Agora é que são eles!

  • por Lulu
  • 5 Anos atrás

Quem poderia imaginar que a seleção de tantos títulos, campeã em 78 e 86, vice-campeã em 90, campeã das Copas Américas de 91 e 93 ficaria 22 anos em jejum? Quem poderia prever que Ortega, Crespo, Claudio López, Verón, Gallardo, Riquelme, Aimar, Saviola, Sorín, Zanetti, Samuel e tantos outros não dariam nenhuma glória oficial ao seu escrete nacional?

Por preterições devido ao tamanho do cabelo, nervos à flor da pele, firulas indevidas, defesas ruins, esquemas táticos desastrosos, treinadores questionáveis e incontáveis pipocadas quando era favorita, a Argentina viu seu inferno astral se transformar num hiato sem fim, dominado por gozações partidas de adversários familiares.

Messi na Copa América diante do Paraguai | Fotos: AFA - Selección Argentina

Messi na Copa América diante do Paraguai | Foto: AFA – Selección Argentina

No ano passado, no Mundial, a Albiceleste teve a chance de levantar a taça mais almejada justamente no país do arquirrival, o Brasil. Fracassou. Teve melhores chances que a Alemanha na final, mas não soube aproveitar. Contudo, o legado deixado por Alejandro Sabella trouxe luz ao fim do túnel.

Ora, individualmente falando, os argentinos são bem-sucedidos no cenário europeu. Nos últimos anos, mantêm um protagonismo maior que o dos brasileiros, por exemplo. Então, como trazer isso para a seleção? Talvez Tata Martino tenha a resposta. O atual treinador da Argentina preservou a pegada compactada do seu antecessor, que deu solidez a Albiceleste na última Copa, anexando à essência do Barcelona e sua posse de bola.

O time joga em um 4-2-3-1 com a defesa formada por Rojo, Zabaleta, Garay e Otamendi (no lugar do veterano Demichelis); dois volantes mordedores, com boa cobertura e rápida saída de bola, Biglia e Mascherano; um ponta arisco e um meia que pende para o flanco, Di María e Pastore; Agüero centralizado como referência no ataque; e Lionel Messi, o regente, com liberdade vocacional para atuar por todos as posições das duas linhas de frente. Isso sem contar o banco de reversas, composto por Tévez, Higuaín, Lavezzi, Banega, etc.

Ok, na fase de grupos da atual Copa América e diante da Colômbia nas quartas de final, a Argentina não conseguiu transformar em muitos gols o ótimo volume de chances criadas. Até vacilou algumas vezes atrás. Porém, pelo que fez com o Paraguai (algoz da Canarinha) e pelo que pode fazer baseado no seu potencial, é favorita com sobras para vencer o empolgado Chile, que vislumbra uma conquista inédita em casa. Em vista disso ou simplesmente por possuir o melhor jogador do mundo, que está tinindo para exorcizar de vez a desconfiança, agora é que são eles!

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Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.