais popular), a Venezuela sediava a competição pela primeira vez na história. A ambição de fazer uma grande festa era tanta, que o governo não poupou esforços e nem investimentos: foram gastos 900 milhões de doláres, sendo que a estimativa era de apenas 4 milhões. Sorteada no Grupo A, a Venezuela se classificou em primeiro lugar, com o Peru em segundo e o Uruguai, que viria a ser seu adversário na fase seguinte, em terceiro.

Se na Fase de Grupos, Uruguai e Venezuela empataram em 0x0, nas quartas de final, quando voltaram a se encontrar, o resultado foi bem diferente. Enquanto o Uruguai, comandado por Óscar Tábarez, contava com nomes de peso, como Lugano, Maxi Pereira, Recoba, Forlán, Louco Abreu e Godín, a Venezuela tinha uma seleção pobre tecnicamente e apostava no fator casa para surpreender. Não foi o suficiente. Com gols de Forlán (2x), Cebolla Rodríguez e Pablo García, o Uruguai goleou por 4×1 e avançou às semifinais.

2011 – Contra todos os prognósticos, veio a 16ª taça

Messi, Tévez, Pastore, Higuaín, Di María e Agüero: nomes não faltavam para tirar a Argentina da fila de 18 anos sem títulos – o último troféu levando havia sido a Copa América de 1993. Além disso, a Albiceleste era anfitriã da competição e contava com o grande apoio de sua torcida para encerrar o jejum. Pelo menos no papel. Na Fase de Grupo, com um futebol capenga, se classificou em segundo e, como prêmio, teve que enfrentar o Uruguai logo nas quartas. Do lado charrúa, Lugano, Arévalo Ríos, Diego Forlán e Suárez chegavam confiantes após uma ótima campanha na Copa do Mundo disputada na África do Sul.

Com um estádio lotado, que depositava toda sua confiança em Lionel Messi, a Argentina começou melhor, mas o Uruguai também incomodava. Aos 5′ da primeira etapa, após rebote do goleiro Romero, Diego Pérez abriu o marcador em Santa Fe. Mas, poucos minutos depois, após ótimo cruzamento de Messi, Higuaín deixou tudo igual e o placar se manteve assim até o apito final de Caros Amarilla. Com o empate, a disputa foi para os pênaltis. Se Messi e Burdisso cobraram e fizeram, não se pode dizer o mesmo de Tévez, que, batendo muito mal, consagrou o goleiro Muslera. Enquanto isso, a seleção celeste converteu todas as suas cobranças e avançou às semifinais. E, vencendo o Peru na fase seguinte e derrotando o Paraguai na final, o Uruguai levantou o troféu da competição pela 16ª vez e tornou-se o maior campeão do torneio, superando a própria Argentina, com quem estava empatado.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.