LFP jogando contra a Ligue 1

Texto originalmente de: Europa Football

Foto: LFP

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A emoção tem um fator preponderante no futebol. Talvez seja ela que nos mantenha com os olhos atentos a qualquer jogo, mesmo nos dias atuais, onde o vínculo entre clube e atleta seja cada vez menor e, por consequência, a aproximação com os torcedores se torna ainda menos frequente. Porém, o futebol não pode ser organizado e delineado com emoção. Nos momentos de análises e planejamento, esse sentimento vai para baixo do tapete e a razão precisa tomar conta do ambiente. É por isso que o argumento da emoção muitas vezes não me desce. O futebol como um todo, olhando sob um ponto de organização, precisa ser visto como uma série de jogos que podem prender a atenção, e não como um só que pode ter grande visibilidade.

Antes que venham fazer um pré-conceito desta matéria, aviso de antemão que não estou falando sobre a velha e interminável discussão de pontos corridos x mata-mata. Falo de outro tema.

Na última semana, o Conselho de Administração da LFP, órgão que gere as duas primeiras divisões do Campeonato Francês e a Copa da Liga, anunciou que dois times subirão e outros dois cairão na próxima temporada da Ligue 1 e da Ligue 2. Anteriormente, três eram os rebaixados e promovidos. A decisão já era debatida há algum tempo, mas causou as mais diversas opiniões.

Particularmente, não gostei da alteração pelo motivo que citei no primeiro parágrafo: a emoção. Sei que possa parecer meio contraditório justificar assim, mas trago dados que comprovam a competitividade (ou a falta dela) na briga contra o rebaixamento na França.

Tradicionalmente, a luta contra o descenso em terras gaulesas é pouco emocionante. Duas das três vagas são definidas com alguma rapidez. Em algumas temporadas, isso é até pior. Só para ter uma ideia, em 2014/2015, o Evian, que terminou em 18º na tabela de classificação, ficou cinco pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento – o Toulouse. O Lens, lanterna da temporada, já estava praticamente rebaixado na 34ª rodada – precisava tirar 12 pontos em 12 disputados e tirar oito gols de saldo – e o Metz, penúltimo, caiu dois jogos depois. Ao término da penúltima rodada, já conhecíamos todos os rebaixados.

Na temporada 2013/2014 não foi muito diferente. O Ajaccio terminou a temporada com míseros 23 pontos, 19 atrás do Nice, primeiro time acima da zona de descenso. O Valenciennes já estava praticamente rebaixado na 35ª rodada. A briga só ficou pela terceira vaga, extinta pela LFP, entre cinco times. Por fim, o Sochaux caiu.

A última vez em que chegamos à última rodada do Campeonato Francês com apenas um time rebaixado foi na temporada 2011/2012. Na ocasião, o Auxerre, com 34 pontos, não poderia alcançar o Caen, primeiro time fora da zona de rebaixamento, com 38. Porém, Dijon e Ajaccio tentavam sair de lá e, além de puxar o Caen, tentavam colocar no bolo Brest, Sochaux, Lorient e Nice. A vez anterior tinha sido em 2004/2005, quando cinco times tentavam fugir de duas vagas.

E outro detalhe: a temporada 2001/2002 foi a última em que dois times caíram, e tivemos briga por uma das vagas até a última rodada… mas o Campeonato Francês tinha apenas 18 times.
Para a segunda divisão, o argumento é o mesmo. É uma briga a menos. E na Ligue 2, o problema é ainda mais grave. Na Ligue 1, dependendo do caso, você ainda pode se classificar para uma Liga Europa estando em sétimo nas rodadas finais, por exemplo – vai depender dos campeões das copas nacionais. Na segundona, o sétimo lugar já é distante de qualquer coisa tendo três vagas em disputa, imagina com duas?

Por isso que uma colocação é pertinente: por que não rebaixar dois, mas realizar um playoff entre o décimo oitavo da primeira divisão e o terceiro da segunda? Parece-me algo mais favorável à competitividade da temporada. Em um linguajar popular: vai dar emoção!

Ainda não me apresentaram argumentos convincentes que possam defender a mudança. Até que me façam pensar contrário, a LFP se equivocou e jogou contra o próprio campeonato ao determinar que apenas dois subam e caiam.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.