A onda de retornos ao futebol Sul-Americano

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás

Não é novidade que os jogadores sul-americanos estão saindo cada vez mais cedo de seus países para desfilarem seus talentos nos gramados europeus. Salário, estrutura, organização e status são alguns dos poucos motivos que levam um atleta a optar por jogar no velho continente. Mas, na atual janela, um fato vem chamando a atenção: a onda de retornos de jogadores renomados no futebol europeu aos seus continente de origem.

No Brasil, vimos nomes como Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Luis Fabiano e Júlio Baptista retornando com a expectativa de recuperarem seu melhor futebol. No resto do continente, essa onda de retornos ficou ainda mais acentuada no Newell’s Old Boys, que em 2012 viu Maxi Rodríguez e Gabriel Heinze voltando a vestir a camisa do clube. Ainda na Argentina, tivemos outros nomes que retornaram, como David Trezeguet, para defender o River Plate, e, mais recentemente, Diego Milito, que abriu mão de um alto salário em outras ligas para vestir a camisa do Racing. Rodando um pouco mais o continente, também podemos ver Marcelo Zalayeta, no Peñarol.

Em 2015, tal onda de retorno tem ficado ainda mais nítida, com jogadores reconhecidos internacionalmente optando por voltar às origens. Tudo bem que maioria volta porque não tem mais mercado lá fora e que não estão mais no ápice físico e técnico, mas sempre há uma exceção, como é o caso de Tévez, que foi um dos melhores jogadores da última temporada europeia, mas que preferiu regressar para onde iniciou a carreira.

Carlitos Tévez:

Foto: Boca Juniors- Tévez em sua apresentação

Foto: Boca Juniors- Tévez em sua apresentação

Revelado nas categorias de base do Boca Juniors, Tévez teve uma ascensão meteórica, destacando-se rapidamente e se transformando em ídolo da torcida. Em pouco tempo, conquistou uma Libertadores, uma Copa Sul-Americana e um Mundial de Clubes, além de uma edição do Campeonato Argentino. Foram 110 jogos, 38 gols e quatro títulos. Depois, teve passagens por Corinthians, West Ham, Manchester United, Manchester City e Juventus. Em sua última temporada, foi um dos responsáveis por levar a Juventus ao Scudetto e à final da Liga dos Campeões, depois de 12 anos. Foram 48 jogos disputados, 29 gols e 10 assistências.

Agora, depois de colecionar títulos e mais títulos por onde passou, volta aos clubes que o revelou após 11 anos. Mesmo podendo escolher jogar com os melhores do mundo, nos melhores estádios e recebendo mais, El Apache decidiu retornar à casa para mostrar que ainda existe amor à camisa.

Diego Forlán:

Foto: Ovación/M. Bonjour - Forlán em sua apresentação no Peñarol

Foto: Ovación/M. Bonjour – Forlán em sua apresentação no Peñarol

Seu pai, Pablo Forlán, jogou anos e anos no Peñarol e é um dos maiores ídolos da história do clube. Diego tentou seguir os mesmos passos jogando nas canteras do time, mas iniciou sua carreira profissional no Independiente, onde jogou de 1998 a 2002, tendo se transferindo depois para o futebol europeu. Passou por Manchester United, Villarreal, Inter de Milão, Internacional e Cerezo Ozaka. Durante esses 13 anos, conquistou um Campeonato Inglês e uma Europa League, além de vários títulos individuais. Figurou entre os melhores do mundo em 2011.

Agora, de volta ao futebol sul-americano, longe dos grandes gramados e salários da Europa, defenderá a camisa aurinegra do Peñarol. Além de realizar o sonho de seu pai, Forlán também realizará o próprio desejo de defender as cores de seu time de infância. Nesse seu retorno, também tentará voltar a jogar em alto nível, o que não consegue desde a Copa de 2010, quando levou o Uruguai às semifinais. Na última temporada, disputou a Segunda Divisão do futebol japonês pelo Cerezo Ozaka e marcou 10 gols em 16 jogos.

Diego Lugano:

Foto: ultima hora - Lugano vestindo a camisa do Cerro Porteño pela primeira vez

Foto: ultima hora – Lugano vestindo a camisa do Cerro Porteño pela primeira vez

Desde que deixou o São Paulo, em 2006, Lugano sempre é especulado no futebol brasileiro. Símbolo de uma das melhores gerações da seleção uruguaia, o zagueiro não conseguiu repetir o sucesso no futebol europeu e viveu altos e baixos. Com passagens por Fenerbahçe, PSG, Málaga, West Bromwich e Häcken, sofreu várias lesões. Acabou ficando longe de sue nível físico e técnico e vem convivendo cada vez mais com o banco de reservas – isso quando é relacionado para jogar.

O declínio ficou nítido quando não era nem relacionado para os jogos do PSG, o que levou o zagueiro a buscar espaço em outros clubes. Tanto no Málaga quanto no West Bromwich, era sempre segunda ou terceira opção. Na Copa do Mundo no Brasil, mesmo com a má fase nos clubes, iniciou a competição como titular do Uruguai, mas uma lesão o tirou do torneio. Foi sua despedida com a camisa Celeste. Na próxima temporada, com 34 anos, Lugano terá a chance de reerguer sua carreira defendendo as cores do Cerro Porteño, em uma liga mais fraca, onde deve se sobressair.

Javier Saviola:

Foto: Ole - Saviola jovem com a camisa millonaria

Foto: Ole – Saviola jovem com a camisa millonaria

Quando começou a carreira, em 1998, pelo River Plate, muitos o tacharam de “novo Maradona”, mas não foi bem assim. Em 2001, transferiu-se para o futebol europeu, para defender o Barcelona, e por lá ficou até 2007. No entanto, durante esses seis anos, o atacante argentino chegou a ser emprestado ao Sevilla e ao Monaco. Ainda defendeu Real Madrid, Benfica, Málaga, Olympiacos e Verona.

Em sua última temporada, no futebol italiano, disputou 16 jogos, mas foi titular em apenas cinco. Compreensível para um jogador de 33 anos. Agora, de volta ao River Plate, após 14 anos, reencontrará velhos companheiros de clube, como Lucho González, Pablo Aimar e Fernando Cavenaghi.

Lucho González:

Foto: TN.com - Lucho em sua primeira passagem pelo River

Foto: TN.com – Lucho em sua primeira passagem pelo River

As conquistas do hexacampeonato português e do bicampeonato da Copa Portugal fizeram de Lucho González um dos maiores ídolos da história recente do Porto. Mesmo não jogando nas maiores ligas do futebol europeu, conseguiu deixar seu nome marcado na história de um dos mais importantes clubes do continente. Ainda colecionou uma passagem pelo Olympique de Marseille e, por último, no Al-Rayyan, do Catar.

De volta ao país natal, também defenderá as cores do River Plate, clube onde foi revelado, e irá em busca do tricampeonato da Copa Libertadores. Mesmo sem o preparo físico do auge da carreira, o meia de 34 anos pode contribuir para a equipe millonaria.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.