E agora, Dunga?

  • por Victor Gandra Quintas
  • 4 Anos atrás

Para muita gente, a atual geração de jogadores brasileiros vive uma crise. Há de se concordar, contudo, que ela ainda é formada por alguns bons atletas, de forma que é possível montar um time competitivo e de respeito. O que falta é encontrar a melhor formação para o elenco.

BASE BRASIL CAPA

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Ok, também falta liderança e um pouco de vergonha na cara, por assim dizer, mas se Dunga for capaz de montar um time correto, o resto fica mais fácil.

A defesa sofre com a inconstância de seus atletas. Thiago Silva e David Luiz não são os mesmos desde a Copa do Mundo, tanto que o primeiro nem sequer foi chamado para os próximos amistosos.

Aliás, Thiago Silva é um caso à parte na seleção: antigo capitão, deveria ser o líder desta equipe, mas a sua falta de controle emocional, bem como a forma como abordou sua ausência, coloca em xeque um possível retorno. Sorte que Dunga encontrou em Miranda seu porto seguro defensivo.

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De toda forma, qualidade no setor não falta. Daniel Alves voltou a apresentar um bom futebol e Dunga ainda conta com Danilo, novo reforço do Real Madrid, para a lateral direita. Na esquerda, Marcelo ainda é a melhor opção, mas tem sido “esquecido” pelo treinador. Filipe Luís, atual dono da vaga, apesar de regular, concorre com opções de mais qualidade, como Guilherme Siqueira (do mesmo time, Atlético de Madrid) e Alex Sandro, que acabou de ser contratado pela vice-campeã europeia, Juventus.

MARQUINHOS

No miolo de zaga, a chegada de Marquinhos (que atua no PSG com David Luiz e Thiago Silva) pode ser positiva, desde que Dunga o coloque para jogar. Ele tem feito parte do grupo há algumas convocações, inclusive na Copa América, mas com poucas chances.

No meio de campo é onde está o maior número de atletas com qualidade.

MEIAS BRASIL

Jogadores como Willian, Philippe Coutinho (também de fora da atual convocação), Lucas Lima e Douglas Costa estão em fase excepcional em seus clubes, mas se complicam quando chegam à seleção. Lucas, aliás, é o único dos citados que, por ser novato, ainda não pode ser julgado. Nenhum dos outros demonstrou o mesmo futebol do clube jogando com a amarelinha.

Entre os volantes, o que pesa mesmo é a qualidade na transição da bola entre a defesa e o ataque. Nenhum dos convocados sabe executar bem esta função, o que atrasa (e muito) a forma de jogar da “SeleDunga”, focada no contra-ataque. A volta de Luis Gustavo deve ser comemorada, pois é um excelente jogador – ainda assim, mais marcador que passador. Lucas Silva fazia isto muito bem no Cruzeiro, mas não teve muitas chances no Real Madrid e, com isso, não tem muitas chances de vestir a camisa da seleção principal (está convocado para a seleção olímpica, no entanto). Casemiro, outro que poderia cuidar da transição, esteve na Copa América e parece ter sido deixado de lado por enquanto. Ainda podemos citar Hernanes, atleta da Inter de Milão, mas que desde a Copa do Mundo (quando ainda teve poucas chances) não tem sido convocado. Aliás, a entrada de Hernanes na seleção seria boa também por sua capacidade de liderança, algo que falta bastante neste time.

Armar esses jogadores no meio próximo ao ataque talvez seja a maior dificuldade de Dunga. Apesar da vaga cativa de Neymar como ponta-esquerda, as outras duas posições, e mais a de atacante, não vêm sendo ocupadas com a mesma eficiência. Oscar, que esteve fora das convocações anteriores por conta de lesão, pode voltar ao time titular. Também é possível que Dunga mantenha Roberto Firmino como centroavante (ou falso 9, como alguns dizem).

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movimentação

Estes jogadores não devem guardar posições efetivamente, mas alternar lados e posições para ludibriar os defensores adversários.

Outra alternativa seria a inclusão de Lucas Lima neste time. O atleta é o que mais se assemelha ao clássico armador, o camisa 10, outra posição carente em nosso futebol. Jogando com Lucas um pouco mais recuado, mas à frente dos volantes, o time poderia ganhar mais dinamismo e movimentação, ajudando na troca de passes e na saída de bola.

Brincar de técnico é muito bom. É possível analisar friamente os jogadores, imaginando situações e ideias que nem sempre correspondem à realidade. Ao contrário de nós, Dunga tem que levar em consideração o ambiente de trabalho, o relacionamento entre jogadores, seu nível de obediência tática e, ainda por cima, a atual situação caótica vivida pela CBF.

Entre os atuais convocados, a formação a defesa não seria nenhuma surpresa, com Jefferson no gol, Daniel Alves e Filipe Luis nas laterais, Miranda e David Luiz de zagueiros. A entrada de Marquinhos seria mais agradável, em vista das péssimas atuações de seu colega de equipe com a amarelinha.

À frente, Luis Gustavo deverá permanecer titular absoluto, mas seu colega de posição é uma incógnita. Como o lateral esquerdo é bastante defensivo, Elias deve se manter titular, o que diminui a qualidade da saída de bola, mas aumenta em chegada ao ataque.

Aqui, então, devemos imaginar o que vai acontecer: para equilibrar a situação defesa-volantes, poderíamos ter a entrada de Lucas Lima, com Douglas Costa, o meia em melhor forma hoje, suprindo a ausência de Neymar e atuando pelo lado esquerdo (uma vez que vem sendo escalado assim no Bayern) e com Willian na direita (também como é escalado no Chelsea).

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No entanto, a ideia de mudança de posições durante o jogo seria interessante entre os dois pontas, que têm qualidade mais que suficiente para fazê-lo. Por fim, Firmino asseguraria a posição mais à frente.

ESCALAÇÃO PROVÁVEL DUNGA

Outra coisa que poderia ser feita é a entrada de Oscar no lugar de Lucas Lima, de Lucas Moura na vaga de Willian e Fernandinho na de Elias. O time ficaria mais rápido pelo lado direito, mas poderia sofrer defensivamente. Assim, a troca de volantes ajudaria a equilibrar um pouco mais as coisas.

Com a volta de Neymar o cenário mudaria um pouco, pois o craque poderia entrar na ponta esquerda, como é habitual, ou ainda ser a referência na frente, mais adiantado, mas em constante troca de posição com os jogadores mais atrás. Mas, para isso, Firmino seria sacrificado, ou algum dos meias do Chelsea, já que Douglas Costa hoje está em melhor fase que ambos.

O mais importante é entender que a mentalidade de “bloco” precisa mudar. Não se pode somente atacar com parte do time enquanto a outra só defende. É imprescindível que a equipe funcione coletivamente. O contra-ataque é a arma mais poderosa deste grupo, e para que ele funcione bem é necessário que todos participem, atraindo o adversário, sabendo desarmá-lo e sufocá-lo até a finalização.

Caso todos os citados fossem hoje convocados ou estivessem disponíveis, uma boa formação seria o 4-3-3 com Jefferson; Danilo, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Luis Gustavo, Casemiro/Hernanes, Oscar/Lucas Lima; Willian/Firmino, Douglas Costa e Neymar.

Selecao Brasileira - Football tactics and formations

Estar na pele de Dunga hoje não deve ser fácil. Sabemos das dificuldades de se organizar uma seleção que tem perdido prestígio. Mas a primeira coisa deve ser reconhecer as falhas e tentar corrigi-las. É verdade que não podemos mais montar 3 ou 4 “seleções brasileiras” como fazíamos há poucos anos, mas, se for possível montar pelo menos uma, o orgulho de ser torcedor canarinho poderá voltar.

OBS: Este texto foi publicado antes dos cortes de Oscar e Ramires e a convocação de Coutinho e Rafinha para seus lugares.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).