Schneiderlin, o saint que agora é red devil

Foto: www.manutd.com

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“Quem sair por último apaga a luz”. Essa é uma frase plenamente aplicável à realidade do Southampton. Desde que retornou à Premier League, há três temporadas, o clube da costa sul inglesa vem surpreendendo a todos, afinal quando de seu retorno a equipe vinha de anos muito ruins, dividindo suas temporadas entre a Championship e a League One. Assim, em 2012-2013, sobretudo após a contratação do treinador Mauricio Pochettino, a equipe tem praticado um futebol consistente e bonito, deixando em evidência seus jogadores, os quais, diante do poderio econômico de outras equipes, vêm deixando os Saints, sendo Morgan Schneiderlin, recém-chegado ao Manchester United, o último exemplo disso.

Escolhendo o rival certo

Contratado pelo Southampton em 2008, aos 18 anos, o volante viveu de tudo representando o alvirrubro. Em sua temporada de estreia, o francês, criado no Strasbourg, viu seu time descer ao fundo do poço, com o descenso à terceira divisão inglesa. Não obstante, seguiu mais seis temporadas na equipe e viu-se recompensado.

Foto: www.saintsfc.co.uk

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O curioso é que, no ano de sua contratação, o jogador era alvo de cobiça do Portsmouth, rival dos Saints e, na época, equipe da Premier League. A justificativa do atleta para sua escolha foi a possibilidade de ter mais oportunidades como titular, e o tempo mostrou que ele estava certo, com a profunda queda do Portsmouth, que sofre de graves problemas financeiros.

“Esse é um clube muito bom, onde eu sei que terei minha chance de jogar. Havia outros clubes interessados em mim, mas eu sei que o Southampton tem um bom histórico em trazer jovens. Aqui você não tem que esperar até ter uma certa idade para jogar. Se você é bom o suficiente, você jogará e isso é muito importante para mim”, disse Schneiderlin em sua apresentação ao Southampton.

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Galgando pacientemente os degraus do sistema de futebol profissional bretão, Schneiderlin chegou à tão desejada Premier League, passando a atrair olhares atentos e admirados, afinal o atleta mostra a maior parte das qualidades necessárias a alguém de sua posição. Embora seja um marcador duro, é leal; conquanto tenha força no desarme, possui grande qualidade de passes e aproximação dos meias e atacantes.

Não à toa, de jogador desconsiderado pela Seleção Francesa, Schneiderlin ganhou um lugar dentre os 23 selecionados para a disputa da Copa do Mundo. E, apesar de ter demorado a ser lembrado pelo técnico Didier Deschamps, Schneiderlin é figurinha carimbada com o uniforme francês desde os 15 anos, passando pelos escalões sub-16, 17, 18, 19 e 21.

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Parceria com Wanyama

Desde sua ascensão à Premier League, Schneiderlin contou com alguns companheiros no meio-campo dos Saints, figuras como Jack Cork e Steven Davies. A despeito disso, só viu seu melhor futebol aparecer a partir da temporada 2013-2014, com o ingresso de Victor Wanyama na equipe. Com o queniano, o francês conseguiu um entrosamento impressionante e tornou-se ainda mais efetivo.

Isso se deu, mormente, em decorrência da combinação de diferentes estilos entre os meio-campistas. Wanyama deu o acréscimo de força e pegada que faltavam a Schneiderlin, que, por sua vez, assistiu o queniano com sua desenvoltura para o jogo e qualidade de passes.

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Na última temporada, o francês foi eficaz em 47% dos desarmes e recuperou um percentual de 73% das bolas que tentou. Por sua vez, seu companheiro queniano desarmou os adversários em 46% das tentativas e teve sucesso em 93% das vezes em que tentou retomar a bola. No quesito passe, Schneiderlin acertou 89% e Wanyama 84%. Tais dados evidenciam as diferenças e a eficácia da dupla.

Arte: Doentes por Futebol | Schneiderlin e Wanyama têm demonstrado a importância de se ter bons volantes.

Arte: Doentes por Futebol | Schneiderlin e Wanyama têm demonstrado a importância de se ter bons volantes.

As expectativas com o salto e a nova grande companhia

No decorrer da última temporada, Schneiderlin esteve ligado a muitos clubes e uma transferência para o Tottenham esteve perto de acontecer. À época, a forma do jogador chegou a cair um pouco e houve quem o acusasse de “forçar uma negociação”.

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Não obstante, o atleta ficou até o final e ajudou os Saints a terminarem o ano na sétima colocação da Premier League. Todavia, seu destino estava inevitavelmente traçado e, após anos de luta e glória, Schneiderlin deixou o clube, firmando com o Manchester United. O gigante inglês pagou aproximadamente €34 Milhões e em sua nova casa o francês terá a oportunidade de formar uma excepcional dupla de contenção, uma vez que os Red Devils contrataram o craque alemão Bastian Schweinsteiger.

Ao todo, Schneiderlin vestiu a camisa do alvirrubro 256 vezes, marcando 15 gols.

“Estou muito feliz por ser um jogador do Manchester United. Assim que soube que o United estava interessando em me contratar, foi uma decisão muito fácil de tomar. Eu desfrutei de sete anos felizes no Southampton e é um clube que sempre estará em meu coração. Mas a chance de ser parte deste elenco, de ajudar este grande clube a ser bem-sucedido era muito boa para desperdiçar”, disse o francês em sua apresentação.

Com o craque germânico, no entanto, é possível enxergar um Schneiderlin mais dedicado às tarefas defensivas, o que lhe é perfeitamente confortável, conforme mostrou em toda sua carreira até a parceria com Wanyama e em outras ocasiões esporádicas.

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De clube novo, sendo figura regular na Seleção Francesa e tendo a oportunidade de atuar ao lado de um dos melhores jogadores do mundo em sua posição, as expectativas não poderiam ser melhores. Aos 25 anos, o atleta mostra maturidade e credenciais que o qualificam a assumir a titularidade e ter impacto importante na equipe de Louis van Gaal. Acostumado à Premier League, não deverá ter problemas de adaptação ao campeonato e ladeado por grandes jogadores dificilmente será um flop.

Se Daley Blind, Marouane Fellaini e Ander Herrera também têm talento, Schneiderlin tem a seu favor a regularidade. Raramente se vê o francês fazer um mau jogo.

https://www.youtube.com/watch?v=R7fJHn2Okeo

Em sua estreia, em amistoso contra o América do México, o jogador, inclusive, já marcou seu primeiro gol pelos Red Devils.

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Disputado por muitos clubes, Schneiderlin fez uma boa escolha e chega para ser titular. Aos 25 anos, é um jogador vivido e já conheceu bem de perto os dois lados da moeda futebolística. Por outro lado, o Manchester United precisava remontar seu setor defensivo, extremamente criticado desde a saída de Sir Alex Ferguson. Assim, o encaixe do atleta no clube promete ser muito eficaz, aumentando as expectativas para o início da temporada.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.