Sobre o fatídico 7 a 1 e tudo que o engloba

  • por Lulu
  • 5 Anos atrás

Brasileiros (grande parte da torcida e da imprensa) insistem em ostentar o preceito megalomaníaco de que somos o país do futebol. Se algo não correr como esperado, afirmam convenientemente que houve influência externa, problemas estruturais e conspirações. Em suma, tudo desculpa protocolar para justificar o resultado catastrófico de uma partida atípica.

O fato é que naquela semifinal de Copa deu tudo certo para a Alemanha e tudo errado para o Brasil, mesmo que Felipão seja um treinador ultrapassado e tenha escalado mal. A compactação impetuosa do adversário, que atacou em bloco coeso, sufocou uma equipe desnorteada, que se mostrou emocionalmente desequilibrada depois do 2º gol sofrido.

Em declaração recente, Daniel Alves foi oportunista ao dizer que a parte tática pesou bastante. Volto a repetir, o modus operandi do futebol brasileiro é não admitir inferioridade técnica, sem levantar outros pontos. Ora, se o cenário futebolístico brasileiro está em frangalhos, imagina o argentino, o uruguaio, o colombiano e o chileno – para citar países vizinhos que têm menos investimento e condições desde a base.

David Luiz chorou e pediu desculpas ao torcedor pelo 7 a 1 da Alemanha (Foto: Gabriel Bouys/AFP)

David Luiz chorou e pediu desculpas ao torcedor pelo 7 a 1 da Alemanha (Foto: Gabriel Bouys/AFP)

Portanto, não se trata somente de comissões técnicas limitadas como a atual que acabou de sair precocemente de uma Copa América ou da corrupção na CBF. Não descarto a desestabilidade conjuntural, claro, mas não é só isso. O futebol está globalizado, cosmopolita e, consequentemente, nivelado. Nunca a parte física foi tão determinante em campeonatos de alto nível para anular o talento nato.

Então não adianta a Canarinha exibir seu portfólio, expondo glórias do passado, para taxar-se como “diferenciada por natureza”. Gerações de outrora deixaram saudades, contudo, o presente se constrói com planejamento visando o futuro, desprendido do peso da camisa. Ou surgem novos craques ou Neymar ilha-se. Porque o respeito foi perdido e o atrevimento dos adversários acrescido.

Talvez o bombardeio alemão tenha servido para esfacelar a miragem, transformando o oásis num deserto. Talvez a goleada mais vergonhosa da história dos Mundiais tenha servido para mostrar que o gigante não é tão alto assim. Com certeza, houve uma inversão de valores, status. Klose your eyes e reflita, admitindo a vulnerabilidade sem ressalvas.

Comentários

Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.