Nabil Fekir: o canhoto mágico do Lyon

A temporada 2014/2015 parecia que não iria render muitos frutos ao Olympique Lyonnais. Sem grandes estrelas, com novo técnico e apostando quase que inteiramente nas categorias de base do clube, o OL parecia relegado às disputas intermediárias do Campeonato Francês. Quem pensou assim, caiu do cavalo. E o tombo foi grande!

O promissor técnico Hubert Fournier conseguiu extrair o máximo de seus garotos e arrancou um improvável segundo lugar no Campeonato Francês, com 75 pontos, conquistando uma das duas vagas diretas para a fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa da temporada seguinte. O título, que ficou com o PSG, não veio por detalhe, já que o OL chegou a liderar o torneio por dez rodadas.

Dentro deste time, um grande expoente: Alexandre Lacazette. Com 27 gols, liderou a tábua de artilheiros, ficando à frente de nomes de peso como Zlatan Ibrahimović e Edinson Cavani, ambos do Paris Saint-Germain. O nome de Lacazette, porém, não era novidade nos ouvidos de quem acompanha a Ligue 1. Ele foi um dos destaques da seleção francesa campeã europeia sub-19 em 2010 – em seleção que tinha também Antoine Griezmann e Francis Coquelin. Desde aquele ano, acumula atuações na equipe profissional, tendo explodido na última temporada.

;

;

;

;

;

;

;

;

;

OLHO NELE - FEKIR

Nome: Nabil Fekir
Nascimento: 18/07/1993
Origem: Lyon – filho de pais argelinos
Nacionalidade: Francesa
Clube: Olympique Lyonnais
Números na temporada 2014/2015: 13 gols e nove assistências


Mas em meio ao sucesso de Lacazette, um franco-argelino bom de bola se notabilizou como um dos atletas mais habilidosos da temporada europeia: Nabil Fekir. Dono de uma canhotinha extremamente letal, ele foi eleito a revelação da Ligue 1 no último campeonato e encheu os olhos de quem gosta de um futebol bem jogado.



Sua refinada técnica acabou por provocar, inclusive, um problema diplomático entre França e Argélia. Nascido em Lyon, na França, ele é filho de argelinos e esteve a ponto de defender a seleção do país natal dos pais. O técnico da seleção da Argélia, o francês Christian Gourcuff, chegou a convocá-lo para a partida contra o Qatar. Porém, ele recusou a chamada e optou por vestir a camisa da França, em decisão que não agradou muito os argelinos, especialmente os pais do atleta. Todos têm ciência de que a seleção africana perdeu um grande talento.

Da reprovação ao estrelato

Mas quem vê meus entusiasmados elogios a Fekir supõe que se trata de um jogador que é espetacular e regular desde garotinho. Não é o caso.

O franco-argelino chegou ao Lyon em 2005, quando tinha apenas dez anos. Naquela época, já havia passado pelo Villeurbanne, FC Vaulx e Caluire SC. No OL, atuou apenas dois anos até ser dispensado em 2007. Naquele período, o jovem passou sete meses no estaleiro devido a uma infecção no joelho. Esse fato prejudicou sua curta passagem pelo clube.

Em seguida, voltou ao Vaulx e em 2010 parou no Saint-Priest. Seria neste clube que bateria de frente com o Lyonnais mais uma vez. Na fase de 64 avos de final da Copa Gambardella, tradicional torneio de base francês, Saint-Priest e Lyon se enfrentaram, com vitória do OL pelo placar de 2×1. Na partida em questão, Fekir atuou por 90 minutos e chamou a atenção da equipe adversária, que prontamente o contratou. Na época, o argelino tinha 18 anos.

Mas antes de voltar a vestir a camisa do Lyon, Fekir esteve perto de acertar com o grande rival Saint-Étienne. Em entrevista ao Lyon Capitale em dezembro de 2013, seu pai, Mohamed Fekir revelou que alguns clubes procuraram seu filho, incluindo o ASSE. Segundo ele, Nabil recusou os Vérts e provou ser um verdadeiro lyonnais.

Começo

INÍCIO FEKIR LYON

Na temporada 2013/2014, Fekir debutou entre os profissionais do OL, mas teve ano discreto. Foram apenas 11 atuações durante a temporada e números pouco notáveis. O franco-argelino balançou as redes uma vez e deu duas assistências, todos no mesmo jogo – a goleada por 4×1 sobre o Bastia.

Se não foi uma temporada brilhante, na partida em questão, válida pela 35ª rodada do Campeonato Francês, Fekir mostrou um pouco do que é capaz. Ou melhor, mostrou um pouco do que sua perna esquerda é capaz. Nas três participações, ele usou apenas a canhotinha para decidir. Na segunda assistência, essa característica foi mais notória. Ele recebeu de Alexandre Lacazette, dominou com a esquerda, conduziu a bola com o mesmo pé e, ainda de canhota, rolou, de novo, para Lacazette, que fez o último gol do jogo.


L1 / 2013-14 : Lyon 4-1 Bastia : le résumé por SportingClubBastia

Dupla destruidora

Mas nem mesmo o mais otimista torcedor do Lyon imaginaria que aquele gol de Lacazette contra o Bastia seria apenas uma prévia do que viria na temporada 2014/2015. Dos 72 gols do time no Campeonato Francês, 30 saíram dos pés de Fekir e Lacazette, totalizando mais de 41% dos gols da equipe. Números absurdos que contribuíram para a ótima campanha do Lyon.



O franco-argelino foi, evidentemente, o que mais surpreendeu, passando de “mais um” em 2013/2014 a peça-chave no ano seguinte. Da primeira temporada, aliás, trago alguns dados interessantes envolvendo o número de chutes: no primeiro ano, em 11 jogos, deu apenas oito tiros. Destes, cinco tiveram a direção do gol. O gráfico do site Squawka ainda chama a atenção pela direção das finalizações: das cinco que foram na meta, quatro foram praticamente no centro do gol. Na temporada seguinte, foram mais de 70 chutes, com 43 indo na direção da meta.

Arte: Squawka

Arte: Squawka

Dentro do próprio Lyon, Fekir se notabilizou na última temporada sendo o líder de assistências – 9 ao todo – e tendo a segunda melhor média de chutes por jogo. Além disso, o franco-argelino foi o principal driblador do time e da própria liga. Fatos como esses lhe deram o atributo de jogador que mais sofreu faltas na temporada francesa.

Tudo isto surgiu em um contexto de desilusão dentro do clube. O Lyon contratou pouco e apostou efetivamente nas categorias de base. Além disso, nomes de referência, como Clément Grenier e Yoann Gourcuff, estiveram mais no departamento médico do que em campo – 6 e 17 jogos, respectivamente. O argelino assumiu a responsabilidade na meia cancha do time de Hubert Fournier e não deixou nenhum torcedor com saudade da dupla.

ESTREIA PELA FRANÇA - FEKIR

O ótimo desempenho pelo OL fez com que conquistasse uma vaga na seleção francesa de Didier Deschamps – isso após aquele problema diplomático que citei anteriormente. Pelos Bleus, Fekir fez 4 jogos e já balançou as redes uma vez – curiosamente, de pé direito – na derrota por 4×3 em amistoso contra a Bélgica.

Características

Fekir é o clássico camisa 10 canhoto, com toque refinado na bola, habilidoso e driblador. Normalmente, o franco-argelino atua atrás do atacante mais avançado, articulando as jogadas para que este possa ter boas condições de finalizar.

https://www.youtube.com/watch?v=AxBsW4i8e3c

A principal característica é a utilização do pé esquerdo como forma de jogo. Tanto na condução de bola, quanto nos passes e, especialmente, nas finalizações, Fekir utiliza a perna esquerda. Basta ver que, dos 13 gols que fez, dez foram de pé esquerdo e três foram com o pé oposto.

Tal característica fez com que o presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas fizesse uma comparação – guardando suas devidas proporções – com Lionel Messi.

“Eu tenho os mesmos olhos para Fekir como o presidente do Barcelona tem para um pequeno argentino que depende fortemente de seu pé esquerdo também.

Ele é o meu Messi.” – Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon

Pontos fracos

Um dos pontos falhos de Fekir é a falta de confiança em utilizar o pé direito. Ele só o faz quando realmente não há opção. Outro ponto frágil de seu futebol é sua fraca participação defensiva, até por isso raramente atua aberto por um dos lados, mesmo tendo características que lhe auxiliem a atuar nessas funções.

d7-1280x800

Nabil Fekir é mais um nome promissor da geração francesa que pode vir a conquistar, jogando em casa, a Eurocopa 2016. Talento, este canhotinho já mostrou que possui, resta seguir sendo lapidado e demonstrar empenho em corrigir as deficiências em seu jogo.

Olho Nele!

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.