Juventus enfraquece mas segue favorita. Quem pode evitar o penta?

  • por Tiago Lima Domingos
  • 5 Anos atrás
juve serie a 2015

Juventus tentará o pentacampeonato italiano

Neste sábado, tem início o Campeonato Italiano 2015-16, que promete ser mais equilibrado do que as últimas três edições. A Juventus segue tendo a melhor equipe e o melhor elenco da Itália, mas vem enfraquecida em relação à última temporada. A Velha Senhora vem para buscar o pentacampeonato italiano em sequencia, feito registrado apenas 3 vezes na Itália – com a própria Juventus (1931-35), o grande Torino (1943-49, dois anos sem campeonatos devido à Segunda Guerra) e a Internazionale (2006-10) -, mas terá alguns bons adversários pelo caminho.

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Juventus – A Favorita

Favorita mas nem taaaanto assim. A Juventus 2015-16 ainda é uma incógnita. O time que fez uma temporada passada quase perfeita, perdendo a Tríplice Coroa para o Barcelona, sofreu baixas importantíssimas, que podem ser sentidas no início do campeonato. Saíram de uma só vez Andrea Pirlo, Vidal e Carlos Tévez. O Maestro italiano, mesmo em nítida decadência física, fará falta no início da construção do jogo da equipe de Allegri. Já o chileno foi o melhor jogador da Serie A 2013-14 e Carlitos fez sua melhor temporada da carreira em 14-15. Aliás, a grande ausência será mesmo a do atacante argentino, que cansou de “resolver jogos sozinho” para a Juve em seu último ano de clube.

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Pogba assumiu a 10 e chamou a responsabilidade

Sem o trio que se foi, sobrou para Paul Pogba a missão de ser O CARA da nova Juventus. Isso ficou ainda mais claro quando Pogba decidiu trocar a camisa 6 pela 10, de Platini, Baggio, Del Piero e Tévez. O prodígio francês tem qualidade suficiente para ser este jogador, e já andou decidindo várias partidas para a Juve na última temporada. A nova Juventus nascerá em torno de Pogba.

É bom lembrar que a Juventus não ficou parada e se reforçou em quantidade e qualidade. Chegaram Dybala, melhor jovem da última temporada do Calcio, Mandzukic, Khedira, Zaza, Neto e, por último Alex Sandro. Todos bons jogadores, mas sem o peso e o entrosamento que tinham Pirlo, Vidal e Tévez, o que faz do time de Massimiliano Allegri uma dúvida. O maior desafio de Allegri será encaixar rapidamente estes atletas ao seu 4-3-1-2, que deverá ser mais usado. Aliás, esse 1, o trequartista, como dizem na Itália, ainda é uma incógnita, que a Juve corre até o dia 31 para contratar (fala-se em Draxler, Götze e Isco). Fato é que será mais um novo jogador a ter que se adaptar rapidamente a equipe.

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Juventus foi atrás do ótimo e promissor Paulo Dybala. Olho nele!

Essa será a Juventus 2015-16, cujo grande desafio será provar em campo que, mesmo enfraquecida em relação à última temporada, continua tendo a melhor equipe e o melhor elenco da Itália.

Roma – A Anti-Juve

Das equipes capazes de tirar o penta da Juventus, a Roma é sem dúvida, a mais qualificada. Vice-campeã nas duas últimas edições, os giallorossi mantiveram a base dos dois anos anteriores e contrataram jogadores importantes para fazer frente à Velha Senhora.

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Iago Falqué, Dzeko, Rudi Garcia, Totti e Salah. A força ofensiva do novo ataque romano

As chegadas de Edin Dzeko, do City, e principalmente Mohamed Salah, do Chelsea (e que jogou 6 meses maravilhosos em Florença em 2015), deram um up considerável no ataque romano e na esperança de, quem sabe, levantar um scudetto que não vem desde 2001. A chegada de Salah, já adaptado à Itália, é a principal contratação da Roma, e traz mais qualidade ao meio campo. De Rossi, Pjanic e Nainggolan formam a melhor “meiuca” dos 20 clubes da Serie A nesta temporada. O elenco do meio para frente também é recheado de bons jogadores (Iago Falqué, destaque do Genoa em 14-15 foi mais um a chegar, Keita, Strootman, Gervinho, Ljajic), mas o problema ainda segue sendo o mesmo: a defesa.

O goleiro Szczesny deixou o Arsenal com a missão de dar a segurança que De Sanctis não conseguiu na última temporada. Maicon convive com lesões, e a lateral esquerda é uma incógnita. Ashley Cole não rendeu o que se esperava, e a Roma espera fechar com Digne, do Paris Saint-Germain, para solucionar a lacuna. A defesa ganhou o retorno de Leandro Castán após um ano de ausência devido a um problema de malformação vascular do sistema nervoso central. Ao lado de Manolas, o brasileiro fará uma boa dupla defensiva, mas que ainda não deixa os romanos seguros, principalmente pela inatividade do brasileiro.

Na 3ª temporada com o bom Rudi Garcia, a Roma pode enfim, brigar pau a pau pelo scudetto com a Juventus. As chegadas de Dzeko, e, sobretudo Salah são esperanças de um título que não ocorre há 14 anos.

Lazio – 3ª força?

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Jogo coletivo e força do grupo: as qualidades da Lazio

A Lazio surpreendeu na última temporada ao quase conquistar o vice-campeonato italiano. Com um time muito bem armado por Stefano Pioli, com meio-campistas que sabem jogar com a bola no pé e trabalhar a posse, a Lazio continua sendo uma equipe a ser levada a sério. A vitória no jogo de ida da 3ª fase da Liga dos Campeões diante do Bayer Leverkusen voltou a mostrar isso. É um time difícil de ser batido, sobretudo no Olímpico.

A equipe manteve a base da última temporada com alguns reforços. Para a zaga, chegou o promissor Milinkovic Savic, do Genk, e no ataque o jovem Kishna, do Ajax.

Com a força do grupo, do jogo coletivo, do bom meio-campo e do talento de Felipe Anderson e Candreva, a Lazio é um time que almeja título, muito embora tenha um caminho difícil pela frente graças à falta de profundidade do elenco. Pode pesar a participação em uma competição europeia, algo que não aconteceu na última temporada.

Milan e Inter – Surpresas?

Um foi 8º (Inter) e o outro foi 10º (Milan) na última temporada. Os dois clubes de Milão fizeram campanhas catastróficas, muito distantes de suas realidades históricas. Não à toa, chegam com o mesmo discurso para 2015-16: querem voltar a ser grandes. E assim se comportaram no mercado de transferências.

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Sinisa Mihajlovic chegou ao Milan após bom trabalho na Sampdoria

Milan – Depois de queimar ídolos do clube como treinadores (Seedorf e depois Inzaghi), o Milan contratou Sinisa Mihajlovic, que fez ótima temporada na Sampdoria, como novo técnico. Do Sevilla, veio o bom Carlos Bacca, por €30 milhões. Chegaram também o brasileiro Luiz Adriano, o meia Andrea Bertolacci e o promissor zagueiro Alessio Romagnoli (tido como “novo Nesta”), da Roma, mas que havia atuado com Sinisa na Samp em 2014-15. Apenas com esses 4 atletas, o Milan gastou €83 milhões, conseguidos com a venda de 48% das ações ao milionário tailandês Bee Taechaubol.

A pré-temporada mostrou um time organizado, dado o pouco tempo de trabalho. Não é da noite para o dia que o Milan se reerguerá e voltará a ser o gigante que sempre foi, mas, ao menos desta vez, o caminho parece estar sendo bem desenhado. Mihajlovic é um treinador promissor, que gosta de jogar no 4-3-1-2 e que costuma dar oportunidade aos jovens. Com ele, o atleta não joga pelo nome, e sim pelo o que apresenta nos treinamentos. Prova disso é a jovem dupla de zaga (41 anos juntos) que deve começar o campeonato, formada pelo brasileiro Rodrigo Ely, que fez ótima temporada na Série B em empréstimo ao Avellino, e do recém-contratado Romagnoli.

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Bacca e Luiz Adriano tem se entendido dentro e fora de campo

A boa impressão da pré-temporada e da estreia na Copa Itália contra o Perugia indicam um Milan organizado e capaz de mostrar coisas boas logo no início do campeonato. Há ainda o “fator Ibrahimovic”, sempre cogitado no clube. Até 31 de agosto, muita coisa pode rolar e uma possível contratação do sueco fariam as cotações do rubro-negro de Milão subirem consideravelmente. Com Ibra no elenco, o Milan é candidato a título.

Inter – Assim como o Milan, a Inter foi ao mercado e conseguiu montar um time mais forte que o da última temporada. Vale destacar as chegadas de Miranda e Kondogbia, além, é claro, da volta de Stevan Jovetic à Itália, onde o montenegrino jogou muita bola com a Fiorentina.

Apesar dos bons reforços, a Inter perdeu duas peças que poderiam fazer o elenco nerazzurri ainda melhor. Shaqiri, muito mal aproveitado nos apenas 6 meses de clube, foi para o Stoke e Mateo Kovacic foi vendido ao Real Madrid sem ter mostrado aos torcedores o futebol que pode alcançar.

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Jovetic chega para formar uma grande dupla com Icardi

A impressão deixada na pré-temporada não foi positiva. A Inter apresentou pouco futebol e foi derrotada na maioria dos jogos, inclusive duas vezes para o rival Milan. O clube ainda deve se movimentar até o dia 31 de agosto. Perisic é um nome forte em que a Inter deposita suas fichas para que o ótimo ataque Jovetic-Icardi não careça de um ponto criativo.

Por esses motivos, a Inter chega com um bom time, mas aquém do que já poderia estar jogando. É certo que a pré-temporada não é o maior parâmetro, mas Roberto Mancini sabe que o material que tem em mãos é capaz de jogar mais do que jogou até aqui, contando os últimos 6 meses na temporada 14-15.

Napoli – A incógnita

Base mantida, mas com novo treinador: este é o Napoli, a maior incógnita dentre os clubes que podem, de alguma forma, ameaçar a Juventus. Maurizio Sarri foi um dos destaques do último campeonato como técnico fazendo o modesto Empoli se salvar bem do rebaixamento apresentando um bom futebol.

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Napoli dependerá mais uma vez dos gols de Higuaín para ir bem na temporada

Sarri, então, trouxe do ex-clube o homem que fazia o Empoli jogar: Mirko Valdifiori, o “Pirlo” dele. Ao lado de Valdifiori, deve atuar o brasileiro Allan, ex-Vasco, um dos melhores volantes da Serie A pela Udinese nos últimos 3 anos. O maior problema do Napoli segue sendo a defesa. Do Tottenham, chegou o romeno Chiriches com a missão de tentar fazer a equipe mais sólida defensivamente.

Novamente, o clube será refém dos gols de Higuaín e dos meias Hamsik, Insigne e Callejón.

Por ser incógnita, o Napoli pode até brigar pelo título, mas o mais provável é que brigue por uma vaga na Liga dos Campeões. A aposta em Sarri foi ótima. Veremos se o novo treinador cairá nas graças da apaixonada torcida napolitana.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.