Há 10 anos, Jundiaí conquistava o Brasil

  • por Lucas Sartorelli
  • 4 Anos atrás
Foto: Paulista Futebol Clube

Foto: Paulista Futebol Clube

No dia 22 de junho de 2005, a cidade de Jundiaí estava em festa. O Paulista conquistava a Copa do Brasil e escrevia seu capítulo mais importante em 102 anos de história. Depois de empatar em 0x0 com o Fluminense em São Januário, o Galo da Japi confirmava sua superioridade e ganhava a taça, após superar seis confrontos contra adversários de tradição e presentes na série A daquele ano, como relembraremos a seguir.

Na primeira fase, de cara, houve um duro desafio contra o Juventude. No primeiro jogo, em Jundiaí, muita disputa e vitória apertada do Paulista por 1×0, com gol de Davi aos 46 minutos do segundo tempo. Na partida da volta, no estádio Alfredo Jaconi, empate por 1×1 (gol marcado por Jeferson com 1 minuto de jogo) e vaga assegurada.

Na segunda etapa da competição, o time enfrentou o Botafogo-RJ e foram dois empates. Em casa, 1×1, gol de Márcio Mossoró. Na volta, no Maracanã, um jogo especial: o clube de Jundiaí debutava no principal estádio do Brasil. Parece que o palco lendário trouxe motivação ao time, que empatou por 2×2, conquistando a vaga pelo critério de gols marcados fora de casa. Dessa vez, Léo e Cristian marcaram os gols.

Nas oitavas de final, outra pedreira. O time viajaria até o Rio Grande do Sul para encarar o Internacional, que vinha de ótima campanha no Campeonato Brasileiro. Com um eficiente esquema defensivo armado pelo técnico Vágner Mancini, os paulistas seguravam o valioso empate sem gols até os 40 do segundo tempo, quando Jorge Wagner abriu o placar para os gaúchos numa linda cobrança de falta. Apesar da derrota, os jogadores acreditavam que era possível reverter ou ao menos igualar o resultado no jogo da volta. Foi o que ocorreu. Num estádio Jayme Cintra já cheio de jundiaienses confiantes na classificação, com gol de Juliano, o time conseguiu a vitória pelo mesmo placar do jogo da ida e levou a vaga nos pênaltis, após contabilizar 4×2 (Anderson Batatais, Márcio Mossoró, Cristian e Jefferson anotaram as cobranças).

As quartas de final vieram e o Paulista já sonhava alto ao embarcar para enfrentar o Figueirense em Florianópolis. Mais uma vez, a vitória do mandante por 1×0 se concretizou. No segundo jogo, em São Paulo, primeiro tempo pragmático e sem gols. Mas, na segunda etapa, a torcida viu, depois de um rebote do goleiro Edson Bastos, o lateral direito Lucas acertar um chute de rara beleza da entrada da pequena área, marcando o gol que garantiria o time de Jundiaí mais uma vez em uma disputa por pênaltis.

Graças uma defesa do goleiro Rafael e duas cobranças para fora, o time catarinense deu adeus à Copa do Brasil. Com gols de Anderson Batatais, Márcio Mossoró e Jefferson, o Galo converteu três penalidades que resultaram em um placar de 3×1 e se classificou para a fase seguinte.

Foto: Paulista Futebol Clube

A torcida fez sua parte (Foto: Paulista Futebol Clube)

Nas semifinais, mais emoção, dessa vez contra o Cruzeiro. Agora jogando em casa a primeira partida, o Paulista partiu para o ataque e abriu o placar com o volante Cristian que, aproveitando-se do campo molhado pela chuva torrencial que caía em Jundiaí, chutou de fora da área e acertou o canto do goleiro Fábio, que aceitou. Fred, o artilheiro que despontava no futebol brasileiro, empatou em outro belo chute, ainda no primeiro tempo. Mas, na segunda etapa, depois de pressionar muito, Márcio Mossoró e Jefferson acertaram o pé, aumentaram a vantagem para 3×1 e fizeram a festa da torcida do interior. Na volta, em um Mineirão lotado, com apenas 15 segundos de jogo, uma bola na trave de Fred apontava que, apesar do ótimo resultado adquirido no primeiro confronto, o jogo não seria fácil para os paulistas, o que se confirmou aos 36 minutos do primeiro tempo. Com dois gols de Fred e um de Kelly, os mineiros já venciam por 3×0, placar que os classificava diretamente. Mas o Galo não se abateu e, com dois gols de falta de Cristian, diminuiu o prejuízo o suficiente para a classificação no saldo de gols marcados. O Paulista fazia história e estava na final da Copa do Brasil.

Na decisão, mais um gigante do futebol brasileiro: o Fluminense. No estádio Jayme Cintra abarrotado de vermelho, o Paulista foi impecável e fez talvez sua melhor apresentação no torneio. Com gols de Márcio Mossoró e Léo, não deu chances ao tricolor carioca de Abel Braga e venceu por 2×0, adquirindo uma ótima vantagem para o jogo da volta. Marcado para São Januário, o segundo jogo da grande final reservou, de forma previsível, um Fluminense que saía para atacar e um Paulista contido, ciente de que segurar o resultado seria o melhor a se fazer. E deu certo para o Galo. Após 90 minutos sem gols, o time de Jundiaí se tornou, de forma inédita, o campeão da Copa do Brasil, disputando a final com nove jogadores da base. Garantiu ainda uma vaga na Taça Libertadores da América do ano seguinte, outro feito inédito em 102 anos de existência.

Era o dia mais feliz da história do clube. Jundiaí pôde enfim comemorar o grande feito do time da cidade, deixando orgulhosos seus 390 mil habitantes.

Foto: Paulista Futebol Clube

Foto: Paulista Futebol Clube

Ficha técnica do jogo final:

Fluminense: Kléber; Schneider (Alan), Antônio Carlos, Fabiano Eller e Juan; Marcão, Preto Casagrande, Juninho (Toró) e Diego Souza (Léo Guerra); Tuta e Leandro.
Técnico: Abel Braga.

Paulista: Rafael; Lucas, Anderson Batatais, Dema e Julinho; Fabio Gomes, Amaral, Cristian e Juliano (Réver); Márcio Mossoró e André Leonel (Abraão).
Técnico: Vagner Mancini.

Data: 22/06/2005
Local: São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Público: 25.000 pagantes
Árbitro: Leonardo Gaciba (RS)
Assistentes: Autemir Hausmann (RS) e Roberto Braatz (PR)

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.