Giovanni Augusto e os méritos de Levir

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Em 2011, em processo de reconstrução – que se mostraria ineficaz –, o Atlético Mineiro, pelas mãos de Dorival Júnior, concedeu chance a um garoto que já havia estourado a idade de júnior e até então não havia sido aproveitado devidamente: Giovanni Augusto. Com bom passe e capacidade de distribuição de bola, o jovem fez bom Campeonato Mineiro e teve seu contrato renovado.

Não obstante, como se o sucesso lhe tivesse subido à cabeça, o jovem passou a jogar mal no início do Brasileirão, foi afastado e voltou ao ostracismo, com muitos empréstimos. Falta de talento nunca foi algo alegado em seu desfavor, por outro lado, falta de combatividade e dedicação chegaram a ser apontadas naquele já longínquo ano de 2011.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Após temporadas em Grêmio Barueri (2011), Criciúma (2012), Náutico e ABC (2013) e Figueirense (2014), algumas boas, como as pelos catarinenses, e outras nem tanto, o jogador retornou à Cidade do Galo para a disputa da temporada 2015. Todavia, envolveu-se em um imbróglio judicial acerca da renovação de seu contrato, que findar-se-ia em maio do presente ano.

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Foto: Luiz Henrique/ Figueirense FC

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Com propostas de outras equipes, Giovanni ingressou na justiça para romper sua ligação com o Galo. O clube alegava a assinatura de um vínculo aditivo com vigência até o fim de 2015, enquanto o atleta indicava de fato a assinatura, ressaltando que, em seu ponto de vista, esta havia sido feita após o fim do prazo legal. Superadas as diferenças entre clube e jogador, o meia, como Levir pedira, foi reintegrado, ganhou oportunidade no time e, após um início de adaptação, vem desempenhando grande papel na esquadra alvinegra.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Com o fim do problema, o jogador renovou contrato até maio de 2018 e admitiu ter se precipitado ao buscar a via judicial para resolver sua situação com o clube belo horizontino, creditando ao técnico do Galo boa parte da responsabilidade pela resolução do problema.

“O sonho de todo jogador é jogar. Não estava bem, não estava feliz porque fazia praticamente cinco anos que não jogava (no Atlético). Infelizmente no futebol, o jogador tem muitas pessoas por trás, no meu caso só pessoas que confio, mas a gente acabou errando, confesso. Quero deixar bem claro que isso faz parte do passado e daqui para frente estou pensando 100% no Atlético (…) O Levir é uma pessoa fantástica, esse pouco tempo que estou trabalhando com ele, percebi que é uma pessoa justa, honesta, se dedicar nos trabalhos, ele vai colocar para jogar. Foi o que aconteceu comigo. Mesmo com toda essa dificuldade, de renovação, estava me dedicando nos treinamentos, sempre que dava ele me chamava para conversar e sempre me deixava a vontade. Isso pesou muito para que eu renovasse, para que eu ficasse de cabeça tranquila e pensasse só em ajudar o Atlético”, revelou em entrevista coletiva.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Com a situação resolvida, o jogador ganhou uma vaga no meio-campo alvinegro, primeiro compartindo-o com Rafael Carioca e Dátolo e, após a lesão e a má fase do argentino, com Leandro Donizete. Com boa dinâmica de jogo, qualidade de passes e técnica, o atleta tem se tornado mais importante no time a cada partida. O curioso é que, ao menos nos quesitos técnicos, Guilherme teria predicados superiores aos de Giovanni, mas em razão da maior participação e utilidade para o coletivo do segundo, ele tem sido a preferência e vem cumprindo seu papel muito bem: ponto para Levir.

Os números do jovem no Brasileirão não deixam margem para dúvidas. Segundo o site Footstats, Giovanni é o terceiro jogador que mais acerta passes no time, atrás de Rafael Carioca e Douglas Santos, e tem aproveitamento de aproximadamente 87%. Para mais, é o segundo atleta que mais proveu assistências no torneio, com cinco, e o segundo que mais chances de gol cria, com 38, atrás apenas do santista Lucas Lima. Quarto jogador que mais viradas de jogo acertou no campeonato nacional e o quinto melhor ladrão de bolas do Galo, o jogador tem feito a transição defesa-ataque com muita competência.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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Além de passar muito bem a bola, o jogador também foi decisivo em uma das partidas mais importantes da temporada alvinegra até o momento, com um gol, no encontro contra o organizado Sport, de Eduardo Baptista. Outra ocorrência recente que envolveu o nome do jogador foi uma proposta do Sporting CP, prontamente rejeitada pela direção alvinegra.

“O Giovanni tem uma qualificação técnica legal e um brilho nos passes. Ele faz o time jogar, porque acerta os passes. Ele também é finalizador e se aproxima bem da área”, indicou Levir em entrevista no final de maio.

Aos 25 anos, Giovanni sabe que seu momento é agora e parece ter superado um passado de decisões equivocadas e pouco futebol. Sabiamente, Levir acompanhou seu bom ano no Figueirense e pediu à diretoria para contar com o jogador. No momento, seu impacto é de uma boa contratação, e o mais interessante para o Galo é saber que o ganho dessa nova peça não custou nada aos cofres alvinegros. Com um passado confuso, ainda há uma pequena dose de cautela com relação ao jogador, mas os últimos meses têm mostrado seu amadurecimento, tanto como jogador quanto como indivíduo, e o acerto de Levir, ambos os fatos reconhecidos pelo torcedor.

Foto: Bruno Cantini/CAM

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“Estou feliz pelo meu bom momento. Eu sempre sonhei em vestir essa camisa do Atlético, sempre sonhei em ser reconhecimento pelo meu futebol. Aos pouco isso vai acontecendo. Cabe a mim manter os pés no chão. De pouquinho em pouquinho conquisto meu espaço (…) (Estou) Muito feliz por ter realizado mais um sonho, a Massa gritando meu nome, disse dias após a vitória do Atlético contra o São Paulo. Posteriormente, em entrevista ao Superesportes, afirmou: “Hoje eu me sinto um atleta profissional. Eu me sinto bem e feliz. Naquele ano (2011), não tinha o Atlético como prioridade e perdi o foco. Coloquei coisas na frente do Atlético e colhi o que plantei na época. Hoje estou plantando coisas boas e colhendo os frutos. Espero cada vez mais ajudar o Atlético. Tenho um sonho aqui e está próximo de se realizar”.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.