Por que a volta de Kaká pode ajudar a Seleção Brasileira

  • por Victor Gandra Quintas
  • 5 Anos atrás

A volta de Kaká à seleção trouxe polêmica. Com uma campanha vexatória na Copa do Mundo, atuações fracas na Copa América e Neymar sendo dúvida, muito se comentou sobre a falta de interesse nos próximos amistosos, que acontecem nos Estados Unidos. A solução foi trazer uma das estrelas da liga norte-americana e melhor do mundo em 2007. Além do apelo midiático, a vinda do atleta do Orlando City pode ser mais útil para o grupo do que se imagina: ele pode ser o líder que falta ao selecionado de Dunga.

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Uma das principais críticas à atual Seleção Brasileira é a ausência de jogadores que assumam a liderança do grupo. Durante a Copa do Mundo do ano passado, Felipão, então técnico da Seleção, escolheu seus quatro capitães antes mesmo da competição começar. No entanto, os eleitos apenas definharam. Thiago Silva, dono da braçadeira, mostrou falta de controle emocional e fugiu da cobrança de pênaltis; David Luiz, seu companheiro de zaga, colecionou erros ao longo da Copa; Fred foi hostilizado pelo mau desempenho, marcando apenas um gol em todo o Mundial; Neymar, apesar de craque e um dos pilares da equipe, se machucou e não pôde ajudar a seleção nos momentos finais; e Julio César, talvez o melhor capitão dentre estes cinco, sofreu com a desconfiança da torcida, da imprensa e dele mesmo.

Atualmente, o capitão do Brasil é Neymar, um craque de alto nível e essencial para a seleção. Apesar de ser experiente, ainda é jovem e mostrou desequilíbrio durante a Copa América deste ano. A convocação e Kaká, uma surpresa para vários, pode ser de grande valia em momentos semelhantes, em que a presença de um verdadeiro líder faz toda a diferença. Em sua curta passagem no retorno ao São Paulo, Kaká foi reverenciado por comandar e orientar o time dentro de campo – tudo o que Dunga precisa no momento.

O Brasil atual conta com atletas de muita qualidade, mas de pouca estabilidade. Willian é destaque no Chelsea, Coutinho (fora desta convocação, mas no radar de Dunga) vai muito bem no Liverpool, que também conta com Firmino, que só não fazia chover no Hoffenheim. Tem ainda Oscar, em boa fase e Douglas Costa, que começou a temporada voando no Bayern. Mas nenhum deles ainda mostrou a que veio na Seleção. Falta mesmo alguém que os lidere, que os instigue a mostrar um futebol semelhante ao que jogam em seus clubes.

É verdade que o antigo jogador de São Paulo, Milan e Real Madrid não tem mais o futebol de outrora, que o consagrou como melhor do mundo. Mas, da geração que deveria servir de exemplo para a “nova” seleção, é o único lúcido e coerente, com condições claras de estar no grupo.

Desde que atletas do pentacampeonato (Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu e cia) abandonaram os gramados, cabia à geração seguinte, de Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano, seguir o caminho e manter a sobriedade da equipe brasileira. Qual destes vemos hoje com qualidade para liderar os mais jovens? Apenas Kaká. Robinho, outro ainda em atividade, foi para a última Copa América pela amizade com Dunga e, como dizem as más línguas, para tocar o pandeiro na hora do pagode.

É claro que Kaká não é mais o mesmo craque que um dia foi, mas sua presença pode ser uma luz, um exemplo para nos novatos dentro de campo. Todo time precisa de um líder que oriente e motive os companheiros, extraindo o melhor de cada um – e, de preferência, que não chore em redes sociais caso não seja convocado. Nesse sentindo, a presença de Kaká em amistosos pode ser muito benéfica, e a depender do seu desempenho, ele pode até se tornar uma opção para as Eliminatórias.

 

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).