Virgil van Dijk, o zagueiro-artilheiro

OLHO NELE - Virgil van Dijk

Como grande parte dos jogadores holandeses, Virgil van Dijk tem suas origens ligadas aos antigos territórios da “Holanda Ultramarina”. Filho de pai holandês e mãe surinamesa, o grandalhão nasceu na cidade de Breda, há quase 24 anos.

Dono de boas qualidades técnicas, ótima capacidade de cobrança de faltas e fortíssimo jogo aéreo, deu seus primeiros passos no futebol no Willem II, da pequena cidade de Tilburg.

Não obstante, antes mesmo de se profissionalizar, partiu para o Groningen, casa famosa pela produção de grandes talentos. Na equipe, que produziu Ronald Koeman, Arjen Robben e, recentemente, Richairo Zivkovic, e que foi o primeiro porto europeu de Luis Suárez, o zagueiro terminou seu desenvolvimento e ganhou as primeiras chances como profissional. Três foram suas temporadas pelo alviverde.

Sua estreia aconteceu em 1º de maio de 2011, em partida válida pela 33ª rodada da Eredivisie, contra o ADO Den Haag. Na ocasião, que resultou em vitória de sua equipe por 4×2, ele entrou no minuto 72 e ajudou a assegurar o bom resultado. A partir de então, ganhou espaço e, já na temporada seguinte, ganhou muitos minutos. Titular absoluto em sua terceira campanha e membro da Seleção Holandesa Sub-21, destacou-se e a necessidade de uma mudança ficou clara.

Foto: fcgroningen.nl

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Após 66 jogos e sete gols marcados, por £2,6 milhões, deixou a calma da cidade de Groningen e rumou para a quarta cidade mais populosa do Reino Unido, Glasgow. Contratado pelo segundo maior campeão nacional da Escócia, o Celtic, passou a conviver com uma situação completamente diferente da anterior: a pressão por resultados. Com a ausência do rival Rangers na primeira divisão, conquistar Scottish Premiership passou a ser mais do que uma simples obrigação. Todavia, essa não é uma tarefa difícil para o clube, que não vê quaisquer rivais capazes de lhe tirar de seu trono.

Foto: Celtic FC

Foto: Celtic FC

Assim, apesar de ter trocado um modesto clube holandês por um dos dois maiores escoceses, van Dijk não encontrou grandes problemas em sua adaptação e logo ganhou notoriedade. A derrota tangencial contra o Barcelona na UEFA Champions League 2013-2014 o colocou em evidência como o grande pilar de um setor defensivo que quase garantiu um heroico empate contra um dos maiores esquadrões do mundo da bola. Em sua primeira temporada, disputou 47 jogos e marcou cinco gols.

“Eu certamente penso que ele é capaz de jogar nos maiores clubes do sul (do Reino Unido), pelo que já vi. Não há problema lá. Egoisticamente, eu espero que ele não vá, porque quero que ele permaneça no Celtic por muitos anos. Ele dá tudo em todo jogo e tem jogado excepcionalmente bem. É por isso que ele tem atraído a atenção de clubes como o Arsenal. (…) Ele tem ritmo, energia e pode marcar gols,” disse Tom Boyd, ídolo do Celtic, clube que defendeu em mais de 300 jogos entre 1992 e 2003, em entrevista ao Metro.

Foto: Celtic FC

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Se em seu primeiro ano de clube já tinha demonstrado, além de muita segurança defensiva, uma certa predileção por marcar gols, na atual, esta particular condição tem se confirmado. Até o momento, com 58 jogos disputados, marcou 10 vezes e proveu seis assistências, isso na condição de zagueiro. Destes tentos, vale ressaltar dois, que saíram em partida das fases preliminares da UEFA Champions League, na goleada do Celtic contra o KR Reykjavik, por 4×0.

Com tais credenciais, o óbvio aconteceu. Muitos clubes, sobretudo da Premier League, demonstraram interesse no beque neerlandês. Arsenal, Tottenham e Southampton são apontados pela imprensa britânica como as equipes potencialmente interessadas em seu futebol. Ademais, em setembro de 2014, ganhou seu primeiro chamado para defender a Laranja Mecânica.

Foto: KNVB.nl

Foto: KNVB.nl

Recentemente, van Dijk declarou que, a despeito da grandeza do Celtic, a pouca competitividade da liga escocesa o tem levado a considerar uma transferência, o que só fez aumentar os rumores de sua saída. Dono de características importantes para um defensor e úteis no ataque, o zagueiro-artilheiro deve deixar os Celts em breve por uma chance de crescer como atleta.

Sua transferência é questão de tempo. O certo é que logo veremos o zagueiro demonstrando suas qualidades e voando na área dos adversários de outra liga.

Foto: Celtic FC

Foto: Celtic FC

“O Celtic é um grande clube, com um estádio fantástico e os torcedores são ótimos. Mas a competição não é tão boa. Quero me desenvolver. Se a oportunidade estiver lá (na Inglaterra), definitivamente, eu consideraria uma transferência”, disse van Djik ao Daily Record.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog, e no "Bundesliga Brasil".