O que Vidal pode oferecer ao Bayern

  • por Lucas Sousa
  • 4 Anos atrás

VIDAL APRESENTAÇÃO FC BAYERN - SAMMER

Arturo Vidal chegou ao Bayern de Munique. Depois de vender Bastian Schweinsteiger para o Manchester United, o clube da Baviera buscou na Juventus seu novo meio-campista.

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Vice-campeão europeu com a Juve e campeão da Copa América, o chileno vive o auge da sua carreira e desembarca em Munique com status de estrela. A saída de Schweinsteiger foi amplamente contestada pela torcida e imprensa local, mas a contratação de Vidal é uma adição importante ao elenco de Pep Guardiola, que ganha características interessantes para o seu estilo de jogo.

PEPENSADOR

Clique na imagem e saiba mais da máquina bávara montada por Guardiola na temporada 14/15.

A temporada 2014/2015 mostrou como Guardiola enxerga o meio-campo bávaro. Embora haja um grande revezamento no esquema tático da equipe, quase todos partem do 4-3-3 e apontam para duas unanimidades: Xabi Alonso e Philipp Lahm;

Xabi-Alonso

Clique e saiba mais do estilo controlador de Xabi Alonso, empregado por Guardiola em seu esquema.

Xabi é o homem à frente dos zagueiros e Lahm, o meia pela direita. Sendo assim, sobra uma vaga no setor. Na temporada passada era ocupada principalmente por Schweinsteiger, mas David Alaba, Mario Gotze, Sebastian Rode e Thiago Alcântara também atuaram por ali. Uma vez que Alaba tem sido escalado como zagueiro e Gotze utilizado mais à frente, Vidal deve disputar a posição com os dois últimos.

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Os números do último ano de futebol na Europa mostram o que o chileno pode oferecer ao Bayern. Comparado aos possíveis concorrentes, o novo contratado foi quem mais marcou gols, desarmou, roubou bolas e finalizou, números que mostram suas principais virtudes: destruir e finalizar as jogadas.

Arte: Doentes por Futebol - Os números de Vidal, Thiago, Rode e Schweinsteiger na temporada 2014/2015

Arte: Doentes por Futebol – Os números de Vidal, Thiago, Rode e Schweinsteiger na temporada 2014/2015

Independente dos jogadores que tem à sua disposição, Guardiola não abre mão de alguns conceitos. Um deles é a pressão sobre quem tem a bola. Seja quando o adversário está iniciando a saída de bola ou logo após o Bayern perdê-la, os comandados de Pep sempre pressionarão seus oponentes para retomar a posse o mais rápido possível.

Na última Liga dos Campeões, o Bayern de Munique foi apenas o 26º (ou 7º pior) no ranking dos desarmes por jogo. Claro que a quantidade de posse influencia esse número. Ora, quem tem a bola não precisa tomá-la do adversário, e o time alemão dominou a estatística de posse por jogo. Mas o Barcelona, por exemplo, foi o segundo que mais teve a bola e o 16º que mais desarmou. Ninguém fez mais desarmes que o Bayer Leverkusen e somente dez equipes tiveram mais a bola que ele. Ou seja, posse de bola e desarmes não são inversamente proporcionais, existe uma margem que pode (e deve) ser explorada. E Vidal pode dar um upgrade nessa margem.

Foto: Facebook Oficial - Com Vidal, Guardiola ganha uma nova caracterísitca para montar o Bayern

Foto: Facebook Oficial – Com Vidal, Guardiola ganha um jogador com novas características para montar o Bayern

Com certeza, Guardiola assistiu a Copa América e acompanhou o Chile de Jorge Sampaoli e Vidal.

SAMPAOLI

Clique e saiba mais sobre as ideias de Sampaoli e como seu Chile joga extraindo o melhor de Arturo Vidal.

Viu aquele time que sufocava o adversário pressionando alto e a intensidade do camisa 8 para dar combate e recuperar a bola ainda no campo de ataque. Mas o meio-campista não é só disposição, é também eficiência: nenhum jogador do Bayern foi melhor que ele nos desarmes. Javi Martínez foi o melhor na Bundesliga (3) e Thiago na Liga dos Campeões (2,8), ambos distantes da média de 3,7 do novo contratado. A intensidade na recuperação da posse se mostra como a principal característica defensiva do jogador, algo que seu novo treinador adora.

Outra qualidade de Vidal evidenciada na Copa América também deve ter chamado a atenção de Pep. O treinador catalão e Sampaoli compartilham de dois mecanismos para atacar: amplitude e infiltração. A ideia é posicionar dois jogadores bem abertos e obrigar o adversário a distanciar seus atletas para marcá-los; e então explorar os espaços deixados com a infiltração de homens em velocidade. Na competição continental, o Chile fez isso inúmeras vezes, principalmente com seu camisa 8. Alas abertos, defesa espaçada e bola para o meia. Assim aconteceu o primeiro ataque dos chilenos na competição.

Reprodução: Sportv - Alas dão amplitude (vermelho) e dois jogadores estão prontos para infiltrar (branco). Vidal é um deles

Reprodução: Sportv – Alas dão amplitude (vermelho) e dois jogadores estão prontos para infiltrar (branco). Vidal é o alvo da jogada

Ao longo da temporada, a tendência é vermos Ribéry e Robben bem abertos e Vidal infiltrando na defesa adversária inúmeras vezes, agora com a camisa vermelha do Bayern. Guardiola buscou um excepcional meio-campista infiltrador, uma peça que lhe faltava em Munique. Pela Juventus, o novo bávaro finalizava, em média, 1,7 vezes por partida, número que deve crescer no novo clube e ficar mais próximo dos 3,5 da Copa América. Apesar da grande temporada em Turim, o Vidal do Bayern deve se parecer mais com a da seleção chilena.

Reprodução: Sky Sports - Dois jogadores abrem a defesa adversária (vermelho) e mais dois avançam para infiltrar (branco)

Reprodução: Sky Sports – Dois jogadores abrem a defesa adversária (vermelho) e mais dois avançam para infiltrar (branco)

Porém, Vidal ainda está abaixo quando o assunto é passe (que engloba número de passes, porcentagem de acerto, passes chave e assistências), e quem lidera todas as estatísticas é justamente Schweinsteiger. Esse é o grande prejuízo do Bayern nessa troca de meio-campistas: a perda de um atleta capaz de controlar o jogo com seus passes. Sem Bastian, Thiago surge como um potencial “controlador do meio”.

O hispano-brasileiro tem a confiança do treinador, que pediu sua contratação logo em sua primeira temporada, e terminou a temporada passada muito bem. O grande problema tem sido as sucessivas lesões. Em 2014/2015, conseguiu jogar apenas 11 vezes. Se conseguir ficar saudável, tem totais condições de se firmar como peça essencial do elenco.

destacada

Clique e saiba mais sobre este jogador tão apreciado por Pep Guardiola, e tido como joia para o futuro do Bayern.

Quem também deve ganhar espaço no time é o jovem Pierre-Emile Hojbjerg, de 19 anos. O jogador é visto por Guardiola como um diamante a ser lapidado e, aos poucos, terá suas chances na equipe principal. O dinamarquês foi emprestado para o Augsburg na segunda metade da temporada passada para adquirir mais experiência e retornar como opção para o treinador. Tem sido utilizado com frequência nas partidas de pré-temporada e pode ser uma das surpresas da próxima Bundesliga.

Partindo para o seu terceiro ano à frente o Bayern de Munique, Guardiola segue moldando a equipe. Trocou três jogadores importantes nas conquistas recentes por outros com características mais apropriadas para o seu jogo: Mario Mandzukic por Robert Lewandowski, Toni Kroos por Xabi Alonso e Bastian Schweinsteiger por Arturo Vidal. Embora as saídas tenham o peso da identificação com o clube, as caras novas aumentam o leque de opções para o treinador. É exatamente o caso de Vidal. Pela suas características, a ausência de Schweinsteiger pode ser compensada com os outros jogadores do elenco e, esquecendo toda a história que o alemão tem com a camisa do clube, o chileno pode oferecer alternativas mais interessantes para o time. Ele tem tudo para ser uma peça-chave dos bávaros nessa temporada: intenso e dinâmico, desarmando e aparecendo como elemento surpresa.

Guardiola ganha uma excelente engrenagem nova para sua máquina.

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Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.