A arbitragem no Brasil tem cura: é só tomar TecnologiBOL® Gotas

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Salvio Spinola, da ESPN Brasil, comenta gol mal anulado do Avaí diante do Corinthians (Foto: Reprodução)

TecnologiBOL® Gotas é – ou deveria ser – um daqueles medicamentos que chegam para revolucionar o mercado farmacêutico. Mas, no nosso caso, é mercado futebolístico. Isso porque o TecBOL® tem a finalidade de tratar de forma eficaz doenças que muitos pensavam não ter cura, como, por exemplo, essa virose que vem debilitando impiedosamente a saúde da arbitragem no Brasil. É super necessário explicar, porém, que, ao contrário do que muitos pessimistas acham, a vida do futebol brasileiro como um todo não está em estágio final. Jamais. O coração, órgão mais importante, ainda bate fortíssimo e alegremente nas arquibancadas, e os excelentes jogos que nós vimos durante o primeiro turno do Brasileirão diagnosticaram que os pulmões dos jogadores e o cérebro de alguns técnicos ainda estão trabalhando bem. O problema, repito, é essa virose que há anos ataca em cheio a arbitragem no Brasil. E, para tratar esse mal, existe o que? TecnologiBOL® Gotas.

A grande barreira, no entanto, que freia o uso mais aprofundado deste medicamento no Brasil se chama Confederação Brasileira de Futebol. O nome comercial de TecBOL® é “Tecnologia no Futebol”, simples assim. A eficácia deste medicamento se dá porque o seu uso é oftálmico, ou seja, as gotas são aplicadas diretamente nos olhos, chamadas lentes que testemunham a verdade, dos pacientes infectados, que, no nosso caso, são os árbitros principais, os árbitros assistentes e quem mais dirige um jogo de futebol. Mas a maioria dos torcedores, maioria dos dirigentes de clubes, maioria dos jornalistas esportivos e maioria dos comediantes esportivos que atuam como jornalistas na TV também deveriam fazer uso do medicamento, já que eles todos, com suas críticas pesadas e não acompanhadas de solução pacífica, e até com suas ofensas, acabam agindo como vetores que transmitem o agente infectante e pioram a situação da saúde da arbitragem. Observação: não estou defendendo os erros dos árbitros. Mas, ao invés de dar porrada neles sem parar, seria legal investir em ideias para acabar com o problema. Isso também é papel de jornalista. Propor ideias.

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A imagem não mente: mão de Apodi no lance de seu gol contra o Atlético-MG (Foto: Gazeta Press)

O mais interessante do TecnologiBOL® Gotas é que ele não causa efeitos colaterais e sua ação é praticamente instantânea. Por exemplo, se os pacientes receberem algumas doses do TecBOL® após cada crise (entende-se por crise aquele pênalti não marcado para o São Paulo contra o Corinthians, aquele gol mal anulado do Avaí diante do Corinthians, aquele toque de mão maroto do Apodi, da Chapecoense, contra o Atlético-MG, aquele pênalti absurdamente não assinalado para o Goiás ante o São Paulo, entre outras milhares de crises agudas), só será necessário aguardar alguns minutos – ou segundos, em alguns casos – para que a medicação faça efeito e tal crise vá embora. Digo minutos ou segundos para se ter o efeito esperado do medicamento porque tudo depende da velocidade do metabolismo – ou velocidade de raciocínio – de quem estiver analisando a crise em questão. Também depende da intensidade da crise. Quando o ataque é desencadeado em clássicos, é preciso ter muito mais atenção. É preciso, também, antes de tudo, pacientes que saibam administrar suas próprias doses, ou seja, árbitros que saibam usar a tecnologia para decifrar o certo e o errado.

Vamos relembrar aqui aqueles árbitros adicionais (outros tipos de pacientes) que trabalhavam atrás dos gols em jogos do Campeonato Brasileiro. Por intermédio da CBF, que, por sua vez, recebeu autorização da FIFA, claro, por lá aqueles árbitros ficaram entre o Brasileirão de 2012 e o de 2014. Foram três anos diretos pagando R$ 500 para cada paciente adicional que ficava atrás dos gols, às vezes só assistindo à partida de um ponto privilegiado. Quando a CBF acabou, agora em 2015, com o uso desses profissionais nos jogos do Brasileirão, os clubes, responsáveis por pagar a taxa da arbitragem, passaram a economizar em torno de R$ 2 milhões.

Aí eu pergunto: com todo esse dinheiro arrecadado pelos clubes, será que não seria possível investir em tecnologia pesada no futebol para acabar de uma vez por todas com esses problemas da arbitragem? Ninguém pode discutir com a imagem! Melhor dizendo, ninguém pode discutir com a TecnologiBOL® Gotas. O dispositivo na bola, utilizado na Copa do Mundo de 2014, que avisava com precisão e em tempo real se a bola havia ultrapassado a linha do gol ou não, poderia muito bem ser substituído nos campeonatos nacionais e regionais pelas várias câmeras normais de TV (Foto), uma vez que a Fifa alegou ser muito cara a utilização em cada jogo da bola com o dispositivo “inteligente”.

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Imagem de um tira-teima da TV Band. Neste lance, fica claro que a bola entrou; pelo qual motivo não utilizar essa imagem para auxiliar os árbitros? (Foto: Reprodução)

Mas, o que seria uma tecnologia pesada no nosso futebol? Talvez, nem tão pesada assim. Vamos imaginar o seguinte: a partida se inicia com o árbitro principal e seus dois assistentes, também conhecidos como pacientes bandeirinhas infectados por essa virose danada. Fora das quatro linhas, exatamente no local onde se encontra o quarto árbitro (reserva) do jogo, normalmente entre os dois bancos de reservas, poderia se instalar um quinto árbitro devidamente equipado com um meio de comunicação (o rádio que eles próprios usam nos jogos, por exemplo) que o permitisse ter contato direto com todos os outros quatro árbitros, e, o mais importante, com uma caixinha de TecnologiBOL® Gotas. Neste caso, o TecBOL® deles seria um monitor simples, de 22 polegadas, que esteja conectado com todas as câmeras de TV. “O Apodi fez o gol depois de supostamente carregar a bola com a mão? Calma aí, vamos ver no monitor do quinto árbitro do jogo. Foi mão? Não foi? Opa! Levou com a mão, sim. Estou vendo aqui. Legal, então o gol não valeu e a bola é do Atlético-MG”. Quanto tempo levaria para essa conversação ser realizada? Se for um minuto é muito. Isso é tecnologia no futebol sem precisar de bola com dispositivo, apenas com câmeras de TV e um simples monitor. Isso é TecnologiBOL® Gotas.

Os jogadores do Goiás começam a reclamar escandalosamente de um pênalti cometido pelo goleiro Renan Ribeiro, do São Paulo. O árbitro, que é o paciente prestes a sofrer uma crise, interrompe o jogo e administra sua própria dose de TecBOL®, acionando o quinto árbitro e perguntando: e aí, meu amigo, o que você está vendo aí no seu monitor? Foi pênalti mesmo? Os caras estão esperneando aqui no meu ouvido… O quinto árbitro responde: rapaz, pior que foi pênalti mesmo, pode marcar. É simples, o árbitro principal pega a bola e fala para o jogador do Goiás cobrar a penalidade. Ninguém do São Paulo e de qualquer outro time pode reclamar, já que é imagem, e com ela não se discute. Falta fora ou dentro da área? Bola não mão? Escanteio ou lateral? Bola entrou ou não? Goleiro se adiantou na cobrança de pênalti ou não? É ninho de pardal ou de quero-quero? Tudo se resolveria em pouquíssimo tempo com um quinto árbitro, um monitor e um rádio.

No taekwondo, os(as) árbitros(as) chegam a gastar de dois a três minutos só analisando pelo monitor se um golpe valeu ou não. No futebol, nunca uma análise em um monitor, feita pelo quinto árbitro, levaria tudo isso de tempo. É só notarmos quanto tempo a gente leva para dizer com propriedade se algo realmente aconteceu ou não quando assistimos aos tira-teimas na TV. No taekwondo, depois que os árbitros fazem a análise, eles voltam à luta, computam os pontos de forma correta e tudo segue normalmente. No tênis, os árbitros também já estão quase dopados de tanto que utilizam TecnologiBOL® Gotas. Não é transformar o futebol em tênis ou taekwondo. É transformar o futebol em algo melhor, algo mais correto, com menos achismos e mais coerência. Para isso, é só tomar TecnologiBOL® Gotas.

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]